Iconoclastia, vanguardas europeias do século XX e tropicalismo são as tônicas do espetáculo Fulanogonia, do Núcleo Arranca, em cartaz até 20 de junho
O espetáculo, que já teve temporada no bairro do Cocaia, agora faz temporada na sede dogrupo, no Jardim Tranquilidade. De caráter processional (obra em que o público acompanha a estrutura das cenas em episódios, em espaços diferentes), a encenação tem início na rua. Com vistapara a rodovia Fernão Dias e uma das fronteiras com a cidade de São Paulo, a perspectiva jácompõe um
Salim Mhanna, palestino residente no bairro, foi atraído pelo burburinho e acompanhou entusiasmado até o fim: “Entendi tudo! Tudo! Gostei muito e foi a melhor noite que já passei no Brasil. Apreciei a cena do nascimento, vi muitas belíssimas imagens e me emocionei, lembrando de minha mãe”, relatou ele, comentando a respeito de cena macunaíma em que é p
Miscigenado, periférico e alienado, como podemos ser quaisquer um de nós, Fulano é mostrado em uma sociedade dominada/dominadora, de uma cultura de massa, de uma alimentação restrita a bananas e ovos. Tudo se passa num espaço independente, um amplo galpão, e parte das cenas se dá no espaço que reproduz uma espécie de galinheiro, um país-casa-cozinha-quarto-altar-riodejaneiro-mundo, em que a atriz Ângela Consiglio e os atores Eduardo Cesar e Gilberto Costa revezam-se nos papéis que revelam o caos cultural em suas esferas, sobretudo na cidade. Com uma crítica iconoclasta típica do dadaísmo, cubo-futurismo, surrealismo e expressionismo, a ambientação antropofágica em “Cocaia Citi” (modo como o grupo chama o bairro na peça) poderia ser em qualquer outro lugar da imensa periferia que é o Brasil.
Simone Carleto
Artista pedagoga, graduada e mestre em Artes pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (2008), doutoranda pela mesma instituição com orientação de Alexandre Mate. Coordena e ministra aulas nos cursos de Dança e Teatro na Escola Viva de Artes Cênicas de Guarulhos. Foi colunista da sessão Crítica da Revista Guarulhos, por 10 anos.
Obs.: os grupos que tiverem espetáculos em cartaz em temporada e que quiserem que a autora publique neste espaço crítica a respeito devem contatá-la pelo e-mail sicarleto@gmail.com
