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Taxistas x Uber, qual a saída?

Foto: Revista Veja

Texto gentilmente cedido por Max Guimer

Assunto presente diariamente em todos os jornais, o embate entre taxistas e o aplicativo Uber vem ganhando proporções maiores a cada nova jogada. No RJ, taxistas ameaçaram entrar em greve geral na última sexta-feira, mas acabaram mudando de estratégia e interditaram vias principais durante algumas horas. O Uber, como contragolpe, ofereceu R$ 100 para que as pessoas se locomovessem pela cidade sem gastar nada. Em São Paulo, onde não houve manifestação nesse dia, mas um apoio público das associações daqui aos taxistas de lá, o Uber distribuiu sorvetes de graça para quem quisesse, sem necessidade de fazer corridas.

Taxistas temendo por um novo concorrente me parece algo perfeitamente aceitável. Inaceitável é ver líderes de sindicatos, associações, cooperativas, endossando esse coro e pressionando a sociedade com argumentos como “vai ter morte”, “vamos parar o Brasil”, e outras pérolas do gênero. Como o cargo pressupõe, um líder deveria ser alguém capaz de lutar por melhores condições para seus liderados, sem que isso significasse, por outro lado, prejuízo a outrem (ou à sociedade, como é o caso aqui). Mas não é o que temos visto.

Por que será que alguns estão tão preocupados com a chegada do Uber? Usar o argumento “porque transporte é para o poder público” é tão vazio quanto dizer “porque sim”. Lembra-me a mãe que não quer dar explicações ao filho: “é assim porque é. Ponto”. Discutamos à sério, qual é o grande temor dessas pessoas?

Qual seria a saída, portanto?

Em primeiro lugar, a saída é que não há saída. A humanidade não resiste a modernidades. Ninguém compra fichas telefônicas hoje por “pena do metalúrgico que as fabrica”. Ninguém continuou andando de charrete quando pôde comprar um veículo motorizado. Tentar impedir um avanço é o mesmo que nadar contra a correnteza – você até avança uns poucos metros, mas ao fim de algum tempo estará cansado, e o rio continuará com sua corrente. É uma batalha perdida.

Há casos clássicos de empresas que se recusaram a aceitar o novo, e morreram. Lembremos dos fabricantes dos filmes fotográficos de rolo, das locadoras de vídeo, das empresas que vendiam contas de email. Nenhuma delas está viva hoje. Quem sobreviveu, reinventou seu negócio. Quem resistiu, morreu.

Não existe cenário perfeito em um mercado ainda em desenvolvimento como o brasileiro. Acreditar em um ambiente 100% livre de regulações ou interferências é tão ingênuo (ou ridículo) como o socialista que acredita que tudo nas mãos do governo funciona melhor e de forma mais justa. Mas um cenário ideal deveria ter:

Max Guimer S. Toledo é consultor em Planejamento Estratégico, tem MBA em Marketing pela USP, pós-graduado pela FGV e graduado em Economia pelo Mackenzie.

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