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Era dos aplicativos: impacto no mercado

Por Cris Marques

Com as novas tecnologias e a era dos aplicativos, o mercado começa, aos poucos, a mudar. O mundo agora exige agilidade, assertividade e conhecimento do público-alvo e até as empresas mais tradicionais, sejam elas indústrias, prestadoras de serviços ou comércio, têm que se adaptar. De acordo com Rodrigo Barros, comunicador e empreendedor, diretor da Unifox, HandsOn.TV e Puro Digital, empresas que generalizam seus produtos e serviços irão perder espaço para os pequenos que estão surgindo e ofertando um produto com maior valor agregado pelo simples fato de entender melhor as necessidades de quem consome.

E é nesse contexto que surge a oportunidade perfeita para as startups – empresas de base tecnológica que possuem características específicas: são replicáveis, ou seja, podem vender seus produtos para diferentes clientes com praticamente nenhuma adaptação, escaláveis, conseguem crescer em grande velocidade, e têm custos baixos de manutenção. Para Igor Mascarenhas, gerente de operação do Start-Up Brasil, programa brasileiro de aceleração de startups, uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação com gestão da Softex, em parceria com aceleradoras, engana-se quem acredita que elas são negócios simples que não exigem investimento ou tempo. “A principal mudança está na metodologia. Enquanto no passado fazia-se um extenso trabalho de planejamento antes de iniciar qualquer tipo de atividade, as startups têm um processo totalmente focado nos feedbacks que recebem do mercado”.

Rodrigo credita essa grande renovação à internet. “Ela tornou grande parte do que vemos hoje possível, aumentou o número de oportunidades, facilitou o acesso à informação e abriu espaço para os aplicativos. […] Criar um app pode levar apenas algumas semanas, mas o que as pessoas precisam entender é que para ele ser bem sucedido deverá contar com muito aprendizado para que as criações se tornem de fato inovações e não apenas invenções”.

54 Horas de empreendedorismo

Criar um app em horas pode parecer arriscado, mas para quem está inserido nessa “nova era” é mais do que possível. “O Startup Weekend é um evento criado pela Techstars com 54 horas de trabalho para o desenvolvimento de startups. As atividades começam numa sexta à noite com a formação de equipes; no sábado, elas criam os protótipos e validam as ideias e, no domingo, desenvolvem a empresa e apresentam o projeto”, afirma Roberto Ueno, professor, pesquisador, cofundador do MerakiGroup e responsável por eventos desse tipo em Guarulhos. Como exemplo de cases de sucesso, ele cita os apps 99 taxis, Uber e os guarulhenses Libras Sim e Família Skate. Ainda segundo ele, o período curto e acelerado é proposital. “Nosso lema é: se for pra errar, erre rápido para ter tempo de corrigir. Assim sua futura startup não se torna ultrapassada antes mesmo de ser lançada”.

Para elas

Dentro dos eventos de empreendedorismo, as mulheres também têm espaço com o Startup Weekend Women Brasil. Mycaelle Beza, consultora e coach, responsável pela aceleração de negócios e também projetos de inovação na Ventiur Aceleradora, explica que ele não é exclusivo para elas, mas exige que 75% dos participantes seja do sexo feminino. “Infelizmente, as mulheres ainda são minoria nesse mercado. Por isso a importância de encorajá-las”. Também coordenadora da iniciativa, Fernanda Nascimento, publicitária, sócia da Stratlab Inteligência Digital e diretora da Rede Mulher Empreendedora, conta que 2015 foi o primeiro ano do evento nacional com edições simultâneas em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belém e Recife. “O mês escolhido é por causa do Outubro Rosa e a participação da Rede Mulher Empreendedora acontece porque nosso objetivo é apoiar a micro e pequena empreendedora”.

Superplayer: aprendizado na prática

Para lançar uma nova ferramenta no mercado, além do apoio desse novo modo de operação que preza por processos curtos e acelerados é bom focar em outra velocidade: a do aprendizado. E foi isso que Gustavo Goldschmidt, CEO e cofundador do serviço de música com playlists customizadas Superplayer, aprendeu na prática. “Nós fizemos um mega planejamento para só depois testar a solução com o consumidor. O resultado foi um completo desastre. Então desenhamos um produto experimental, porém viável para testar nossas novas premissas com o público e, em menos de 3 meses, conseguimos entregar uma solução para o mercado”. Hoje, o aplicativo lançado em 2013 com investimentos da Movile já tem mais de 2,5 milhões de downloads e 1 milhão de usuários ativos por mês.

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Artigo retirado originalmente da Revista Guarulhos – Edição 105

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