Por Cris Marques
Com o incentivo, cada vez mais cedo, para que ler se torne um hábito na vida de crianças e adolescentes, é comum que outra paixão acabe sendo despertada nesse processo: a vontade de escrever. E é assim que diversos jovens começam a ganhar espaço no mercado editorial e invadir as prateleiras das livrarias. De acordo com Silvia Tocci Masini, editora da Gutenberg, a participação de escritores com menos de 25 ou 30 anos é um movimento em ascensão. “O jovem sempre falou o que pensa e, atualmente, as pessoas estão mais expostas, e querendo se expor. Isso não quer dizer que os de ‘antigamente’ não escreviam, mas as novas plataformas, principalmente a internet, fazem com que eles tenham um local para se divulgar”. Ainda segundo ela, hoje, quem vende a obra é o autor, por meio da relação que ele mantém com seus leitores. “Se ele se movimenta bem na web e tem uma base sólida de seguidores, já tem metade do caminho andado. Claro que a outra metade do sucesso também se deve à qualidade dele como escritor”.
Ana Beatriz Brandão, que acabou de completar 16 anos e já tem dois volumes lançados pela Editora Novo Século, “Sombra de um Anjo“ e “Caçadores de Almas”, começou do jeito clássico mesmo, mas entende a necessidade da rede para ampliar o alcance de seu trabalho. “Nunca imaginei lançar um livro, mesmo tendo escrito várias histórias. Mas, depois de terminar uma delas, dei para minha mãe ler e ela afirmou que precisávamos publicá-la. Então enviei para algumas editoras e quando recebemos resposta positiva de três delas, foi surreal. No início, pensava que só meus parentes e amigos comprariam. Quando comecei a receber mensagens nas minhas redes sociais de pessoas de Manaus, Fortaleza, Curitiba e outros tantos lugares do Brasil e até fora dele, como em Portugal, fiquei chocada”.
Ela, que começou seu interesse pela leitura com o clássico “O Pequeno Príncipe” e com gibis da Turma da Mônica e teve como companheiro dos tempos difíceis de escola o “Meu Querido Diário Otário”, conta que, apesar de acharem que a escrita é a parte mais difícil do processo, ela é na verdade a mais fácil de todas. “Depois é que o trabalho começa. No meu caso foram inúmeras revisões no original, muitas provas de capa e a ansiedade de ver o material pronto. Ah, e ainda tem a divulgação. Fazer com que as pessoas te conheçam talvez seja o mais trabalhoso de tudo. Tenho muita ajuda dos meus pais e, quando as coisas começaram a ficar muito grandes, contratamos uma assessoria de imprensa”.
Com a filmadora e a caneta na mão
Lançado pela Novas Páginas, o “Eu Fico Loko – As Desaventuras de um Adolescente Nada Convencional” ficou em primeiro lugar na categoria Não Ficção da lista da revista Veja e fez grande sucesso entre os jovens. “Foi tudo muito natural. Quando decidi realmente lançar o livro, levei algumas páginas pra editora e apresentei minha ideia. Eles gostaram do tema e do meu conteúdo. Depois que me lancei, algumas barreiras foram quebradas e vi muitas empresas da área indo atrás de outros criadores de conteúdo pra internet”.
Do www para o papel
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Livro coletivo e participação colaborativa
Para os jovens (e pessoas de outras faixas etárias também) que têm uma boa história na cabeça e o sonho de ser escritor, algumas iniciativas podem ajudar, e muito, nos primeiros passos da conquista desse objetivo. É o caso do trabalho da Andross Editora, com 11 anos, 90 coletâneas literárias e 2.100 autores publicados. Edson Rossatto, editor de livros da empresa, que publica exclusivamente esse tipo de material, conta que a ideia é exatamente a de orientar novos autores sobre o mercado editorial. “Ninguém começa na vida como presidente de uma multinacional. Você precisa instruir-se cada vez mais e trabalhar muito para conseguir chegar a esse cargo. Assim também é no mundo dos livros. Digamos que as coletâneas sejam um estágio”.
Duas vezes por ano, a Andross define os temas para os próximos lançamentos e recebe, via web, os textos dos interessados. Caso aprovado, a editora e o autor assinam um contrato para a publicação, que é lançada no evento Livros em Pauta, de grande repercussão no setor. Outro ponto importante é a participação colaborativa: cada autor compromete-se a vender 20 exemplares do livro, ao custo unitário de R$ 20,90, forma encontrada para viabilização do projeto.
Para começar já
“Leia muito. E leia de tudo, não se prendendo a um único gênero. Tenha contato com a maior quantidade de textos e narrativas possíveis. Isso fará com que a sua escrita fique mais rica e completa. E também escreva sempre. A escrita é um exercício que exige muita disciplina e esforço”, Silvia Tocci Masini.
“Não desista, estude muito, leia bastante, pesquise ainda mais. Trabalho, persistência, paciência e dedicação são as palavras-chaves para ser escritor”, Ana Beatriz Brandão.
“Leia muito, trabalhe duro, e reconheça suas limitações”, Danilo Leonardi.
“Comece a escrever. As pessoas costumam dizer que têm uma boa ideia para uma história, mas nunca se sentam para colocá-la no papel. Amigo, é só um conto e não um lançamento de foguete”, Edson Rossatto.