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Educação inclusiva: como lidar com alunos com necessidades especiais?

Por Val Oliveira

Muitas vezes, pessoas com algum tipo de necessidade especial, seja ela física ou intelectual, se veem diante de um problema sem tamanho quando o assunto é tentar desfrutar de produtos e serviços, em diversas áreas. Mas, por meio da educação inclusiva é possível que o cidadão seja alfabetizado e adquira saber em todas as áreas do conhecimento, bem como aprenda técnicas que podem auxiliá-lo em todas as rotinas, dentro e fora do ambiente de ensino.

Nesse sentido, professor e escola têm papel fundamental. Entretanto, como lidar com alunos com necessidades especiais? Que tipos de conhecimentos, estrutura e cuidados o profissional de educação precisa ter, a fim de que a experiência não se transforme em um trauma para o aluno especial? Quais os desafios que os educadores enfrentam para atender dignamente esses alunos?

Com 34 anos de atuação no segmento, a psicóloga Antoinette Simão, que também tem curso de extensão em educação inclusiva, na PUC, e extensão em neuropsicologia, na USP, e atua como diretora técnica e mantenedora da Escola de Educação Especial São Judas, um aluno com necessidades especiais é aquele que apresenta limitações essenciais no desempenho intelectual, físico e sensorial, até os 18 anos de idade. Ela explica ainda o que uma escola precisa ter, fisicamente e tecnicamente para atender esses alunos. “As limitações podem ser nas áreas da comunicação, cuidados pessoais, vida doméstica, aptidões sociais, participação comunitária, autonomia, saúde e segurança, funções acadêmicas, lazer e trabalho. Segundo o Ministério da Educação, fisicamente são necessárias adaptações arquitetônicas de acessibilidade que permitam a condição para se utilizar, com segurança e autonomia, total ou assistida, os espaços, mobiliários e equipamentos do ambiente, sistemas e meios de comunicação e informação, para a pessoa com deficiência (normas técnicas da ABNT). A equipe pedagógica deve reconhecer e responder às diversas necessidades de seus alunos, sendo elas físicas, intelectuais, sociais, emocionais, linguísticas ou outras, acomodando tanto estilos como diferentes ritmos de aprendizagem, assegurando a oportunidade de uma educação de qualidade. Com estratégias de ensino e uso de recursos da grade comum, o aluno com necessidades especiais deve receber o apoio extra necessário, que lhe assegure uma educação efetiva. Desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, capaz de educar e incluir”, explica.

Para ela, além do conhecimento técnico, o profissional de educação que optar por atuar com alunos especiais deve gostar de pessoas, em especial de crianças, e ser capaz de gestos nobres, como, por exemplo, gentileza e atenção. “O educador deve saber como ocorre o desenvolvimento infantil e a prontidão para a alfabetização através do desenvolvimento neuropsicomotor. A melhor técnica é o treinamento e prática dos conhecimentos, além de gostar de ajudar pessoas. A experiência e alta performance são garantidas pela paixão em aprender e transmitir. É isso que torna os educadores diferentes de meros transmissores de conhecimento”, destaca.

A entrevistada observa ainda que para cada tipo de necessidade é preciso que o educador tenha uma formação ou conhecimento específico. Entretanto, o tipo, grau ou severidade da deficiência pode dificultar o processo de aprendizado, fazendo com que seja necessário apoio extra multidisciplinar. “É preciso especialização em como comunicar seu conhecimento, quando o aluno for surdo (através de Libras), quando for cego (Braile), deficiente intelectual e físico (comunicação alternativa) ou ter disponível um mediador com estes conhecimentos. Com frequência, os alunos também precisam de acompanhamento de fonoaudiólogo, fisioterapeuta, terapeuta ocupacional, psicólogo, neurologista e psiquiatra, para tratar as dificuldades de aprendizagem”, fala.

Em relação ao comportamento, como toda criança, os especiais também necessitam de limites e estímulos positivos para a aprendizagem e desenvolvimento de habilidades. “Eles querem e precisam aprender, são esforçados e carinhosos”, elogia Antoinette.
Em geral, recomenda-se que a educação de uma criança seja um trabalho de parceria entre os pais e a escola. Com os alunos especiais, essa parceria deve ter a força de um pacto, um verdadeiro laço de amor, carinho e cuidados em prol do bem-estar e aprendizado do pequeno. “Os pais devem ser parceiros da escola de seus filhos, podendo ela ser regular ou especial, e juntos escola e família, sem competir, devem buscar os recursos e estratégias que contemplem o aluno com tudo o que ele precisa para crescer seguro, superando suas dificuldades”, declara.

Os professores podem, por meio da observação constante das habilidades ou dificuldades de aprendizagem, colaborar para a detecção de um problema de saúde mais sério. A partir disso, podem sugerir aos pais e familiares o encaminhamento para especialistas da área médica. “Incluir na sociedade e na escola é, antes de tudo, incluir no coração. Não devemos esquecer que todos nós temos alguma deficiência, mas estamos sempre lutando para superar”, conclui.

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