Por Val Oliveira
Vera Lúcia Moraes Novo, 56, encara jornada dupla de trabalho. Mesmo assim, encontra tempo para diversificar os negócios e divertir -se em seu mundo particular, que conta com uma escola de idiomas, uma livraria, e um espaço de eventos , onde o hobby, a paixão pela leitura e o trabalho “rimam” e enchem sua vida de prazer e conhecimento.
Levantar-se bem cedo todas as manhãs, cruzar a cidade de São Paulo, desempenhar as atribuições de uma diretora comercial em uma empresa com cinco mil funcionários, encarar o trânsito carregado do fim de tarde, voltar para Guarulhos e chegar com disposição para outra jornada no empreendimento que abriga uma livraria Nobel, espaço de eventos e uma escola de idiomas, com cerca de 30 funcionários. Essa é a rotina de Vera Lúcia Moraes Novo, 56 anos, administradora, divorciada, e mãe de dois filhos, que está à frente do Espaço Novo Mundo – Papelaria e do Centro Britânico Idiomas.
Apaixonada por leitura e admiradora do poder que o autor Érico Veríssimo tem em colocar realidade em seus escritos e, dessa forma, levar o leitor para dentro da história, a empresária, de fala baixa e pausada, explica que o trabalho pesado de administração ela desenvolve em uma empresa de agronegócio, da qual é funcionária há trinta anos, e que a livraria é apenas um sonho que leva paralelamente. “Pensando no futuro, apresentei meu interesse em ter uma livraria para a Nobel. Os próprios franqueadores deram a ideia de juntar o Centro Britânico, pois enxergaram aqui bom potencial para uma escola de idiomas. Entendi a proposta de trabalho e concluí que valia a pena experimentar, mesmo não sendo do ramo da educação”, explica.
Cansaço ou receio de arriscar-se, parecem não ser palavras do dicionário de Vera, que com sua aparência “mignon”, busca, incansavelmente, oferecer cultura e conhecimento, mesmo que para isso a própria vida social seja sacrificada. Contudo, não pense que a vida dessa realizadora resume-se a trabalho. Ela encontra tempo para viajar com os filhos, Gabriela, 18, e Ícaro, 22, visitar o pai, que tem 78 anos e mora na praia, embora, invariavelmente, seus momentos de lazer e descanso, teimem em se cruzar com o ofício. “Para administrar o tempo, eu preciso acomodar as duas agendas. Não deixo de vir aqui todos os dias, inclusive aos sábados e, se preciso, aos domingos. Aproveito as férias dos filhos na faculdade para viajar. Nos fins de semana comuns, vou à praia ficar com meu pai. Mas, ainda quero viajar muito. Tenho uma lista imensa de lugares para conhecer e coisas para entender, como, por exemplo, as culturas mais antigas da Europa. Sou fascinada pela Jamaica e muito curiosa por conhecimento”, diz.
Sobre a ideia de escrever um livro, a empreendedora sorri e diz que o “bichinho” das letras ainda não a picou, mas que fatalmente isso acontecerá, pois convive diariamente com escritores e gosta de ver como surgem as ideias. Perguntada se é vaidosa, responde que não, e justifica o uso do aparelho ortodôntico, tentando esconder o “sorriso de lata”. “Não foi por estética. Foi necessário, em virtude de uma disfunção na mandíbula”, conta.
Quando o assunto é força de vontade e perseverança, Vera confidencia que seus negócios são motivos de muita alegria e realização, que não pretende parar por aqui, e quer “surfar” mais nessa “onda” da educação com cultura, de forma simples, livre e independente. Os olhos ficam marejados ao falar do pai e lembrar-se da mãe, já falecida, mas observa que as lágrimas são apenas de saudade, pois tem na esposa dele uma segunda mãe. Sobre a trajetória pessoal e profissional, acredita que trilhou o caminho certo e que se pudesse voltar atrás, não mudaria em nada as escolhas que fez, pois acredita na força do destino e nos desígnios celestiais. “Até mesmo aquilo que em certos momentos eu pensei que não fosse tão bom, agora vejo que colaborou para o resultado pessoal e profissional do que me tornei hoje. Tudo agora faz sentido”, fala.
Em relação ao futuro, Vera sonha com um mundo mais ético e compreensivo. Também pretende continuar trabalhando muito e cercando-se, cada vez mais, de conhecimento e de pessoas que acreditam e partilham de seus sonhos. Para 2016, deseja mais prosperidade para todos os que ousam empreender, mesmo sob os efeitos do que ela chama de sistema econômico frágil. “Não tem mágica. Não posso colocar os preços lá embaixo, pois tenho custos e uma série de obrigações. O que posso fazer é cobrar o justo e oferecer o máximo na qualidade do serviço. Em 2014, a Copa do Mundo e as eleições atrapalharam o crescimento econômico. Tivemos que segurar o que conquistamos em 2013 e esperar 2015, que veio muito devagar. Para 2016, vamos ter que correr muito para recuperar receita. Penso que se tivermos unidade e todo mundo fizer o bem, não há mais nada que possa impedir a evolução e a conquista de um mundo melhor. Pretendo continuar nessa luta por muito tempo. Não consigo enxergar um fim. Fico emocionada porque acho que falar de futuro envolve sonhos, e isso mexe muito com meu íntimo. Sonhos não compartilhamos com qualquer um, somente com quem quer. Conseguir trazer as pessoas para dentro do meu sonho, fazer com que acreditem em mim me enternece muito”, relata entre lágrimas.
Jogo rápido
• Prato preferido – Uma salada caprichada, com folhas verdes e legumes.
• Música – Reggae e MPB. Minha música preferida no momento é “Cilada”, do Amaury Falabella, um músico daqui de Guarulhos.
• Time do coração – Guarani de Campinas.
• Filme – O clássico dos clássicos “E o vento levou”.
• Ídolo – O maior de todos: Jesus Cristo.
• Religião – Não sigo nenhuma. Tenho fé, o que é mais importante. Mas, minha forma de pensar me leva para o espiritismo.
• Viagem – Jamaica
• Livro – O Guarani, de José de Alencar.
• Escritor – Érico Veríssimo.
• Ritual de beleza – Pintura e corte de cabelo, manicure, depilação, batom leve e um creme diário.
• Para relaxar – Massagem e yoga.
• Superstição – Deixar o rádio ligado 24 horas na livraria. Acredito que isso aqui é habitado durante a noite. Com as luzes apagadas e o som baixinho, no outro dia a energia é maravilhosa.
• Qualidade pessoal – Perseverança e determinação.
• Defeito – Sou muito chorona
• Sonho – Continuar sonhando por muito tempo.
