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Ciro Gomes acha incoerente partido ter candidato e manter cargos

O ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes esteve neste sábado, 20, em Guarulhos, participando do Encontro do PDT, partido ao qual está filiado.

O evento foi realizado na Câmara Municipal e contou com a participação do ex-ministro do Trabalho Carlos Lupi, presidente nacional do PDT; dos vereadores Heleno e Jesus; do ex-vereador Chicão; de João Vicente Goulart, filho do falecido presidente Jango; além de presidentes de diversos partidos políticos e representantes de vários sindicatos.

Ele veio participar do lançamento da pré-candidatura do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, José Pereira dos Santos, a prefeito de Guarulhos.

Depois do Encontro, Ciro falou com a Imprensa. Gravou entrevista para o programa Tribuna Livre, de Roberto Samuel, e respondeu perguntas do jornalista Eurico Cruz, da Folha Metropolitana. O jornal Guarulhos Hoje também cobriu a visita.

Em sua fala, demonstrou pessimismo com a recuperação da economia do Brasil, alegando a forte influência de fatores externos, com a crise da China e a queda nos preços do petróleo. Criticou a grande mídia, citando que R$ 600 milhões são pagos por ano por empresas estatais federais à TV Globo; disse que todas as publicações da Editora Abril recebem verbas públicas. Afirmou que toda corrupção deve ser apurada e punida, mas que a espetaculização que a mídia faz de situações familiares de políticos não deveria acontecer. Citou como exemplos o sítio de Atibaia, atribuído a Lula, e a denúncia de que uma ex-amante do então presidente Fernando Henrique teria recebido pensão no exterior, por meio de uma empresa.

Perguntei a Ciro Gomes, o que teria a dizer pelo fato de ter sido do PSDB e ter-se tornado um dos mais severos críticos do partido, e de ter sido ministro de Lula e ter-se tornado crítico do PT. Ele disse que não criticava o PSDB, mas a postura de FHC e de Serra: “Fernando Henrique traiu os postulados do partido”, afirmou. Quanto ao PT, disse que critica determinadas atitudes e comportamentos. Disse que tem amigos nos dois partidos e que em há bons quadros.

Indaguei se ele não considera incoerente o PDT ter candidato proprio e ocupar cargos na gestão petista, como acontece com o presidente municipal do partido, Armando Matos, que exerce a função de secretário de Assuntos Legislativos. Ciro respondeu que acha incoerente. “Os cargos devem ser entregues”. Relatou que, assim que aceitou o convite para vir a ser candidato a presidente, Lupi foi a Dilma informar que o PDT deixaria o Ministério do Trabalho e ela pediu que não fosse de imediato. Ele concordou, porque poderia parecer ratos abandonando o porão. Em outubro de 2015, Manoel Dias foi substituído por Miguel Rossetto (PT).

Na foto, Ciro Gomes e Pereira.

 

Valdir Carleto

 

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