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Professora desabafa ao criticar bônus de Alckmin

Uma professora cuja identidade será mantida em sigilo enviou texto ao Click Guarulhos, comentando a decepção sua e de muitos colegas com o minguado bônus que foi creditado nesta sexta nas contas bancárias da categoria. Segundo pesquisa que ela fez entre amigos de várias escolas, nenhum professor recebeu bônus acima de R$ 1.000. O governo Alckmin divulgou que a média foi de R$ 2.008. Segundo ela, apenas gestores de escolas de período integral que atingiram a meta do Idesp receberam valores acima da média.

“O cálculo para o bônus é uma caixinha de surpresas (desagradáveis), pois os critérios para pagamento (fórmula matemática) mudam todo ano e, pelo que vemos, não atendeu a expectativa dos professores neste ano. Vale lembrar que o bônus é pago para a escola que bate a meta Idesp estabelecida pra cada unidade. Em geral, é preciso superar a meta do ano anterior. São vários os itens contabilizados no Idesp como, por exemplo, evasão escolar, assiduidade do profissional, desempenho dos alunos no Saresp, entre outros.
O bônus é bem-vindo, mas temos que ter em mente que a nossa matéria-prima é o aluno, ser humano que, assim como nós, está em constante modificação; portanto, a escola que bate as metas recebe. Caso contrário, o trabalho continua e nem adianta reclamar, pois é assim mesmo que funciona a Meritocracia.
Pessoalmente, não vejo nada de errado (só na fórmula deste ano). A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo pode nos causar muitos problemas de ordem política, mas tem muita competência técnica.
Deixando a premiação de lado, já que não é pra todo mundo mesmo e não recebi, o que indignou o professorado foi a proposta indecente e manipuladora que esse secretário recém-empossado fez: Semanas antes, a Secretaria da Educação colocou na Intranet uma votação com duas opções, uma é para receber o bônus mediante batimento das metas (estimo que seja um número reduzidíssimo de escolas) e a outra opção é dividir o bolo (dinheiro já provisionado no orçamento 2016) entre todos, (com ou sem meta batida ) incorporando um reajuste de 2,5%.
A proposta da votação é indecorosa porque acaba com a premiação, é indecorosa porque coloca professores uns contra os outros, é indecorosa porque temos por lei direito ao dissídio e reajusta salarial, para repor a inflação. Para subsidiar mais um pouco as colocações acima, uma das várias entidades que representa a categoria, o CPP (Centro do Professorado Paulista), meses antes, esteve em audiência com o secretário recém empossado. Nessa reunião, o secretário deixou claro que também não haverá reajuste ou dissídio para 2016, pois “o Governo também foi afetado pela crise econômica que assola o País, tendo como resultado queda na arrecadação”.
Ele disse ainda que a categoria já foi bastante beneficiada pela política de reajustes dos anos anteriores. Portanto, 2015 foi um ano ruim para a Educação, pois não recebemos o reajuste e uma greve com muitos interesses políticos se instalou e o professor voltou para a sala de aula com 0%. Também não concedeu o dissídio e o fôlego pra paralisar tinha acabado.
Na pressa para enxugar gastos, tentou implantar a reorganização com fechamento das salas, dispensa de categorias contratadas, redução na compra de insumos, merenda, etc, o que criou uma oportunidade cruel de revanche política por parte dos sindicatos: As ocupações, que assim por dizer, deu uma vitória apenas política e momentânea aos sindicatos. O saldo desse movimento de ocupação está todos os dias na sala de aula, pois as sequelas daqueles enfrentamentos permanecem em muitos professores, entre os quais me incluo.”

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