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Atleta paralímpica Paola Klokler conta sua história de superação no esporte

Por Tamiris Monteiro
Fotos: Rafael Almeida e arquivo pessoal

De acordo com dados do IBGE, 6,2% da população brasileira têm algum tipo de deficiência. Todos os dias essas pessoas enfrentam inúmeras dificuldades para conseguir viver dignamente em um país que oferece pouquíssima – em alguns Estados nenhuma – estrutura para suas necessidades. Não foi diferente para Paola Klokler, que nasceu com má-formação congênita no membro inferior esquerdo e, desde muito nova, teve que enfrentar, além das dificuldades, o despreparo da família em lidar com sua suposta limitação.

“Sou de uma família tradicional e na época do meu nascimento eram muito rígidos e conservadores; meus avós não conseguiam aceitar o fato de ter uma neta com deficiência, para eles não era normal. Para ajudar, meu pai biológico decidiu sumir quando eu tinha alguns meses de vida. Minha mãe e eu morávamos com meus avós e, apesar de me amarem muito, todos tinham muita dificuldade em visualizar um futuro para mim. Isso é até compreensível, porque a deficiência não faz parte da vida da maioria das pessoas e elas simplesmente não sabem lidar com a situação. Hoje eles tem outra visão, me apoiam e se orgulham de mim!”, conta.

Apesar de todas as contrariedades que a vida lhe impôs, nada disso foi barreira para Paola, que enxergou nos esportes um caminho para a inclusão e autonomia. “Minha deficiência nunca foi empecilho para absolutamente nada, tanto que, aos sete anos, pedi para um médico na AACD que ele me indicasse algum esporte. Escolhi a natação e um mês depois já nadava os quatro estilos com perfeição e agilidade. Com essa rápida evolução, fui parar na equipe competitiva da AACD, tornando-me campeã brasileira, paulista e regional. Na natação, foram três anos de muitas conquistas e vitórias. Até que aos dez anos descobri o grande amor da minha vida, o basquete em cadeira de rodas”, relembra.

Por ser uma criança hiperativa, Paola sentiu-se mais familiarizada com o basquete e foi ao ingressar no esporte que a jovem pôde traçar novos caminhos e ter sua vida mudada. “O basquete é um esporte coletivo e eu era criança, queria brincar e correr. Normalmente, eram coisas que não dava pra fazer na escola e eu desejava muito fazer essas atividades. Quando entrei na natação, foi para buscar essa liberdade: fazer as mesmas coisas que as outras crianças faziam. Só que a natação não me proporcionou isso, porque acabei já entrando numa parte competitiva e, sendo criança, não queria nadar sozinha três, quatro horas por dia. Aí o basquete apareceu. A ADD (Associação Desportiva para Deficientes) tinha uma equipe, a primeira equipe infantil do Brasil, onde eram só crianças. No começo, não era bem o basquete em si, eram crianças em cadeiras de rodas adaptadas, brincando com uma bola e só isso”, afirma.

O que era apenas uma brincadeira de criança tornou-se coisa séria e, hoje, aos 25 anos, Paola é atleta profissional e uma das principais integrantes da Seleção Feminina de Basquete em Cadeira de Rodas. Pronta para disputar sua segunda paraolimpíada, a jogadora revela, com otimismo, que a seleção tem boas chances de ficar entre as cinco primeiras colocadas. “O Canadá é o campeão mundial, porém, no último amistoso que fizemos, o Brasil ganhou. Temos vários adversários fortes, como Estados Unidos, Alemanha e Holanda; contudo, esse amistoso mostrou que nada é impossível. O que posso dizer com certeza é que já somos vistas com outros olhos. Em maio vamos para os Estados Unidos, porque fomos convidadas a participar de um quadrangular. Conquistamos o respeito e a admiração”, pontua.

Patrocínio
Sem dúvida alguma, a história da Paola é pura superação, mas nem tudo são flores na vida da jovem quando o assunto é basquete. Assim como muitos atletas, a jogadora sofre com a falta de patrocínio e já passou – e ainda passa – por muitas dificuldades para manter-se como atleta profissional. “A falta de apoio não é somente no basquete ou na paraolimpíada. A distribuição de verba para o esporte olímpico é muito maior que para o paraolímpico, sendo que o esporte paraolímpico é muito mais caro que o convencional. Tudo que recebo do esporte devolvo para o esporte. Vou dar um exemplo simples: para um atleta sem deficiência jogar basquete, ele precisa de, no mínimo, um tênis bom. Para que eu possa jogar basquete, preciso de uma cadeira de pelo menos R$ 8 mil e de rodas que custam cerca de R$ 3 mil e precisam ser trocadas anualmente, ou seja, só o investimento que tenho em material é dez vezes maior do que no basquete tradicional. Minha maior dificuldade é realmente me manter no esporte, porque hoje um atleta não se mantém só de esporte, ele precisa ter um trabalho ou alguém que possa ajudar. Não há possibilidade de viver do dinheiro que o esporte traz. Hoje tenho o apoio de empresas como a Jumper Equipamentos, que me auxilia com toda a parte de material como cadeira de rodas, e parceiros como a academia Atos, e Colégio Marconi aqui em Guarulhos , que me disponibilizam seus espaços de musculação e Quadra para treinamentos individuais”, ressalta.

Moda e inclusão

Além de atleta, Paola atua como modelo e já participou de eventos como a São Paulo Fashion Week e constantemente é convidada para feiras e eventos. “Aceitei os trabalhos como modelo, justamente, para bancar o basquete. Faço esses eventos e campanhas publicitárias para ter uma renda a mais, para suprir o que o esporte não me dá”. Felizmente, a vida de modelo/esportista já tem lhe rendido alguns frutos: na última semana de abril, Paola fez uma viagem para Nova Iorque para divulgar a marca de cadeiras de rodas Jumper; a empresa firmou patrocínio de cinco anos com a atleta e será responsável por suprir a necessidade dos materiais relacionados à cadeira de rodas.

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