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Perda auditiva e depressão

Por Val Oliveira

A  surdez é a privação total ou parcial do sentido de ouvir, patologia que pode ser congênita ou adquirida. O envelhecimento e a exposição a ruído são exemplos de causa de perda auditiva adquirida, mas a patologia também pode ser decorrente de doenças como caxumba e meningite.

Uma pessoa acometida pela perda auditiva pode encontrar dificuldades para manter atividades corriqueiras como trabalhar, estudar e até para se relacionar com outras pessoas. “É muito comum que uma pessoa com perda auditiva evite o convívio social, tendendo ao isolamento. A ansiedade e a depressão podem estar presentes em indivíduos que têm deficiência auditiva”, diz Maria do Carmo Branco, fonoaudióloga e gerente de produtos do Grupo Microsom.

De acordo com a profissional, a perda auditiva pode acontecer em qualquer idade, visto que existem diversas causas possíveis. Porém, no caso do envelhecimento como causa, as dificuldades podem começar entre os 50 e 60 anos. “Um bebê pode nascer com perda auditiva causada por alguma má formação ou por doenças que a mãe apresentou durante a gestação. Medicamentos como determinados antibióticos e a quimioterapia também podem ser agentes causadores da deficiência, que pode ser mais ou menos grave, dependendo do tipo e grau da perda. A hereditariedade também é um fator de risco”, explica.

Tecnologia a serviço da boa audição

É importante lembrar que os aparelhos auditivos, assim como todos os dispositivos eletrônicos, evoluíram bastante. “Hoje os aparelhos são bem discretos e seu processamento digital produz som amplificado e extremamente limpo. Também contam com inteligência artificial que permite a ênfase para os sons de fala, enquanto algoritmos reduzem o ruído de fundo”, diz ela.

Tratamentos disponíveis

A perda auditiva pode ser classificada, de acordo com o grau de severidade, em leve, moderada, severa e profunda. Para a fonoaudióloga, cada paciente traz uma história que precisa ser avaliada, a fim de que o profissional responsável entenda se a depressão foi mesmo causada pelo impacto da perda auditiva. A partir disso, o tratamento pode ser medicamentoso, cirúrgico ou com a indicação do uso de aparelhos auditivos.

“Perdas auditivas que acometem a orelha média, porção média do sistema auditivo e a orelha externa, muitas vezes podem ser revertidas com medicamento ou cirurgia. Porém, grande parte das perdas é decorrente de problemas localizados na orelha interna e estas são irreversíveis. Nesses casos, o tratamento é o uso de amplificação sonora individual, ou seja, aparelhos auditivos”, informa.

De acordo com a profissional, o tratamento adequado da perda auditiva é a melhor forma de minimizar os impactos psicossociais que ela provoca. “Em grande parte dos casos, os resultados positivos com o uso de aparelhos auditivos para restabelecer a função refletem na melhora dos sintomas da depressão, caso esta esteja diretamente ligada com o impacto negativo da perda auditiva”, opina.

Prevenção e identificação do problema

Não entender a fala sem estar olhando para a boca do interlocutor, sempre aumentar o volume da televisão, dificuldade para falar ao telefone, problemas para entender as palavras quando há mais pessoas falando são alguns indícios comuns em casos de perda auditiva. O médico otorrinolaringologista é responsável pelo diagnóstico da deficiência auditiva e diversos exames estão à disposição. “O exame audiológico básico é chamado de  audiometria”, diz a profissional, ressaltando que para prevenir, o cuidado mais recomendado é evitar a exposição prolongada a sons de forte intensidade.  “Se a pessoa trabalha em local ruidoso, deve sempre usar equipamentos de proteção individual. Importante: não tomar qualquer medicação sem orientação médica e realizar exames auditivos periódicos nos casos em que há predisposição”, alerta.

O uso inadequado de fones de ouvido

De acordo com a fonoaudióloga, estudos mostram que o limite de tolerância ao ruído está relacionado ao tempo de uso e à intensidade do som. Por isso, o uso de fones de ouvido tem trazido grande preocupação para a classe médica, uma vez que os dispositivos eletrônicos estão cada vez mais potentes. “Para um nível de ruído de 85 decibéis, por exemplo, recomenda-se a exposição de, no máximo, 8 horas por dia. A exposição a níveis sonoros muito altos e de forma prolongada pode provocar danos irreversíveis. Já existem pesquisas que apontam para um alto índice de perda auditiva permanente em adolescentes, um fenômeno atual decorrente do mau hábito de usar fones de ouvido. O recomendado é utilizar o volume até a metade da sua capacidade, não tentar abafar o som externo e deixar em uma intensidade que ainda consiga ouvir a própria voz, além de não ultrapassar duas horas de uso”, enfatiza.

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