Por Tamiris Monteiro
O mundo está de ponta-cabeça e todos os dias são noticiados casos relacionados à violência, acidentes de grandes proporções, abuso sexuais e atentados. E, de acordo com dados do governo norte-americano, estima-se que 60% dos homens e 50% das mulheres em todo mundo vão passar por um acontecimento traumatizante em algum momento de suas vidas, o que pode resultar em estresse pós-traumático.
A psicóloga Marina Arnoni Balieiro, do Complexo Hospitalar Edmundo Vasconcelos, explica que não há padrões que sinalizem o surgimento do quadro, mas que esse tipo de estresse tem sido diagnosticado com mais frequência nos últimos anos. “Quando a vida é colocada em risco, de maneira extremamente negativa, as pessoas lidam com isso de forma individual; contudo, o estresse pós-traumático pode ir muito além; diferente do que se imagina, não é só quem experimenta uma sensação aterrorizante que desenvolve o estresse pós-traumático. Quem presencia o acontecido também está vulnerável ao transtorno”, pontua.
Entre os principais indicativos para diagnosticar o problema, estão os pesadelos e as lembranças involuntárias e recorrentes; o distanciamento de tudo que possa lembrar o momento vivido; a diminuição do interesse afetivo; o sentimento de impotência e a incapacidade de se proteger; episódios de pânico e distúrbios do sono.
“Normalmente, a perturbação logo após o evento caracteriza um transtorno de estresse agudo. Casos em que os sintomas aparecem após quatro meses, classificamos como crônicos. Já episódios em que a vítima desenvolve o transtorno depois de seis meses do ocorrido, qualificamos como tardio”, explica a psicóloga.
Após a confirmação do distúrbio, que pode acontecer em qualquer idade, é importante encaminhar a pessoa para acompanhamento de um especialista em psicologia para o devido tratamento. “Em casos como atentados terroristas ou grandes acidentes [como, por exemplo, o atentado na boate gay de Orlando], já existem grupos especializados que atendem as vítimas no momento do evento, oferecendo todo suporte em situações de crises e emergências”, finaliza Marina.
