Por Tamiris Monteiro
Fotos: arquivo pessoal e banco de imagens
Fazer as tarefas de casa, cuidar dos filhos, cozinhar, escutar as mulheres, ajudar nas decisões domésticas… É, já está mais que comprovado que, nas últimas décadas, os homens mudaram de comportamento. Mas cabe lembrar que por muitos e muitos anos, homens e mulheres tiveram seus papéis definidos no convívio social: cabia ao sexo masculino chefiar a família e ser o responsável pelas necessidades dos filhos e do cônjuge, enquanto a mulher tinha como dever ficar em casa cuidando dos afazeres domésticos e da criação dos filhos.
“Essas mudanças estão totalmente ligadas aos novos hábitos das mulheres. Em meio a essa busca por igualdade de gênero, o homem também teve de mudar para se adaptar a uma nova realidade. Embora às vezes ainda sintam-se confusos, não está mais somente sob a responsabilidade deles carregar o fardo de ser o provedor da família sozinho, e eles também não ficam mais omissos aos cuidados com os filhos, às tarefas domésticas, aos preparos culinários, aos cuidados com a aparência e até aos assuntos considerados femininos”, explica.
Para a psicóloga, outro momento que foi um divisor de águas no comportamento masculino aconteceu em 1994, quando o jornalista britânico Mark Simpson usou o termo metrossexual. Isso mostrou aos homens que eles poderiam ser vaidosos, sem serem tachados de homossexuais. “A partir desse momento, os homens começam a se preocupar mais com a aparência, mas muito à vontade para se afirmarem heterossexuais, porque esses cuidados não tinham relação com o gênero feminino ou masculino. Com isso, acabaram também sendo um objeto interessante para as mídias, para fins de consumo. E dentro desse contexto começa uma mudança comportamental e de atitudes”, afirma.
Depois disso, nada mais foi igual. Em muitos setores sociais, o homem passou a ocupar uma posição igualitária, sem tantos privilégios. No mercado de trabalho, por exemplo, o homem compete com a mulher por cargos que antes eram direcionados apenas para ele. Mas as modificações não pararam por aí e com o tempo eles têm assimilado que podem e devem ajudar em vários contextos, porque a maioria das obrigações tidas como “do lar”, pode ser executada por ambos. “Ao contrário do que se imagina, para muitos homens esse já é um movimento natural, porque respeitam a namorada ou a esposa como ser humano e não como figura feminina. Esses olham o feminino com grandiosidade e respeito e por isso não precisam ser cobrados para fazer nada”, enfatiza a psicóloga.
Mudados, porém, perdidos
Alô mulherada, o recado agora é para vocês. Em meio há tantas transformações, os homens mudaram, mas o que acontece – e muito -, de acordo com a psicóloga Cleise, é que às vezes eles também se sentem perdidos em relação ao comportamento feminino. Hoje, quem busca um novo espaço na sociedade é o homem moderno, pois precisa aprender a contrabalançar as demandas profissionais, com as expectativas que cercam o seu papel, de pai e de esposo.
“Os homens se perderam por conta do feminismo e muitos não sabem mais como lidar com as mulheres na parte do relacionamento. Eles perderam a identidade masculina. O que eles fazem com essas novas mulheres que querem se igualar? O erro feminino é que as mulheres querem sempre competir com os homens. Mas homens e mulheres não são iguais em tudo. Biologicamente são seres diferentes. O que as mulheres precisam é galgar respeito e isso é diferente de ser igual”, explica.
Machismo e a importância da figura paterna
As mudanças no comportamento masculino são incontestáveis, mas ainda há pontos a serem melhorados. A maioria dos homens ainda apresentam sinais de machismo e alguns chegam a sentir-se desconfortáveis com as posições que as mulheres têm ocupado em diversos contextos sociais. Não à toa, o salário da mulher ainda é inferior ao do homem.
Embora o machismo ainda esteja muito presente na sociedade é importante mencionar, até como alerta, que boa parte das características do homem machista pode estar vinculada à criação dada pela mãe. “A cultura machista não é inserida pela figura do pai, geralmente, é inserida pela figura feminina. A mãe tem um poder muito grande na educação, desde o nascimento até o desfecho do complexo de Édipo. A formação de personalidade e caráter é muito associada à figura materna e aí essas mães não criam esses filhos para o mundo.
Muitas mães criam os filhos com os seguintes pensamentos: não precisa limpar isso aqui não, eu limpo. Não faça isso, porque não é tarefa de menino, deixar que eu faço. Você tem que usar azul porque é cor de menino. E por aí vai. É muito comum que os filhos homens tenham mais privilégios que as filhas mulheres”, avalia.
Outro ponto fundamental e que os pais parecem estar tomando consciência é da importância da figura masculina na criação dos filhos. “Dentro da psicanalise, entende-se que a presença do pai no desenvolvimento dos filhos é importantíssima por várias questões, durante a infância, é ele o responsável por impor limites. O pai é responsável por cortar e finalizar alguns laços necessários. Por exemplo, é natural que a menina se encanta com o pai e isso vai mais ou menos até 6, 7 anos, momento em que a criança demonstra uma admiração exagerada pela figura masculina e inconscientemente rejeita a mãe. Embora seja um processo natural, existe uma hora que isso precisa acabar e a menina precisa se identificar com a mãe como feminina e saber que o pai pertence à mamãe. E quem faz isso, quem mostra esse limite é o pai. A mesma coisa funciona para os filhos. O menino é apaixonado pela mãe e o pai precisa fazer esse recorte de que a mulher é dele e a mãe é do filho. Por isso a figura masculina é essencial”, esclarece.
As mulheres mandam desde os tempos das cavernas
Depois de ler o título acima, muito homens vão soltar um “fala sério”, mas, rapazes, conformem-se, porque a explicação tem cunho histórico e científico. O que acontece é que desde o período paleolítico os comandos vinham da figura feminina. “Nos primórdios, a mulher era a figura que mandava. E ela fez isso por muitos séculos. O papel do homem das cavernas era caçar e proteger, porque eles tinham força física. Isso ao longo da evolução ficou no DNA humano. É uma memória primitiva. Cada um tinha seu papel, porém, o homem foi assumindo uma postura de liderança pela força, onde o mais forte defendia o clã e assim se originaram as famílias. Inclusive, por muito tempo, a mulher sempre foi colocada num lugar de grande valia, porque ela é provedora da vida. Depois de muito tempo e em algumas culturas, isso foi se dissipando e o homem foi tomando espaço pela força física e subjugando o feminino. Esse movimento ficou mais intenso durante a era de Cristo, com o Cristianismo”, pontua a psicóloga.
Igualdade de gênero: será que precisa mesmo?
Feministas provavelmente vão esbravejar; homens talvez não entenderão, mas a luta pela igualdade de gênero pode ser desnecessária, porque, segundo explicação da psicóloga, homens e mulheres são seres biologicamente diferentes e realmente não há como querer igualdade em tudo. “O que todos precisam entender é que homem e mulher são um complemento, nenhum é melhor que o outro. Noto que às vezes as feministas são muito radicais; não é preciso haver uma competição de gêneros; as mulheres saíram do 8 para o 80 e precisa haver um equilíbrio”, ressalta.
Para Cleise, a realidade atual é um desafio para muitos homens que ainda não estão conscientes dos novos papéis que podem ocupar. É preciso estimular a reflexão sobre os fatos e as mudanças, tentando evitar o conflito de sexos.
Com a palavra, eles
Eles não têm mais vergonha de assumir que fazem tarefas domésticas, cozinham e cuidam de suas crias. Tanto que não faltaram candidatos para contribuir com esta matéria. Abaixo, relatos do dia a dia de homens que compartilham tarefas e que definitivamente já entenderam que a velha história de que existem afazeres diferentes para homens e mulheres não cola mais.
Homem também pode ter câncer de mama: previna-se
Além de terem mudado de comportamento em relação às atribuições domésticas, os homens também passaram a se preocupar mais com as questões de saúde. Mas um problema que muitos ainda desconhecem é o câncer de mama. Até há pouco tempo, acreditava-se que só mulheres desenvolviam câncer de mama, mas de acordo com pesquisas notou-se que um homem em cada 100 mulheres é afetado pelo mal. A ocorrência dessa neoplasia tende a aumentar devido à má qualidade de vida e dificuldade em diagnosticar o tumor na sua fase inicial, que pode ser confundido com outras doenças como a ginecomastia.
O tratamento do câncer de mama em homens é semelhante ao das mulheres e começa pelo exame de toque na mama, mamografia, consultas a médicos especializados e, depois de detectado, a solução é a cirurgia e de acordo com o estágio do câncer são sugeridos alguns tratamentos como a quimioterapia e a radioterapia. Por isso, vale a pena prevenir-se e tocar-se, sem preconceitos.
