A proposta que a Secretaria de Administração e Modernização da Prefeitura apresentou aos professores em greve, na manhã desta segunda-feira, foi de pagar a diferença salarial referente extensão de jornada, em três parcelas, a partir de outubro, mas condicionando o pagamento à arrecadação municipal.
Foi proposto, também, discutir a gratificação por mérito em setembro.
A extensão da jornada foi definida em acordo coletivo perante o Tribunal Regional do Trabalho, mas a administração não cumpre a determinação.
Os servidores entendem que não é possível condicionar nada, porque o acordo coletivo tem força de lei. Consideraram a proposta “ridícula” e, em assembleia no final da tarde, decidiram manter a paralisação.
Após a assembleia, seguiram em passeata pelas ruas centrais, tomaram a avenida Tiradentes e por fim ocuparam a avenida Anielo Pratici, uma das principais entradas da cidade.
Todo apoio aos professores, com um porém
Acordo coletivo é para ser cumprido, não discutido. Portanto, os professores têm toda razão em manifestar-se e mesmo em fazer greve, para fazer valer o direito que foi conquistado perante o TRT e não vem sendo cumprido.
Porém, vem-se sentindo que a população, que a princípio hipotecou todo apoio à categoria, está ficando irritada com os constantes fechamentos de vias públicas durante as passeatas.
As redes sociais têm publicado relatos de internautas que perderam consultas médicas, cirurgias dentárias, horário de aulas e de trabalho, em decorrência dessas paralisações.
O direito de uns vai até onde inicia o direito dos outros. E, embora as reivindicações sejam mais do que justas, a forma como o Sindicato vem organizando os atos públicos começa a provocar a antipatia da opinião pública.
Alguém precisa ter coragem de assumir essa crítica. Nós, do Click Guarulhos, que temos divulgado todas as manifestações do funcionalismo e, assim, contribuído para esclarecer a opinião pública a respeito, não podemos nos omitir de registrar o descontentamento de muitos munícipes com o rumo que as manifestações têm tomado.
Certamente, haveria outras formas de fazer-se ouvir, de forçar a administração a resolver de vez a questão, sem causar incômodos à população.
Valdir Carleto
(foto extraída do Facebook do jornalista Pedro Notaro)
