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Os dias estão mais curtos para o prefeito eleito

Por Jônatas Ferreira
Fotos: Marcelo Santos

Em diversos momentos da entrevista, Guti disse ter 100 dias para fazer valer sua nova política. Um desafio ante a situação financeira da Prefeitura de Guarulhos

Entre tratativas, discordâncias e acertos, conseguimos espaço na apertada agenda do prefeito eleito Gustavo Henric Costa, 31, e de seu vice, Alexandre Zeitune, 45, no dia 2 de dezembro, sexta-feira. Ao todo foram quatro dias de tentativas num enxuto prazo. A justificativa foi de que o trabalho que estão começando é grande. O que deu para confirmar durante a longa conversa em que tivemos, além das heranças deixadas pela antiga administração, que estão na boca do povo e nas manchetes dos jornais diariamente.

Chegamos em ponto no horário marcado, às 18h. Esperamos um tempo precioso. Guti atendia algumas pessoas, entre elas, o vereador Gilvan Passos (PSDB), cotado ao cargo de secretário de Segurança Pública. Após um atraso de 40 minutos, até compreenssível, o futuro chefe do executivo recebeu-nos numa sala apertada. Sem luxo ou nada que indicasse pompa do cargo que Guti agora detém. O espaço servia-lhe de escritório, enquanto vereador.

Ajeitamo-nos e demos o start nas gravações. Começamos pelo nascimento e formação acadêmica. O prefeito veio de Cangaíba, zona Leste de São Paulo, aos três anos, quando perdeu a mãe. Não sabe o que é morar em outra cidade. Zeitune é de berço guarulhense. Na política, o prefeito foi eleito vereador aos 23 anos. Antes disso, participou de movimentos estudantis na faculdade. O vice teve suas primeiras experiências na ACIG, hoje ACE. “Por conta de um convite do Luis Roberto Mesquita, eu acabei entrando como diretor cultural. Ele queria dar uma cara mais jovem para a Associação Comercial. E lá eu comecei minha vida política, ainda não partidária”, comenta o vice.

Ambos são bacharéis em Direito. Há pouco tempo, Guti iniciou um curso para transição de governo, que acabou não concluindo pelas impossibilidades da agenda. Chama a atenção o vasto currículo do vice: são quatro pós-graduações, mestrado e, agora, doutorado, além de uma MBA em Banking.

Partimos para o resultado da campanha. Foi uma vitória histórica. Quase meio milhão de votos e um peso que sentirá toda vez que tomar uma atitude. “Eu acredito que essa votação não é nossa, e isso não é falsa modéstia. Essa votação é do total de pessoas que anseiam pela nova política e que enxergaram isso na gente”, disse o prefeito que tem o sono como um luxo difícil de se obter quando a ideia é mostrar para que veio em 100 dias.

Responsabilidade que faz ter o tempo parecer reduzido. Fato sentido pela nossa equipe de reportagem. “Estamos fazendo um esforço sobre-humano para atender a todos. Inclusive nesta entrevista nós atrasamos um pouco, e eu peço desculpas”, se explica Zeitune. Já o prefeito, foi objetivo:  “Eu sei que as pessoas querem estar perto da gente, mas, acima de tudo, elas vão querer resultados. Então nós temos que saber dosar para atender a todos e não parar de trabalhar na transição. Nossos dias estão mais curtos”.

A relação entre os entrevistados vem sendo bem comentada. Entende-se o porquê quando se acompanha de perto. Durante a entrevista, um completava o outro. Parecia que haviam ensaiado, o que pode ser uma possibilidade, já que tivemos de enviar as perguntas para serem analisadas um dia antes pela assessoria. “Ele me representa e eu o represento. É uma simbiose e isso não vai mudar”. Essa frase dita pelo prefeito resume bem a ideia. Na campanha, em todas as ocasiões em que Guti apareceu publicamente, o vice estava ao lado, salve compromissos específicos. Zeitune foi um vice procurado por quase todos os pré-candidatos. A dupla foi aplaudida assim que apresentada. A notícia foi dada em primeira mão pelo Click Guarulhos.

Chegamos a questionar a possibilidade da Secretaria de Educação ser comandada por Zeitune. “Eu tenho afinidade com a área. Mas eu sou o co-prefeito do Guti”, responde rápido o vice.

A alternativa não foi completamente descartada pelo chefe do Executivo. “Uma coisa que o Zeitune diz desde que começamos o trabalho é que ele é um cumpridor de tarefas. É claro que a Educação é uma pasta muito cara a todos nós e o Zeitune é uma pessoa na qual eu confio. Não teria problema algum tê-lo na Secretaria da Educação me representando. Mas nós não fechamos questão sobre várias secretarias”.

Sobre o Trevo Bonsucesso, Guti tem um anseio pessoal de entregar toda a obra no primeiro ano. Os entrevistados colocaram em dúvida o anúncio da Prefeitura de que 70% do Trevo estaria pronto. Para eles, a obra está aquém do que foi espalhado aos ventos. A intenção do novo governo é reunir as construções emperradas pela antiga administração, como o piscinão da Vila Galvão e a ponte da Vila Any, fazer um check-list e entregar um cronograma de obras, de fluxo de caixa e mostrar para a sociedade.

Uma das grandes ideias que deu para perceber foi de que eles querem deixar a máquina pública às claras, mantendo sempre o diálogo com a sociedade. A forma de mostrar que a nova política é séria e não uma conversa para maquiar as velhas práticas.

Questionamos sobre o acordo que a atual gestão fez com os professores – uma das muitas heranças deixadas pelo PT -, o vice disse que a ideia é honrar, porém, antes, o orçamento será aberto e apresentados aos professores com a pergunta: “A verdade é esta. Como vamos resolver isso juntos?”.

“É o que a gente vem conversando com várias categorias do serviço público. A gente sabe que muitas vezes eles acabam sendo subvalorizados. Mas nós temos dialogado com eles e explicado que aos poucos nós vamos fazer as reposições dos direitos, mas não dá fazer tudo de uma vez”, completa Guti.

Segundo Zeitune, o governo tem legitimidade para isso, porque eles não fizeram contratos de ‘caça pombo’. É um bom passo, mas que terá de ser dado com muita cautela, caso o novo governo não queira ser visto com maus olhos por uma importante categoria da cidade logo no início de seu mandato.

A entrevista foi longa, muito mais do que o escrito aqui. Estendeu-se por uma hora. Fizemos perguntas de interesse público, como sobre a reportagem do SBT em que o prefeito fala da importância dos 38 funcionários não concursados que a Câmara abriga. Ele se defendeu, é claro. Centro administrativo, critérios adotados para a redução da máquina (inclusive sobre a função de secretário adjunto, defendida por Guti) também foram temas em pauta. Guti pediu o espaço para daqui 100 dias “para falar dos avanços, das frustrações e planos futuros”. Concedemos. Dessa vez será para questionar o prefeito já em exercício de suas atribuições.

A entrevista completa será veiculada pela Revista Guarulhos e por este portal em breve.

 

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