Fotos: Marcelo Santos e divulgação
Para comemorar o 456º. aniversário de fundação de Guarulhos, a Weekend focaliza nesta edição diversos estabelecimentos que há décadas contam com a preferência do público, alguns passando de geração para geração; uns crescendo, abrindo filiais; outros preferindo manter o foco em um só local; enfim, todos contribuindo de alguma forma para a pujança da cidade e propiciando condições para que os consumidores não precisem sair de Guarulhos em busca de produtos e serviços, o que ajuda a manter empregos por aqui e a ampliar a arrecadação municipal, o que, ao menos em primeira análise, deve contribuir para gerar benefícios para a população.
Evidentemente, por mais que não quiséssemos praticar injustiças, jamais seria possível reunir em uma edição todos os estabelecimentos que mereceriam ser prestigiados nessa homenagem. Esperamos contar com a compreensão de todos, pois circunstâncias financeiras e de trabalho nos impedem de contemplar tantos outros comerciantes e prestadores de serviços que haveriam de estar nesta edição, por também fazerem parte da história da cidade.
Nas visitas que fizemos, conversando com os empreendedores, pudemos sentir o carinho que têm pelas atividades que exercem, o zêlo com o treinamento de suas equipes, buscando poder oferecer o melhor atendimento à clientela. Ouvimos relatos interessantes e alguns casos pitorescos. Como o de Luiz Carlos Victorino, da Guarupel, que no primeiro dia em que teve de fechar a porta da então Papelaria Marques, que acabara de assumir, descobriu que havia um defeito na fechadura e o proprietário anterior há muito tempo deixava a loja aberta, sem nunca ter sido invadida; algo quase impossível nos dias atuais. Soubemos do caso de um ladrão que roubou a bolsa de uma balconista, na rua, e acabou preso ao tentar fazer compras dias depois, na loja onde ela trabalhava, usando os cheques surrupiados.
Ouvimos histórias de sociedades que começaram por acaso, de empenho e superação, de romances, casamentos, adultérios, calotes, achaques, fiscalizações injustas e tantas outras que daria para escrever um livro.
Que a população de Guarulhos encontre cada vez mais motivos para curtir a cidade e prestigiar o comércio local. E que, a cada aniversário, Guarulhos tenha mais o que comemorar.
Aché e seus 50 anos; 43 deles em Guarulhos
A empresa Aché tem 50 anos de história e sua fábrica está instalada em Guarulhos desde 1973. A compra do terreno onde a indústria está localizada aconteceu um pouco antes, em 1969, e, de acordo com informações da assessoria de imprensa, a escolha pela cidade aconteceu por ser um pólo industrial, com grandes empresas, e também pela boa localização que favorece oportunidades logísticas.
“O Aché agradece a todos os colaboradores, parceiros, profissionais da saúde, distribuidores, clientes, farmácias e consumidores que contribuíram para a construção dessa história de sucesso. Estamos muito felizes em comemorar este jubileu de ouro, sabendo que estamos levando mais vida para as pessoas, onde quer que elas estejam, por meio de produtos e serviços inovadores”, agradece Paulo Nigro, presidente do Aché Laboratórios.
Um dos fundadores do Aché, o saudoso Victor Siaulys teve efetiva participação em ações de cidadania em Guarulhos.
Foco em inovação
Sempre ligada a inovações nos campos de pesquisa e tecnologia, em novembro de 2015 a empresa inaugurou o Laboratório de Design e Síntese Molecular pertencente ao novo Centro de Inovação Radical. Esse setor fica dentro da sede de Guarulhos e o laboratório conta com cientistas que pesquisam moléculas novas, com o objetivo de desenvolver mais ativos farmacêuticos.
Por conta de seu desempenho no setor, a companhia conquistou importantes prêmios nesses 50 anos, como, por exemplo, o 1º lugar na categoria Farma e Life Science do prêmio Inovação Brasil, nas edições 2015 e 2016, promovido pelo jornal Valor Econômico em parceria com a Strategy&. Também foi reconhecida por dois anos consecutivos, 2015 e 2016, como 1º colocada do setor no prêmio Estadão Empresas Mais.
Aliança Imóveis alia tradição e inovação
Com mais de três décadas de atividades em Guarulhos, a Aliança Imóveis dobrou o espaço de sua sede neste ano, como uma demonstração de confiança no potencial da cidade, segundo Paulo César Romão, o “PC”, que divide a direção com o irmão, Marco Antonio Romão, e com o pai, José Francisco Romão, fundador da empresa.
Paulo e Marco são formados em Direito, sendo um responsável pelas vendas e o outro pelas locações. Porém, procuram fazer com que haja sinergia em suas funções. A Aliança conta com seis gerentes para auxiliar na organização e na divisão das tarefas.
A mãe dos dois diretores, Lourdes Romão, não atua na empresa, mas seus conselhos são seguidos pelos filhos. “Por mais que tenhamos profissionalizado a Aliança, é inegável que é uma empresa familiar e temos tido a sabedoria de ouvir a experiência de nossos pais. Quando almoçamos em casa, conversamos e escutamos o que têm a nos dizer”, comenta.
Nos últimos meses, a empresa vem reformulando suas redes sociais, ampliando a interatividade com a clientela e com a cidade. Quanto às metas para o futuro, Paulo afirma que é continuar crescendo, sem perder a essência e a qualidade no atendimento. Ele enfatiza que, na reforma e ampliação da sede própria, foram seguidos os melhores preceitos de sustentabilidade, com estacionamento para mais de 40 veículos, atenção ao paisagismo e ao conforto dos colaboradores, tanto em ergonomia do mobiliário, quanto ao arejamento e iluminação dos ambientes. A Aliança conta até com um pequeno auditório para reuniões e treinamento da equipe.
Jardim Encantado e Augusto Ruschi: tradição no ensino
Em 1966, Guarulhos presenciava o início de uma das instituições de ensino mais tradicionais da cidade. “A vontade de lecionar sempre esteve presente e eu já dava aulas particulares. Quando algumas mães, que frequentavam o Clube dos Alemães, me pediram para dar aula para suas crianças, transformei minha garagem em sala de aula. Não havia escola de educação infantil por aqui. Assim surgiu, de forma improvisada, o Jardim Encantado”, conta a pedagoga, mantenedora e diretora Maria Cecília Faria Gouveia, 67 anos. Segundo ela, foi um começo espontâneo e sem muitas pretensões. “Comecei com poucos alunos, mas logo a procura foi aumentando e uma professora começou a trabalhar junto comigo. Depois, houve a necessidade de transporte escolar e eu ia buscar e levar as crianças. O número de matrículas só aumentava. Vieram mais professoras, outro transporte escolar, novas turmas…”, relembra.
Para a diretora, nesse período de meio século, a cidade cresceu rapidamente, novos moradores chegaram e famílias surgiram. “Existe uma parcela dessa população que quer uma escola exigente em conteúdo, mas que, acima de tudo, seja humana e se preocupe com o aluno como um ser integral e esse é o nosso perfil. É gratificante ver que o trabalho feito com seriedade e amor deixa marcas nas pessoas e contribui para um todo evoluir. Vários dos nossos alunos são profissionais realizados e pais de família que, muitas vezes, voltam com seus filhos para que estudem aqui, nos dando o retorno de que o aprendizado que tiveram conosco fez grande diferença em suas vidas”, conclui Cecília sobre a participação da escola na evolução da sociedade guarulhense.
Greguinho, tradição de pai para filho
Em outubro de 1963, na praça Tereza Cristina, Centro de Guarulhos, ao lado da igreja Matriz, foi inaugurado o bar que se tornaria um dos mais tradicionais da cidade. O dono, um grego, acabou vendendo, em 1975, para Alfredo Rios, um imigrante espanhol, que manteve o nome Bar do Grego.
Porém, o criador do local acabou abrindo outro restaurante ao lado do original, que era bem maior que o então “Bar do Grego”. Então, Flávio Rios, filho de Alfredo, que acompanhava o pai no restaurante desde seus 11 anos de idade, sugeriu que, por ser um espaço menor, o bar recebesse carinhosamente o nome de Greguinho.
O bar e restaurante oferece 24 pratos, quase 40 sabores de pizzas, esfihas abertas e fechadas, 50 tipos de salgados e tem como novidades os escondidinhos de carne seca, carne moída e de frango. Os costumeiros pedaços de pizza, que fizeram a fama do Greguinho, continuam sendo sucesso. Flávio cita que quando a Folha Metropolitana ficava na praça, jornalistas frequentavam sua casa; entre os quais, Castelo Hanssen, que continua em Guarulhos, e Hermano Henning, do SBT.
Os clientes fiéis já estão em sua quarta geração, fidelidade que Flávio atribui ao bom atendimento e à alta qualidade dos produtos que oferece. “O cliente vai sentar, vai comer, e ele tem de voltar!”, comenta Flávio, acrescentando que o nome da casa ajuda a atrair clientes interessados em comida grega, da qual procura ter algumas especialidades, além de um pouco de diversas culinárias. Como a região é frequentada por hóspedes dos hotéis, o cardápio é em português e em inglês.
Ele conta que o negócio frutificou: sua filha, formada em nutrição, abriu um restaurante em São Paulo, na rua Sete de Abril, junto com os outros dois irmãos, um cursando administração e o outro com o curso já concluído. A casa, bem maior do que o Greguinho guarulhense, serve comida por quilo, com churrasco. Flávio garante que a decisão foi espontânea: ele não forçou nenhum deles a entrar no ramo, “mas agora a família toda trabalha com muita dedicação e amor, para servir bem e sempre”.
Os bons e longos anos do Guaru Center na cidade
Em 1972, Guarulhos ganhava uma nova referência gastronômica: o Restaurante Guaru Center. Com cardápio diferenciado, sistema à la carte, pratos da cozinha internacional, churrasco e pizza, o espaço logo ganhou o gosto dos guarulhenses. “A cidade era carente de bons restaurantes e um lugar muito propício, em franco crescimento e desenvolvimento. O início foi melhor do que esperávamos, pois o povo daqui foi e é muito gentil”, conta o gerente Joaquim Carlos Oliveira da Silva.
Para Carlos, o sucesso do negócio, com quase meio século e a mesma direção desde 1979, é absorver as mudanças da cidade e, na medida do possível, adaptar-se a elas. “Nosso diferencial, sem dúvidas, é a comida, mas também temos ótima localização, estacionamento gratuito, brinquedoteca, acesso para deficientes físicos e excelente atendimento. O restaurante é aclamado pela fartura e qualidade de seus pratos e ganha mais pontos ainda pelo tradicional pão de queijo e os pratos individuais, que são a novidade da casa”, conclui.
Os 58 anos da história bem-sucedida da Guarupel
A Guarupel está no mercado guarulhense com esse nome há 33 anos. Mas, atuava na cidade como Papelaria Marques desde 1958. Portanto, são 58 anos bem vividos.
Um ano depois e ainda se sentindo “um peixe fora d’água”, Luiz recebeu proposta para trabalhar em uma indústria de origem suíça. A esposa assumiu a papelaria, trabalhando no contraturno das aulas e ele ajudava como fosse possível.
Mais algum tempo, como o comércio ia bem, Luiz resolveu abrir outra loja no número 224 da mesma rua. A aceitação foi tão boa que, além das duas lojas, chegaram a ter uma empresa para atender o mercado corporativo, na rua São Domingos.
Em 2009, o proprietário do imóvel sugeriu que a Guarupel ocupasse também os andares superiores. Acreditando no potencial da cidade, a família aceitou o desafio. Luiz pediu que a filha Fabiana, arquiteta, passasse a atuar com os pais. Fecharam a unidade do calçadão e criaram um andar específico para materiais destinados a artesanato, incluindo cursos em parceria – a GuaruArte, o que foi muito bem aceito pela clientela.
No mezanino, foi instalado um café com mesas e cadeiras, propício para quem deseja uma pausa em um lugar tranquilo, em meio ao burburinho do Centro de Guarulhos.
A outra filha do casal, Fernanda, administra a Guaru Office, voltada para o mercado corporativo, que, por coincidência, funciona no mesmo local onde houve a outra empresa da família.
Durante essas várias décadas, os Victorino viram abrir e fechar várias papelarias, passaram a ter concorrência de grandes empresas e permanecem firmes no ramo. Luiz atribui a longevidade ao respeito que o nome Guarupel conquistou, graças à forma atenciosa, leal e respeitosa com que trata cada cliente, por menor que seja: “Tudo mudou muito, mas não podemos perder nossa essência, a qual buscamos transmitir a cada um dos nossos colaboradores. Temos muito a agradecer à nossa equipe”, afirma.
Loja Andrade já veste a quarta geração
A Loja Andrade, especializada em vestuário e há 34 anos no Jardim Tranquilidade, era um sonho de menino de um dos seus sócios, Juarez de Andrade, cuja família atuava antes com banca de peixes nas feiras livres.
Lúcia, irmã de Juarez, responde pela parte administrativa e contabilidade, enquanto sua esposa, Nancy, e ele cuidam das compras. Juarez afirma que se sente feliz com seu trabalho porque faz o que gosta. Manter contato contínuo com as vendedoras e a clientela são, para ele, um prazer que se renova diariamente. A presença dos donos no balcão é certamente um dos motivos da longevidade da empresa.
Situada em uma via de amplo movimento, a Loja Andrade ficou rapidamente conhecida na região. Conta com clientes fiéis há décadas, que depois acabam trazendo filhos, netos e até bisnetos. Juarez crê que essa fidelidade se deva ao fato de unir produtos de qualidade, bom atendimento e honestidade no relacionamento com as pessoas.
Uma das histórias inusitadas que aconteceram na loja, segundo Juarez, foi o casamento de uma funcionária com um cliente. O casal mora nos Estados Unidos, onde mantém uma rede de lojas de calçados.
O maior desafio de todos os dias, diz, é vender o suficiente para cumprir as metas financeiras da empresa. Ele vê o bairro mais pacífico do que era no início. “A questão social ainda existe, mas por ter bancos e muitas lojas na mesma avenida e pela melhora na infraestrutura, a violência diminuiu bastante. O desenvolvimento da cidade, entretanto, poderia ter sido melhor nesse tempo todo. Há problemas crônicos que nunca são resolvidos”, aponta Juarez.
Marlene Martello, das escolas para a MM Imóveis
Desde 1974 na cidade, a MM Imóveis, dirigida pelo casal Marlene Francisco Martello e Miguel Martello, teve um início de atividade inusitado. Marlene conta que morava na praça Getúlio Vargas, a poucos metros de onde funcionava a Imobiliária Âncora. Ela lavou a calçada e a água escorreu até a sede da empresa, molhando o carpete. Pessoas da imobiliária foram reclamar e ela respondeu de forma ríspida. Iniciou-se uma discussão e seu marido foi chamado para resolver a desavença. Miguel foi até a Âncora para conversar sobre o ocorrido e acabou saindo de lá como sócio.
Marlene diz que a MM não tem porta de vidro, pois isso inibe a entrada de pessoas mais humildes. Ela credita à sua carreira de 25 anos como professora e diretora de escola a facilidade de lidar com o público. “Como diretora, me orgulho de ter ganhado o prêmio de melhor escola da rede pública de Guarulhos. e, como dona da MM, também tive o prazer de receber o prêmio de melhor imobiliária da cidade”, comenta.
Para a fidelização de seus clientes, ela conta que o segredo é trabalhar decentemente, tratando inquilinos e proprietários com o mesmo respeito e dando as oportunidades necessárias para que as coisas sejam resolvidas da melhor forma, mesmo nos momentos mais delicados como os de cobrança: tratar por telefone, mandar e-mail e conversar costumam trazer resultado.
Quanto à relação com os clientes, ela comenta: “Alguns são mais exigentes. Tem proprietário que traz junto o inquilino; um paga em dinheiro e o outro recebe na hora; outros deixam a administração totalmente a nosso cargo”, exemplifica.
Ela diz esperar que em breve o mercado dê uma aquecida e traga bons negócios, já que 2016 foi um ano de baixa procura por imóveis. “Temos negócios muito atrativos, tanto para comprar para residir, quanto comerciais ou para investimento”, conclui.
Atendimento e bons produtos, trunfos da Padaria Nova Guarulhos
A Padaria Nova Guarulhos tem ótimo movimento e conta com clientes muito fiéis, na vila Augusta. Mas a ligação dos proprietários com o ramo vem de longa data e de outros locais.
Marco Antonio Pires conta que a primeira padaria que ele, seu pai, João Batista, e seu tio, Afonso Aragão, tiveram na cidade foi a Faria Lima, no Cocaia, no fim dos anos 1970, além da sociedade na Guarulhense, na rua Cônego Valadão, na qual ficaram três anos; depois, tiveram a Diamante, na avenida Tiradentes; além de duas em São Paulo, experiência que lhe valeu muito para implantar inovações na Nova Guarulhos, que a família assumiu há 23 anos, em 1993. Anos antes, era conhecida como “Pão de Luxo”. “Antigamente, padarias vendiam pão e mortadela. Depois, foram agregando mais produtos e serviços, até serem as modernas casas atuais”, relembra.
Há três anos, foi ampliado o espaço do salão e a cada época, reforçada a estrutura de retaguarda. Essa parte, que o público não vê, também explica o sucesso da casa. Marco mostra com orgulho as várias câmaras frigoríficas, específicas para cada tipo de produto; o moderno maquinário e controles rígidos de higiene e limpeza. Recentemente, uma nova ala foi implantada, para abrigar o setor de confeitaria.
Para os donos, a qualidade dos produtos é ponto de honra, afirma Marco: “Utilizamos as melhores marcas, seja da farinha, dos frios, dos complementos, ainda que isso faça elevar um pouco o preço ao consumidor. É muita responsabilidade lidar com a alimentação das pessoas”, define.
Quanto aos desafios para acompanhar as novidades, Marco diz ser comum ouvir sugestões dos clientes e procura colocá-las em prática, como as de implantar algum novo item no cardápio.
Além da padaria propriamente dita, a lanchonete é muito frequentada e também o restaurante, cujas mesas ficam em um ambiente separado e serve pratos rápidos todos os dias.
A nova geração da família se prepara para levar adiante o legado: Júnior, filho de Marco, cursa administração e já trabalha na padaria. Por enquanto, ainda não põe a mão na massa, mas já aprende alguns segredos para ter seus pãezinhos entre os mais elogiados da cidade.
A trajetória da família Ono no comércio de Guarulhos
Nascido em Guararapes (SP), Carlos Nobuo Ono faz parte de uma família de cinco irmãos. Em 1959, tinham uma padaria em Catanduva e, na época, corretores de imóveis na cidade vendiam terrenos em Guarulhos. Seu pai, Keizo Ono, comprou um lote na avenida Emílio Ribas, embora não cogitasse mudar-se para cá.
A cada ano, Keizo vinha a Guarulhos para pagar o IPTU e via uma cidade muito promissora. Em 1962, a família resolveu fixar residência em Guarulhos. Carlos abriu a Relojoaria Ono, na rua João Gonçalves, ao lado de onde havia uma barbearia.
Após casar-se com Tieko, em 1974, Carlos Ono desfez a sociedade com Cláudio e em outubro daquele ano abriu outra loja na rua D. Pedro II, com a qual ficou por 35 anos. Em 2007, havia sido aberta a atual loja, na rua Luiz Gama, que era gerenciada por seu filho Maurício. Quando fechou a loja da rua D. Pedro II, passou a trabalhar com o filho.
A loja reúne ótica e relojoaria. Tem na fidelidade da clientela o principal patrimônio. “Meu casamento com Tieko me presenteou dois filhos maravilhosos: Maurício e Carla. Guarulhos acolheu muito bem nossa família. Aqui conquistamos muitos amigos e todos nós somos muito gratos por isso”, comenta Carlos Ono. Ele é membro do Rotary Club Guarulhos e participa ativamente dos trabalhos sociais do clube de serviços.
A Ótica Stella é “a menina dos olhos” de Ives Gabrieli
Uma história de vida, que começou aos 12 anos de idade, e que Ives Gabrieli Zacharias Calixto transmite, como experiência e exemplo, para o filho Leonardo, que, gradativamente, vai assumindo o bastão da Ótica Stella Maris.
Ives começou no centro de São Paulo, trabalhando como aprendiz de montagem na J.Basili, grande atacadista do ramo ótico. Depois foi montador, cuidou do estoque e, após somar várias experiências, passou a ser gerente de varejo.
A vinda de Ives para Guarulhos se deu para comprar para um terceiro uma pequena ótica, em um outro ponto da rua Cavadas. Mas a pessoa preferiu sair e ele assumiu a loja, onde ficou por oito anos.
Desde 1976, portanto há 40 anos, iniciou a Ótica Stella Maris onde é hoje a loja matriz, na rua Cavadas, 236, Itapegica. Aos poucos, foi ampliando e, atendendo a demanda de moradores de bairros distantes do Centro, abriu filiais no Jardim Presidente Dutra, São João e Pimentas. E a loja mais recente, dentro do Extra do Jardim Maia.
Seguindo os passos do pai, seu filho Leonardo trabalha na ótica desde os 15 anos. Formou-se ótico e optometrista e a cada época cuida de uma das lojas. Para Ives, o segredo da longevidade em um ramo tão concorrido é agir com honestidade, contar com funcionários que o acompanham há 20 anos e até há 40 anos, atualizar-se continuamente e oferecer aos clientes manutenção dos óculos adquiridos na Stella Maris. “Fico feliz quando percebo que o cliente sai satisfeito, enxergando melhor e quando volta para comprar novamente ou trazer os filhos e netos. A sensação de dever cumprido é algo muito bom”, conclui.
Ives revela que a Stella Maris tem obtido, ano após ano, a classificação Ouro, como a ótica que mais vende lentes Varilux em Guarulhos.
Toda tradição e nobreza da Churrascaria Solar dos Pampas
Sob a batuta dos sócios Fernando e Maurício, a tradicional e bem avaliada Churrascaria Solar dos Pampas atende guarulhenses de paladares exigentes há mais de 30 anos.
Reconhecida por seu churrasco de qualidade, a casa oferece sistema de rodízio com mais de 20 opções de carnes nobres. Diversos pratos quentes e frios que complementam o cardápio. A casa também serve peixes, inclusive bacalhau, bem como farta variedade de saladas e queijos.
Perguntado sobre como é manter-se em atividade por tanto tempo, mesmo com o País passando por tantas crises econômicas e os consumidores tornando-se cada vez mais exigentes, Fernando faz questão de frisar que nesses 32 anos já teve como “vizinhos” grandes nomes como o atacadista Calvo, o hipermercado Millo’s e o Extra. “Muitos chegaram, poucos ficaram, outros tantos fecharam e nós continuamos aqui, firmes e fortes, apesar dos momentos de altos e baixos. Este ano, por exemplo, resume bem essa questão. Sempre tivemos e teremos dificuldades, mas a solução para todas elas é o trabalho árduo. Com isso, conquistamos fornecedores de ponta, funcionários dedicados e uma clientela fidelíssima. Aliás, são esses clientes amigos que nos seguram e nos ajudam a passar por momentos de incertezas como esse pelo qual passa o País”, diz, com voz calma, aparência franzina e delicada, mas com muito brilho nos olhos, o que entrega sua paixão pelo trabalho que realiza. “Isto aqui é tudo para mim. É minha vida. Não consigo me imaginar longe daqui”, revela com a emoção estampada no rosto.
Apesar de toda a experiência, Fernando garante que ainda há o que aprender e que está sempre atento às novidades. Que investe em mercadorias de primeira linha, no treinamento de pessoal e que é um aficionado por higiene e limpeza. Para os momentos em que o trabalho exige um pouco mais, ele recomenda “nervos no lugar”. “O negócio é pensar friamente e fazer conta de mais e menos. Começamos devagar, crescemos, melhoramos e até hoje sempre há o que melhorar ou cuidar mais de perto. Para mim, o duradouro é ser honesto e ter dignidade”, filosofa.
Colégio Virgo Potens e sua louvável missão de educar
Quem vai ao Centro de Guarulhos e transita pela rua Ângelo de Vita dificilmente passa sem perceber pelo prédio do Colégio Vicentino Virgo Potens. E não à toa: afinal, não é nenhum exagero dizer que a história do lugar tem íntima ligação com o crescimento de Guarulhos. Originário do Lar Santo Antônio, fundado pelas irmãs Vicentinas, o colégio abriu as portas em 1945 e encontra-se instalado no mesmo local há exatamente 71 anos.
Ao longo desses anos, a instituição passou por algumas mudanças para acompanhar as transformações na área de ensino. “Nós nos adequamos às exigências do tempo. Guarulhos não é hoje o que era quando o Virgo Potens foi criado. O colégio mudou muito, ampliou, inovou em muita coisa, principalmente na parte de tecnologia. Mas sempre preservamos nosso espírito e filosofia humanista, firmados em dois pilares, que são os valores humano-cristãos e a excelência de qualidade de ensino”, avalia Glória.
As irmãs destacam que, mesmo o colégio sendo reconhecidamente católico, atende alunos de todas as religiões. “A palavra mais importante aqui é o respeito. E como desenvolvemos um trabalho muito próximo às famílias, uma coisa bacana que acontece às vezes é encontrarmos netos de ex-alunos frequentando nossa escola”, destaca Rosalina.
