Por: Tamiris Monteiro
Fotos: Marcelo Santos, Rafael Almeida e arquivo pessoal
Em tempos em que só se fala em crise, os empreendedores têm se virado como podem para manterem-se firmes e fortes no mercado. E uma das melhores iniciativas que uma empresa pode adotar em qualquer momento, mesmo em cenários favoráveis e independente do porte ou segmento, é a fidelização de clientes. Além de obviamente acontecer uma empatia e preferência do consumidor pela empresa, a pessoa que se torna leal ao estabelecimento pode garantir um exército de porta-vozes para a marca. Isso porque esses clientes têm alto potencial de engajamento e são capazes de disseminar uma boa imagem da organização. Ou seja, cliente fiel, além de não abandonar, ainda pode ser um fio condutor para a chegada de novos “fregueses”.
Bem, na teoria, tudo parece muito fácil, não é mesmo? Mas na prática, como será que essa mágica acontece? Afinal, com tantas opções, fidelizar a clientela não é tarefa simples. Para entender melhor qual o segredo desse método, fomos escutar gente que sabe bem do valor de um consumidor fiel e, embora cada corporação adote mecanismos e ações diferentes – geralmente mais direcionados para o produto ou serviço que oferecem –, o que se pôde notar em comum nas entrevistas feitas com os representantes de três estabelecimentos é que todos eles sentem na pele o quanto essa legião de devotos faz a diferença.
Nada como sentir-se em casa
De portas abertas há três anos e meio, indiscutivelmente a Boloterapia já conquistou seu espaço entre os guarulhenses. Mas, ser referência em bolos caseiros nunca foi suficiente para os proprietários da marca que, ao longo desses anos, não mediram e não medem esforços para fidelizar seus clientes.
“Para a Boloterapia, a melhor forma de manter o cliente é escutando o que ele tem a dizer. É essencial saber do que ele gosta mais ou o que ele acha que pode melhorar. A abordagem costuma acontecer no dia a dia da loja mesmo. Procuramos ter um atendimento bem próximo. Enquanto a pessoa faz seu pedido, as atendentes aproveitam para perguntar algumas coisas e, de tempo em tempo, relatam o que os clientes conversam com elas. Com isso estudamos como podemos fazer para atender aos pedidos. Esse ambiente torna tudo mais pessoal, mais próximo, e acredito que esse seja o nosso grande diferencial para fazer as pessoas fidelizarem à marca. Esse acolhimento faz com que o cliente sinta vontade de voltar”, explica Lucas Novais Rosa, responsável pelo marketing.
A Boloterapia também tem o cartão fidelidade, uma ação bem bacana que a loja disponibiliza desde a inauguração. Na compra de um bolo, a pessoa leva a marca de um carimbo no seu cartão e, ao completar 12 carimbos, o cliente ganha um bolo. “Tem dia que a gente troca mais de 20 cartões fidelidade. Além de ser uma forma de agradecimento, é um mensurador de resultado de ações. É mais uma forma que encontramos de interagir e entender o cliente. Temos clientes que compram conosco desde que abriu e que vêm toda semana. E não são poucos. Muito cliente chega aqui e fala que nos conhece desde que éramos uma portinha”, ressalta Lucas.
Gostosuras de qualidade, atendimento de primeira
Não dá para falar de fidelidade sem lembrar da padaria Maria Cereja. Aberta há 23 anos, 15 deles na Paulo Faccini, quem passa pelo ponto dificilmente o vê vazio. Assim como a maioria dos estabelecimentos, vez ou outra o lugar recebe críticas, o que é comum nesse ramo, e compreensível; mas em todo esse tempo, a padaria, doceria e também restaurante nunca deixou a peteca cair. E se tem uma razão que mantém o estabelecimento no topo dos lugares queridinhos dos guarulhenses, sem dúvida é a clientela fiel.
Cliente valorizado = cliente feliz
A empresária Marta Souza Marcatto é cliente do Spa há mais de um ano e conta porque frequenta assiduamente o espaço e não troca o lugar por nenhum outro. “Faço acupuntura com o Julio todas as terças e costumo dizer que foi meu presente de 2016. Com a agenda sempre preenchida por viagens, clientes e família, necessitamos de um momento nosso. Me fidelizei porque o trabalho deles tem muito profissionalismo, ética, dedicação e amor. São ingredientes essenciais para o sucesso”, avalia.
Fábio Torres é proprietário da empresa Envendas e diretor regional da franquia BNI Brasil em Guarulhos, empresa que reúne empresários para a troca de referências qualificadas de negócios.
Como identificar o perfil de consumo do cliente e, assim, criar ações de fidelização?
Essa é uma questão muito desafiadora para as empresas, porque para definir o público-alvo é importante ter claro o produto ou serviço que deseja comercializar. Isto envolve ter uma persona clara, ou seja, características claras do potencial do potencial cliente; saber descrever as características e benefícios do produto, os problemas, desejos e necessidades que poderão ser resolvidos. Ferramentas básicas como pesquisas de interesse antes e depois da compra são de suma importância.
O vendedor compreender a real necessidade do cliente e estar verdadeiramente interessado em ajudá-lo a resolvê-la. Para isso, é fundamental entender antes de prescrever uma solução. O preço é um fator importante, mas não mais que a sensação do cliente em estar tomando a melhor decisão.
Na contramão de um bom trabalho, quais são os erros mais comuns que podem resultar na perda do cliente?
Não escutá-lo quando tem um problema, tratá-lo como um número, não se interessar em saber se está tudo bem, ter interações meramente comercias e não de relacionamento. Fazemos negócios com pessoas e não com empresas.