Por: Cris Marques
Fotos: arquivo pessoal e divulgação
Feitos de crochê ou tricô, os amigurumis, bonecos criados a partir dos pontos da linha, com formas humanas ou de animais, têm ganhado a internet. Com um nome que é uma junção de palavras – ami significa malha/tecer e nuigurumi boneco com enchimento –, a técnica japonesa é quase tão antiga quanto o próprio artesanato feito com agulhas, mas ressurgiu no Japão nos anos 80, ganhou força em 2002, com a criação da Associação Japonesa de Amigurumi, e tem conquistado os brasileiros, que procuram itens diferentes e personalizados para presentear ou decorar.
Depois da dificuldade que teve em achar instruções, ela, que já tinha um blog e um canal no Youtube, acabou criando uma série de vídeos só para ensinar a fazer os bonequinhos. “Não conhecia nenhum material que ensinasse do zero, para quem nunca tinha feito. Não é uma técnica muito simples, mas eu tinha fé de que com um passo a passo bem didático e imagem clara, as pessoas conseguiriam. Ensino outras coisas também, mas a demanda pelos amigurumis é tão alta que isso acabou se tornando o carro-chefe”.
Com o sucesso, Bianca ainda criou um grupo no Facebook sobre o assunto, o Amigurumi Brasil, que já conta com 12 mil membros e posts com dúvidas, fotos das criações próprias, discussões sobre direitos autorais, links úteis e receitas gratuitas e autorais, e ainda pretende criar um curso on-line para 2017. “Sou muito apaixonada por toda e qualquer forma de expressão artística e manual. Pra mim, é quase como meditar. Inclusive, existem muitas pesquisas que relacionam artesanato com meditação, já que ambos têm efeitos muito parecidos no nosso corpo, como redução de estresse e ansiedade”, ressalta.
Prática democrática
Sobre não ser muito comum ver homens envolvidos com crochê, Paulo conta que a arte foi uma forma de refletir sobre assuntos mais polêmicos e até de se expor. “Há até algum tempo atrás, não entendia direito os conceitos do feminismo e, por meio da prática da técnica, encontrei pessoas incríveis que me trouxeram questões sobre igualdade de gênero. Por que é estranho alguém do sexo masculino praticando a arte? Por que as agulhas são pequenas e não encaixam direito nas mãos maiores? Por que a moça do armarinho me olha engraçado quando eu vou comprar lã? Ainda não sofri preconceito verbal, mas é notável a quantidade de olhares que recebo de gente achando estranho e julgando. Mas, quanto mais as pessoas não tiverem vergonha de ser julgadas, mais elas vão aprender que não têm motivo para julgar e que todo mundo tem algo legal pra ensinar e aprender com o outro”, enfatiza.
