Ícone do site Click Guarulhos

Ronaldo Luiz Vilela: Empreendedorismo de raiz

Por Cris Marques | Fotos: Marcelo Santos

Empresário e visionário, Ronaldo Luiz Vilela Junior, 40, sócio do Adega 33 e do Macaxeira, sempre teve uma veia empreendedora. Assumidamente movido a desafios, ele conta um pouco sobre sua trajetória profissional, seus primeiros negócios, os desafios enfrentados até aqui e o quanto já se sente um guarulhense, com planos, inclusive de morar por aqui ao lado da família. Além disso, o entrevistado ainda confidencia suas duas novas apostas: um
aplicativo e um novo estabelecimento em Guarulhos.

Nascido no Tatuapé, Ronaldo, ainda criança, já mostrava sua aptidão para o empreendedorismo. “Lembro que, quando pequeno, juntava jornal e vendia para uma vidraçaria próxima. Era assim que arranjava dinheiro para comprar minhas pipas, linhas e folhas de balão. Pedir para o pai naquela época era muito difícil, então conseguia com meu próprio esforço”. Com 15 anos, ele já trabalhava como office boy e, pouco tempo depois, entrou na Fame, metalúrgica conhecida pela fabricação de duchas e chuveiros. “Comecei como auxiliar de DP e fui progredindo lá dentro. Eles chegaram a me pagar um curso técnico de segurança do trabalho, cargo que ocupei logo após ter sido subencarregado de RH. […] Desde que comecei no mercado de trabalho, já sonhava com um negócio próprio e, depois de sete anos na empresa, decidi que era chegada a hora”.

Com 70% de um pequeno posto de gasolina e apenas 22 anos, Ronaldo começou sua jornada. “Nunca consegui ficar preso, trancado dentro de uma sala e fazer a mesma coisa todo dia. Eu gosto de sair, olhar as coisas, buscar e propor novidades. E foi observando a carência daquela região do Brás por um espaço legal para happy hour que eu abri um bar ao lado do posto. Parede com parede. Depois de um tempo eu vendi o bar e continuei apenas com o posto, mas o setor estava muito ruim. Foi ali que decidi retomar com o ramo de bares, que sempre tem movimento, até pela cultura do brasileiro de curtir, sair para ver futebol, tomar um chope à noite. E foi a melhor coisa que fiz na vida. Me identifico demais com essa coisa de lidar com muita gente. Esse é meu forte, é onde eu me encontrei”, conta.

Investindo em Guarulhos

Morador da capital paulista, Ronaldo mudou-se para Arujá logo após casar, ficando por lá durante quase dois anos. E foi por causa da profissão da mulher que ele entrou em contato com Guarulhos. “Minha esposa é do Tribunal de Justiça, então quando ela passou no concurso essa era a cidade mais próxima de onde morávamos. Ela ficou sete anos por aqui, na Vara da Infância. Durante esse período, vinha direto para cá, para trazê-la ou buscá-la. Meu bairro sempre recebeu muita gente de Guarulhos e, no bar, dia sim, outro também, tinha fregueses daqui. E foi frequentando a cidade que comecei a analisar o porquê das pessoas irem buscar entretenimento em outro lugar: faltava opção. Vi potencial na segunda maior cidade do estado e necessidade do público guarulhense e decidi investir em algo grande e bonito, que a pessoa olhasse e pensasse que não precisaria ir até uma Vila Madalena ou uma Vila Olímpia para encontrar um bar bom, um restaurante bom”, relata ele sobre a ideia que deu origem ao seu primeiro estabelecimento por aqui: o Adega 33, que fica na Rua Tapajós.

De visual moderno e requintado e programação musical diferenciada, que conta, inclusive, com apresentações do sambista e compositor Arlindo Cruz, todas as quartas-feiras, o gastrobar inaugurou em agosto de 2015 e nasceu de um projeto que começou do zero e criou vida depois de um ano e meio de obras. “Minha preocupação, e a do meu sócio também, era fazer algo grandioso, com um grande arquiteto, um grande projetista, por isso escolhemos o Otávio [de Sanctis]. A aceitação foi muito boa e o espaço deu muito certo, tanto que hoje cerca de 40% do público vem de São Paulo. Além de fazer com que o guarulhense não precisasse sair, ainda conquistamos o público da capital”, detalha.
No mês seguinte, ele abria um novo negócio: o Macaxeira do Tatuapé, restaurante e cachaçaria de culinária nordestina, marcado pelos aromas e temperos sertanejos. “Assim que vi a aceitação do local por lá, já pensei em abrir uma unidade por aqui. Só demorei porque queria um ponto de grande porte”. Um ano e três meses depois do Adega fazer seu primeiro ano, em novembro de 2016, o Macaxeira de Guarulhos inaugurava, na esquina da rua Diogo Faria com a avenida Paulo Faccini, mesmo local que abrigou a Praça do Boteco.

Visão de futuro

Com três estabelecimentos bem sucedidos, em meio a um dos períodos mais instáveis do País, o entrevistado afirma que para ser um empreendedor é preciso ter coragem. “Já passei por negócios que não deram certo e isso te traz uma experiência enorme. É preciso acreditar para fazer algo dar certo e vivenciar mesmo. Eu respiro isso, estou sempre presente e gosto de saber o que está acontecendo aqui dentro. Essa é uma grande parte do sucesso”. E Ronaldo não pretende parar por aí. Está investindo até na área de tecnologia. “Estamos prestes a lançar um aplicativo chamado 77 Freela, no qual pessoas de diversas áreas podem se cadastrar, seja uma manicure, podóloga, um office boy, encanador ou garçom, e o usuário que necessitar desse serviço vai achar esse profissional por geolocalização. Além disso, já comecei um novo projeto em Guarulhos: uma casa de espetáculos na Paulo Faccini, onde era o antigo Sport Bar. Com capacidade para cerca de 2.000 pessoas, a ideia é oferecer grandes shows, um espaço para eventos corporativos e até um casamento grandioso. Já passamos da fase de demolição e vamos começar a construir. A expectativa é que ela seja inaugurada no meio desse ano”, conclui

Sair da versão mobile