O retrospecto da franquia dos X-Men, e dos filmes solo do Wolverine, não é um dos mais regulares. Cheios de altos e baixos, os filmes dos mutantes sempre representaram discórdia entre os fãs. Logan, mais novo filme desse universo (e o último de Hugh Jackman na pele do Wolverine), não só promete acabar com essa dicotomia como também se mostra o melhor longa da franquia desde X-Men 2, e com certeza o melhor entre os filmes solo do personagem.
Ambientado em um futuro onde não nascem mais mutantes, Logan retrata um Wolverine velho, decadente e com dificuldade de lidar com os horrores de seu passado, tendo que cuidar de um Professor Xavier (Patrick Stewart) igualmente debilitado, transformado em uma ameaça devido à combinação de seus poderes mentais com a doença de Alzheimer. Em meio a todos esses problemas, surge Laura/X-23 (a incrível Dafne Keen), uma garota mutante que possui os mesmos poderes (e instintos animalescos) de Wolverine.
Tanto no Brasil quanto nos mercados em que será lançado, o filme recebeu classificação para maiores, mas o que torna o filme adulto não são a violência ou os palavrões (Logan e Xavier usam e abusam do “fuck”) mas sim a relação entre os personagens. A interação entre Xavier e Logan é mais densa e muito mais dramática; ambos são tão verdadeiros quanto ríspidos um com o outro. E o mesmo vale para Logan e Laura. Por ter personalidade e poderes idênticos aos de Logan, a pequena garota está ali para representar a luta que o homem trava com seus demônios internos, e o fato dele passar a “controla-la” serve de metáfora para isso.
Mas o que falta a Logan é ritmo para desenvolver toda essa história. Por focar grande parte de seu tempo no diálogo entre os personagens, o longa possui momentos um tanto arrastados. Se tivesse 20 minutos a menos, o filme manteria a qualidade do desenvolvimento de seus protagonistas, mas seria muito mais eficiente, teria uma urgência maior.
Por ser o último filme de Hugh Jackman no universo dos X-Men, Logan encerra de forma digna a carreira do ator como Wolverine, estando à altura da grandeza que tanto o personagem quanto o próprio Jackman merecem. O que fica ao final do filme é um misto de satisfação com saudade, pois é o fim de uma era para um personagem que foi extremamente importante para o cinema de super-herói que é feito hoje. Bom que temos Dafne Keen, uma ótima atriz que veio para continuar o legado de Wolverine como a X-23.
Nota: 8,5/10
Crítica por: Mateus Petri
