Fotos: Divulgação
O diretor M. Night Shyamalan passou por tempos conturbados na carreira. Depois de O Sexto Sentido, filme que o revelou para o mundo, Shyamalan ficou conhecido como o cara dos suspenses com reviravoltas geniais. Sua fama era tão grande na época que fora considerado o “Spielberg do século XXI”. O problema é que após ganhar esse rótulo, o diretor até conseguiu emplacar outros sucessos (vide Corpo Fechado, Sinais e A Vila), mas virou refém da própria fórmula, onde as pessoas esperavam seus filmes com as reviravoltas mirabolantes e ele os entregava, só que o recheio desses longas era indigesto, tendo uma história completamente desconjuntada. Sua redenção só veio a tona com o lançamento de Fragmentado.
Premissa interessante, não? E é incrível ver como Shyamalan aproveita bem dela para contar a história. O diretor consegue criar uma atmosfera de suspense puramente em cima das alternâncias de personalidade de Kevin. Suas múltiplas facetas impossibilitam imaginar o que pode acontecer, o que apavora muito mais do que um simples susto.
O fato de o personagem principal possuir diferentes identidades permite que o filme altere seu tom conforme a personalidade que domina Kevin naquele momento, e apesar de ter 23 assumidas, acompanhamos com um foco maior “apenas” oito, o que não é demérito. Temos a personalidade Hedwig, uma criança ingênua de 9 anos que rende momentos realmente cômicos. Temos Dennis, um homem extremamente calculista que possui germofobia. Temos Barry, um rapaz tanto amigável quanto misterioso, e até Patricia, uma mulher (!) instigante que tem pleno conhecimento em cima de todas as suas outras personalidades. Diferente de outros filmes que não conseguem assumir um tom para si (fica aqui a indireta para Esquadrão Suicida), Shyamalan sabe exatamente o que quer quando muda o gênero da trama no meio do filme. Ele transita por comédia, suspense e terror para que o espectador fique propositalmente desnorteado, dando mais peso ao fator imprevisibilidade.
O elenco de apoio também não desaponta, principalmente pela presença de Anya Taylor-Joy, do ótimo A Bruxa. Ela é a primeira a entender a dinâmica complicada de Kevin e passa a se aproveitar de sua relação com ele para encontrar uma forma de fugir de seu cativeiro com as outras meninas.
Por fim, da pra dizer que M. Night Shyamalan nos surpreende ao entregar uma história que foge do seu habitual. Fragmentado não possui o tradicional plot twist, mas consegue nos presentear com boas (e inesperadas) coisas. Um banho de água fria naqueles que diziam que Shyamalan nunca iria se recuperar.
Dica importante: Assistam “Corpo Fechado” antes..!
Nota: 9/10
Crítica por: Mateus Petri
