Ícone do site Click Guarulhos

Saúde crítica de Guarulhos faz vereadores se exaltarem na sessão desta quinta

Clima de tensão dominou. Vereadores subiram o tom e levaram discussões até para depois da sessão encerrada

Num tiro de misericórdia, o presidente da Câmara dos Vereadores de Guarulhos, Eduardo Soltur (PSD), às 15h49, encerrou a sessão desta quinta-feira, 18, após uma sequência de desentendimentos entre vereadores da situação e oposição. Soltur usou como argumento o artigo 150, que prevê o término da sessão quando há manifestação que atrapalhe os trabalhos da Casa. Não houve votação de nenhuma lei, nem deliberação de itens.

Pedro Gomes, conselheiro municipal de Saúde, manifestou-se na tribuna livre com denúncias de falta de preparo de médicos e uma série de óbitos no HMU, após o Instituto Gerir assumir o comando da unidade de saúde. “De ontem [17/05] das 22h até hoje [18/05], meio-dia, já tinham sido 32 óbitos computados. Houve seis óbitos no sábado [13/05], aonde havia plantão médico convocado pela empresa Gerir, recém-formados, que sequer sabiam fazer o procedimento de intubação”, relatou Gomes.

As discussões começaram quando o líder do governo, Eduardo Carneiro (PSB), solicitou que a fala do munícipe fosse encaminhada à Secretaria de Saúde e ao Instituto Gerir para ser apurada. Tratando-se de calúnia, o vereador disse que Gomes deveria arcar com a falta de responsabilidade de sua fala. “Ninguém pode chegar aqui na tribuna e falar o que quer, sem saber que existe uma responsabilidade legal”, pronunciou Carneiro, cercado de vaias dos ex-comissionados que acompanhavam a sessão. Por pelo menos cinco momentos o parlamentar interrompeu o discurso para que o presidente pudesse garantir seu direito de fala. “Peço à plateia que não se manifeste e que não fale palavrão”, solicitou Soltur antes de suspender a sessão por dez minutos.

Vereadores petistas fizeram a vez e apoiaram Pedro Gomes. Rômulo Ornelas (PT) disse que o discurso do líder de Governo foi intimidador e dito em tom de ameaça. “A nova política que ameaça. Quis dizer: se mexe comigo, vai ter”, pontuou o petista. Zé Luiz (PT) também pediu a palavra e reafirmou o tom de ameaça e a falta de respeito à democracia do líder de governo, acalorando o debate.

Carneiro voltou à tribuna para defender-se, momento em que Zé Luiz, sem microfone mesmo, começou a discutir com o líder do governo, apoiado pelos ex-comissionados que assistiam à sessão. “O senhor está nervoso, nobre vereador? Não há intimidação. Cada indivíduo que vem a essa tribuna, ele responde legalmente pelos seus atos. Se for verdadeiro, quem fez os atos deve responder. Se for uma calúnia, responde quem fez a denúncia”, disse Carneiro a Zé Luiz.

A discussão continuou fora da tribuna. O presidente da Casa suspendeu a sessão por dez minutos, mais uma vez, para que os ânimos se acalmassem, o que não ocorreu.

Quando a sessão retornou, o assunto manteve-se o mesmo. Os petistas Edmilson Souza e Genilda Bernardes, além de Eduardo Barreto (PCdoB) manifestaram seu apoio ao munícipe. Thiago Surfista (PSB), com a palavra, aumentou o tom e disse ao vereador Rômulo Ornelas: “Falar, viu vereador, que tá dando entendimento que vai pegar alguém, que vai matar, o senhor tá jogando pra galera. Eu quero ver se depois, se o bicho pegar mesmo, o senhor vai segurar o rojão”.

Ornelas manifestou-se fora da tribuna e acusou Surfista de ameaça. O tom subiu entre os parlamentares. E antes que o Marcelo Seminaldo (PT) falasse, Soltur invocou o artigo 150 e encerrou a sessão. A confusão continuou e o vereador do PSB precisou ser afastado do tumulto.

Vale lembrar que os projetos e requerimentos que estavam na pauta da sessão de terça-feira, 16, já tinham ficado para análise nesta quinta porque a Sessão Ordinária foi encerrada por número insuficiente de vereadores, uma vez que vários parlamentares foram a Brasília para participar de audiência pública sobre a reabertura da ponte do Baquirivu.

Toda a sessão pode ser assistida no canal do Youtube da Casa de Leis. Confira:

Sair da versão mobile