Crítica por Mateus Petri
Nova adaptação da lenda arthuriana é uma boa mistura de Sherlock Holmes com Senhor dos Anéis
A famosa lenda do Rei Arthur já cansou de ser adaptada. Incontáveis séries e filmes se prestaram a contar a história do lendário líder britânico, e A Lenda da Espada não é diferente. Mas o que faz desse filme um destaque das demais adaptações é o estilo marcante do diretor Guy Ritchie.
Diretor dos filmes de Sherlock Holmes protagonizados por Robert Downey Jr., Ritchie imprime uma identidade visual extremamente marcante em seus filmes. E com sua versão de Rei Arthur não é diferente. O diretor abusa de câmeras próximas dos personagens e de slowmotions, o que confere um frenesi que contribui muito bem para as cenas de ação. As cenas de câmera lenta, em especial, aumentam ainda mais o impacto das cenas de luta. Tudo isso junto a um aspecto épico que se deriva muito do tom da trilogia de O Senhor dos Anéis.
Outro acerto é a ambientação e o elenco. Aqui, vemos uma visão um tanto “pop urbana” da lenda arthuriana. Antes de ser rei, Arthur (Charlie Hunnam) foi criado nas ruas, onde aprendeu a lutar e a se virar em meio às adversidades, fato que nunca foi adaptado da forma como Guy Ritchie adapta neste longa. O elenco de apoio também merece destaque, principalmente pela ótima presença de Jude Law como o vilão Vortigern. Toda vez que aparece, o vilão apresenta uma postura ameaçadora e imponente, e em seus momentos de fraqueza é onde Vortigern se mostra ainda mais imprevisível e perigoso.
Com tudo isso a seu favor, a única coisa que atrapalha o filme de ter uma qualidade maior é realmente ter uma história clássica e amplamente conhecida. O longa inova em questão de visual e ambientação, mas é contido quanto ao roteiro e o enredo. Talvez, se tivesse um pouco mais de liberdade criativa em cima da história, Guy Ritchie traria ainda mais frescor ao filme. É uma oportunidade perdida, já que vivemos em um tempo onde histórias clássicas ganham releituras cinematográficas bastante interessantes…
NOTA: 7,5/10
