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Presos donos de agência que atendia a Prefeitura de Guarulhos

Nova fase da Operação Lava-Jato deflagrada nesta quinta-feira prendeu temporariamente o ex-presidente do Banco do Brasil e da Petrobras Aldemir Bendine, acusado de receber dinheiro indevido das Organizações Odebrecht.

Além dele, foram presos os irmãos André Gustavo Vieira da Silva e Antônio Carlos Vieira da Silva Júnior, que ão sócios na Arcos Propaganda, agência de publicidade que teria servido para operacionalizar os recursos e dar ares de legalidade ao pagamento do valor.

A Arcos Propaganda teve as contas do BNDES, Ministério da Cultura, Furnas e Hemobras, durante o governo Dilma. E atendeu a Prefeitura de Guarulhos durante todo o ano de 2014. Porém, a licitação vencida por ela foi contestada por outra empresa concorrente, a D.A. Multicom, que conseguiu na Justiça que a Prefeitura rompesse o contrato com a Arcos e que passou a ser a agência pela qual a administração municipal de Guarulhos anunciava nos veículos de comunicação.

A Arcos também atuou em campanhas eleitorais de candidatos do PT no Nordeste e para a Invepar, consórcio que administra o Aeroporto de Guarulhos após alguns aeroportos terem sido entregues em parcerias público-privadas, também no governo Dilma.

Em 2016, o sócio Antonio Carlos foi levado coercitivamente a depor na Operação Xepa, relativa a investigações envolvendo propinas pagas pela Odebrecht. Ele tem como padrinho de casamento o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares.

BENDINE

A acusação que pesa sobre o ex-presidente do BB é de que teria pressionado para receber propina de R$ 17 milhões para facilitar refinanciamento de uma dívida da Odebrecht com a instituição, mas não obteve êxito. Quando estava para assumir a direção da Petrobras, voltou à carga, insinuando que poderia prejudicar os negócios da empresa com a estatal. O valor foi rediscutido, definido em R$ 3 milhões, que teriam sido entregues em 2015 por representantes da Odebrecht aos publicitários. Para justificar o recebimento, foi alegado serviço de consultoria. Foi recolhido imposto sobre esse trabalho, porém já em 2017, o que significa, para o Ministério Público, tentativa de camuflar o pagamento de propina.

A defesa de Bendine alega que ele sempre se colocou à disposição para depor e que, portanto, não se justifica sua prisão.

(Com dados do UOL, G1, Estadão e O Antagonista)

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