Por Jônatas Ferreira
No fim da noite de quinta-feira, 28 de setembro, Guarulhos foi surpreendida com a informação de que o vice-prefeito Alexandre Zeitune teria sido desligado da Secretaria de Educação, Cultura, Esporte e Lazer (Secel). Fato que veio a ser confirmado nesta sexta-feira, 29, em coletivas à imprensa promovidas pelo prefeito e pelo vice. Cada um no seu canto, é claro. Enquanto Zeitune anunciou o rompimento no cerne da administração de Guarulhos, Guti buscou passar a impressão de mera readequação do quadro de auxiliares.
Em dezembro, prefeito e vice concederam entrevista a este jornalista na sala que acomodava o gabinete de Guti quando era vereador. Ficou notória a união para trazer a tão divulgada ‘nova política’ para a cidade.
Na época, questionei sobre o quanto divergências ideológicas da coligação (Rede, PSB, PPS e PSC) poderiam afetar o bom andamento do governo. Como resposta, em resumo, foi dito que Guarulhos estava acima de tudo. O que importava era o plano de governo, independente da pluralidade de opiniões. Para reforçar o discurso: plataforma colaborativa em que prefeito, vice, secretários, vereadores e sociedade trabalhariam juntos para o bem da cidade. Um sonho bonito e com capacidade para se tornar real. Assim quis acreditar.
No entanto, o que pode ter abalado tamanha simbiose que tinha tudo para andar? Na época, questionei a participação de Zeitune no governo. Como resposta, o co-prefeito, como apelidado por Guti, teria atuações importantes. De fato, teve. Ao que tudo indica, agora não mais.
Ficou perceptível a tensão na política da cidade nesta sexta. De um lado, falava-se em uma suposta quadrilha que estava querendo retomar a fonte – Secel – de dinheiro, mas sem citação de nomes. Do outro, causas puramente políticas teriam afastado Zeitune do cargo. Ambos deram motivos totalmente opostos.
O vice, inclusive, estava visivelmente abalado e disparou, durante o seu discurso, uma série de falas veementes. Guti tentou manter, digamos, a elegância e, diante dos jornalistas, ficou na defensiva.
Guti não poupou elogios ao seu vice em sua coletiva: honestidade, integridade, competência, bom relacionamento… Características que todo chefe procura em seus colaboradores. Mas, porque exonerá-lo? Durante toda a entrevista, Guti insistiu que foram razões políticas. Realmente, pura política. E da velha. Pois, coincidência ou não, a decisão foi tomada um dia após a publicação pela Folha de S.Paulo da cogitação de que Zeitune pode vir a ser candidato a governador pela Rede, por ser um de seus maiores expoentes no Estado de SP.
Dois novos secretários oriundos do Governo do Estado assumiram Desenvolvimento Assistência Social e a Secel. Seria para reforçar a presença estadual no governo e, ao mesmo tempo, reduzir a força da Rede na gestão local?
Na nova safra de secretários, quem assume o Meio Ambiente é Abdo Mazloum, presidente do PEN (que apoiou Eli Corrêa Filho em 2016), ex-vereador, irmão do promotor de Justiça de Guarulhos Nadim Mazloum, do também promotor Saad Mazloum e do juiz federal Ali Mazloum. Outro juiz da família, Casem Mazloum, está aposentado.
ACUSAÇÕES GRAVES
Zeitune fez questão de demonstrar que está sendo perseguido por combater a corrupção, fez de tudo para sair como vítima, sem, porém, dar nomes aos bois. Seu partido endossou a estratégia: comunicado da Rede afirma que o prefeito não andou segundo os bons costumes (leia-se ‘nova política’) e escolheu não combater a corrupção. Na sua aparição repentina na coletiva do prefeito, o vice disse ter grande apreço por Guti, mas reforçou que se dedicará ao combate à corrupção. Pode ser já estratégia de campanha para o governo paulista?
O fato é: a ruptura não começou ontem. A atual gestora da superpasta, por exemplo, comentou ter sido convidada para o cargo há cerca de uma semana. Isso foi antes da nota da Folha de S. Paulo de quarta-feira, 27, sobre o potencial de Zeitune dentro da Rede. O desgaste já é mencionado há tempos. E, ao findar dos primeiros nove meses de governo que prega a nova política, é, sem dúvida uma forte crise de identidade.
Mas o que temos para aprender com essa história? A impressão é de que a recém-nascida ‘nova política’ mostrou-se fraca no combate às velhas práticas políticas.
Como foi a tensa coletiva de Guti na manhã desta sexta-feira
