Severino Gomes da Silva e Mercês Ferreira da Silva chegaram a Guarulhos em 1965, impulsionados pela forte migração nordestina da época à terra da garoa, onde a chance de emprego era promissora. De lá para cá, criaram os cinco filhos, participaram do processo de evolução da cidade e aposentaram-se. Casados há 60 anos e com 88 de idade, vivem sob os cuidados de sua filha mais velha, Maria Savio da Silva, 60, que há cerca de 20 anos abdicou de seu trabalho para se dedicar ao amparo dos pais. Com a progressão das debilidades dos idosos, a filha passou a contar, desde 2016, com o trabalho da enfermeira Sebastiana Machado Ribeiro e da cuidadora Celia da Silva Farias, de 53 e 52 anos, respectivamente, ambas freiras que durante toda a vida trabalharam voltadas para o bem do próximo.
O casal idoso faz parte faz parte do grupo de pessoas na terceira idade que necessita de auxílio de terceiros. Segundo levantamento do IBGE, 30% dos idosos precisam de ajuda para tarefas como comer, tomar banho, falar, vestir-se ou ir ao banheiro. Além disso, 80% dessa parcela da população têm alguma doença crônica. Conforme estudo da ONU, as limitações físicas que debilitam aqueles com mais de 60 anos decorrem principalmente de diminuição da visão e da audição, demência e osteoartrites.
Severino está com a mente sã, mas tem dificuldades com dicção devido ao Mal de Parkinson, doença que desenvolveu há mais de 14 anos. Em 2016, sofreu um acidente em casa que o fez perder a autonomia da locomoção. Mercês está com as condições motoras melhores, porém, frágeis. Já a mente foi afetada pelo Alzheimer, que começou a apresentar sinais também no ano passado, devido ao baque que sofreu com a queda do marido.
A família começou o trato com os idosos assim que as dificuldades foram percebidas. O primeiro passo foi uma das filhas assumir a responsabilidade dos cuidados. Depois, a casa começou a ser reformada conforme os problemas foram agravando-se – degraus rebaixados e banheiros adaptados com barras de aço, por exemplo.
Apenas quando o acidente com Severino o deixou acamado, exigindo mais atenção e técnica, a família trouxe a ajuda profissional. “Arrancar um sorriso dos lábios de uma pessoa idosa é gostoso demais. É vida nova. A gente aprende muito com eles”, conta Sebastiana, que trabalha no auxílio a pessoas há pelo menos 30 anos.
O caso relatado é apenas um dentre os inúmeros que existem Brasil afora. Segundo levantamento recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2050, a população idosa do Brasil deve chegar a 66,5 milhões de pessoas, número que representará 29,3% do total de habitantes do País. Será que estaremos preparados?
A importância dos cuidados
Procuramos a psicóloga e fundadora do Instituo Acolher, Zina Costa, de 59 anos. Segundo ela, a prevenção é a primeira atitude que se deve ter para melhorar a qualidade de vida dos mais velhos. Além disso, por mais que muitos idosos tenham tido uma vida de independência, a velhice requer o dobro de atenção. Zina diz que o primeiro olhar vem da família. “Antes de o indivíduo aceitar que é idoso, ou que precisa de ajuda, a família é quem deve se conscientizar que a velhice chegou para aquela pessoa. É necessário entender que ela já não é tão independente e que pode não ter as mesmas capacidades, tendendo a ter cada vez mais limitações com o passar dos anos”.
Zina promove um curso voltado a cuidadores de idosos. Com a experiência em cuidar da mãe e outros casos que acompanhou no dia a dia, ela entendeu a necessidade de se ter profissionais aptos a cuidar de uma pessoa na terceira idade. “O curso visa formar ajudadores que vão contribuir com o idoso nas suas tarefas diárias. É uma profissão que ainda está em construção”. Segundo Zina, o curso pode contribuir para uma maior qualidade de vida da pessoa idosa, que deixará de ter uma sobrecarga nas tarefas rotineiras.
O cuidador é o profissional que acompanha e dá assistência a crianças, idosos, pessoas com deficiência ou doença grave. No trabalho, incluem cuidados como bem-estar, saúde, alimentação, higiene pessoal, educação, cultura, recreação e lazer. Zina ressalta a importância de sempre manter a independência daquele que recebe cuidado, quando esse ainda tem, mesmo que em menor escala. “O idoso acaba retrocedendo em alguns aspectos e, muitas vezes, necessitando de cuidados básicos. Ainda assim, é preciso respeitar o espaço dele. Se ele faz questão de cozinhar, deixe-o, mas deve-se sempre acompanhar com um olhar atento”, finaliza.
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2000 |
2010 |
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| Bairro | Homens | Mulheres | Total | Homens | Mulheres | Total |
| Pimentas | 1986 | 2523 | 4509 | 3971 | 4789 | 8760 |
| Cumbica | 1579 | 1919 | 3498 | 2525 | 3140 | 5665 |
| Bonsucesso | 1071 | 1391 | 2462 | 2266 | 2962 | 5228 |
| Picanço | 1502 | 1916 | 3418 | 2234 | 2961 | 5195 |
| Taboão | 1226 | 1613 | 2839 | 2241 | 2855 | 5096 |
| Vila Galvão | 1449 | 1906 | 3355 | 1975 | 2857 | 4832 |
| Cabuçu | 1127 | 1336 | 2462 | 1699 | 1939 | 3638 |
| Vila Rio | 784 | 943 | 1727 | 1549 | 2068 | 3617 |
| Presidente Dutra | 910 | 1094 | 2004 | 1572 | 1937 | 3509 |
| Vila Augusta | 1057 | 1445 | 2502 | 1375 | 2056 | 3431 |
Guarulhos acompanha as estatísticas
Em Guarulhos, o censo do IBGE revelou que a população idosa em 2010 era de 100 mil pessoas. Já a projeção feita pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados mostra que em 2017 há uma estimativa de 140 mil idosos na cidade. Em 2020, serão 162 mil. A cidade mostrou sua preocupação com o envelhecer quando, em 1997, implantou um projeto pioneiro: o Centro de Referência à Saúde do Idoso (Ceresi), que presta atendimento ambulatorial e domiciliar para a pessoa idosa fragilizada.
Em seu plano de Governo, o prefeito Guti apresentou propostas voltadas para a terceira idade, como projetos esportivos – ginástica, nos próprios e praças públicas –, e a criação da “Casa do Idoso”, espécie de centro de orientação que vai divulgar atividades de convivência e serviços. Há também estudos para construção de um Hospital de Referência para a Terceira Idade, geração de moradias para pessoas idosas sem amparo familiar, através de estímulos ao setor privado ou através de parcerias com Ongs.
Além disso, está proposta a implantação de Centros de Especialidades (Ceresi) nas quatro macrorregiões.
Questionada, a administração informou à revista Weekend que as ações de saúde como a Implantação dos Centros de Especialidades nas quatro macrorregiões, bem como a construção de Hospital de Referência para a Terceira Idade, estão em estudo.
Já os projetos esportivos tem previsão de início para 2018. O Chamamento Público/Edital está em elaboração.
A Criação da Casa do Idoso encontra-se na fase prospecção do espaço e a previsão de entrega é para 2019. A geração de moradias para pessoas de terceira idade sem amparo familiar é uma proposta que está tramitando junto às secretarias de Habitação do município, por intermédio do programa Vila Dignidade, do Governo do Estado.
Além disso, uma vez por mês, são promovidas palestras, debates e campanhas de esclarecimento para conscientização que têm custo zero.
A Prefeitura ressaltou que a Subsecretaria de Políticas para o Idoso foi criada em abril deste ano, e ainda não possui orçamento. “Planejamos ainda a implantação do Programa Acompanhante de Idosos – PAI nas quatro regiões de saúde, sendo um tipo de cuidado domiciliar bio-psicossocial a pessoas idosas em situação de fragilidade e vulnerabilidade social, que disponibiliza a prestação dos serviços de profissionais e acompanhantes de idosos, para apoio e suporte nas Atividades de Vida Diárias e para suprir outras necessidades de saúde e sociais”, finalizou a administração municipal.
