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Os impactos na rede particular

Por Tamiris Monteiro | Fotos: Divulgação

O ensino médio tem, atualmente, 8,1 milhões de matrículas, a maioria em escolas públicas (87%) da rede estadual. Ou seja, a implantação da reforma educacional recairá principalmente sobre os Estados. Mas não se pode esquecer que as escolas particulares também precisarão se reestruturar e o maior problema dessa transição, talvez, seja o orçamento.

Se a estrutura da escola particular mudar, com mais laboratórios e outros investimentos, por exemplo, isso poderá subir o valor das mensalidades para as famílias.

“O que se pretende é melhorar a educação em todas as áreas, a começar do tempo que as crianças ficam nas escolas. A infraestrutura adequada é um importante item que colabora para uma boa formação acadêmica dos alunos. Mas acredito que, após a definição da BNCC, o principal investimento deverá ser feito na qualificação de professores, para que possam transmitir o conhecimento com eficiência e, assim, formar jovens com as habilidades necessárias para o mundo atual. Como todo investimento, as instituições públicas e privadas colocarão no orçamento anual este custo”, afirma Wilson José Lourenço Jr., diretor do Colégio Carbonell e presidente da AEG (Associação das Escolas Particulares de Guarulhos).

Como bem dito por Wilson, vale frisar que os gastos não recairão apenas sobre quem tem o filho em uma escola particular. Ainda que indiretamente, todos pagarão essa conta, pois o governo também terá de investir mais na rede pública para conseguir o resultado que propõe, com uma educação de qualidade.

Assim como as escolas públicas, os colégios particulares precisarão ter os projetos político-pedagógicos encaminhados às secretarias de educação para começarem a praticar as mudanças. E, embora se espere que o setor privado seja mais ágil nas mudanças, no fim também dependerá da secretaria de educação, que é o órgão responsável por definir as normas e propostas.

“Ainda há muito a ser discutido pelas diversas instâncias que regulam a educação no Brasil. Estão sendo realizadas audiências públicas, reuniões com professores e estudiosos do tema e discussão nos conselhos e órgãos da sociedade civil interessados em melhorar a qualidade da educação. Depois deverá haver ainda a adequação das metodologias e dos sistemas de ensino, o que deve levar algum tempo. Acredito ser difícil implementar antes de 2020”, finaliza Wilson.

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