O general de Exércio Antonio Hamilton Mourão vem se notabilizando pelos discursos fortes que tem feito, sempre criticando o governo Temer e defendendo que, se o Supremo Tribunal Federal não condenasse todos os detentores de foro privilegiado acusados de corrupção na Operação Lava-Jato, fosse feita uma intervenção militar no País.
Neste sábado, ele foi comunicado pelo comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, que seria desligado do cargo de secretário de Economia e Finanças do Exército Brasileiro e seria designado como adido da Secretaria-Geral do Exército.
Em decorrência, Mourão anunciou que pedirá antecipadamente sua passagem para a reserva remunerada, o que estava previsto apenas para março de 2018.
A gota d’água para a perda do posto que ocupava foi uma palestra que proferiu na quinta-feira, no Clube do Exército, em Brasília, a convite do grupo Terrorismo Nunca Mais. Em sua fala, reiterou as críticas ao governo Temer e voltou a defender a hipótese de intervenção militar.
O ministro da Defesa, Raul Jungman, estava em viagem ao exterior, mas soube do episódio e manteve contato com o comandante do Exército, sobre providências contra Mourão. De volta do Brasil, visitou o presidente da República, obteve dele anuência à decisão de desligar o general da Secretaria de Finanças do Exército e, então, foi publicado o decreto respectivo.
Na palestra de quinta-feira, Mourão foi incentivado a candidatar-se à Presidência da República. Respondeu que não está fechado a nada em sua vida, o que abre a possibilidade de que isso venha a ocorrer.
Observadores comentam que, pedindo baixa do Exército, passa a trajar vestes civis e a não ter mais obrigação hierárquica de bater continência a Temer. De certa forma, ganha também mais liberdade para manifestar-se, pois, como militar, corria riscos maiores.
Corre na internet apelo para que a população fosse às ruas para exigir a saída de Temer, caso se confirmasse a exoneração de Mourão, o que, evidentemente, não acontecerá. Razões mais fortes, como a aprovação da reforma trabalhista e a insistência em mudar as regras da aposentadoria, não têm sido suficientes para mobilizar as massas.
O mais provável é que a decisão do governo faça o nome de Mourão ganhar mais visibilidade e que ele passe a ter alguma influência nas eleições de 2018. Talvez, dividindo os votos até então cogitados em favor de Jair Bolsonaro. No entanto, na palestra ele referiu-se elogiosamente ao deputado pré-candidato, o que não o impede de concorrer nem de serem aliados.
Valdir Carleto
Segue trecho da palestra, no qual o general afirma que o governo Temer é um balcão de negócios
