Há algum tempo a população tem sofrido com surtos de doenças como dengue, zika, chikungunya e, agora, febre amarela. E o Verão é sempre a temporada mais preocupante por causa das chuvas que podem formar pontos com água parada possibilitando a proliferação de mosquitos transmissores, principalmente o Aedes Aegypti. A febre amarela, por exemplo, é transmitida pela picada de mosquitos infectados: os silvestres e os urbanos. Nas matas, quem transmite o vírus são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabathes. Já nas cidades é o Aedes Aegypti, mesmo vilão por trás da dengue, zika e chikungunya.
Mas, afinal, o que fazer para se prevenir, já que estamos expostos a tantos insetos no dia a dia? Para evitar os mosquitos, além de verificar os locais que podem acumular água parada, é importante usar diariamente o repelente. De acordo com Julinha Lazaretti, bióloga com pós-graduação em Imunologia e diretora de Pesquisa e Desenvolvimento de produtos, embora existam inúmeras opções disponíveis no mercado, para maior proteção e segurança os repelentes feitos à base de icaridina são os mais indicados, já que oferecem ação prolongada, por até sete horas.
“Os repelentes agem formando uma ‘nuvem’ de odor repulsivo aos insetos. Como a eficácia depende de muitas variáveis, o ideal é que se use na frequência do menor tempo indicado no rótulo, pois os testes são feitos em ambientes controlados, diferente do que encontramos no dia a dia. Para os repelentes com icaridina, o ideal é que reaplique a cada 7 horas nas temperaturas abaixo de 30ºC e a cada 4 horas nas temperaturas acima de 30ºC”, explica Julinha.
Vale lembrar também que cada inseto possui um hábito diferente do outro. O Aedes Aegypt, por exemplo, tem o hábito de se alimentar mais ao amanhecer ou ao entardecer e costuma agir a meia altura, ou seja, nas pernas.
Como o repelente deve ser usado em relação ao protetor solar, hidratante e maquiagem?
Os repelentes devem sempre ser usados por último, pois sua ação se dá pela vaporização do princípio ativo que forma uma “nuvem” sobre a pele e, assim, repele os insetos. O ideal é que seja utilizado 15 ou 20 minutos após a aplicação de outro produto (protetor solar, hidratante ou maquiagem).
Gestantes podem usar repelentes?
Repelentes caseiros são eficientes?
“Os repelentes caseiros têm uma eficácia muito restrita tanto em relação ao tempo de proteção quanto ao tipo de inseto que repele. Alguns repelentes naturais têm alguma eficiência contra moscas ou formigas, portanto, devem ser usados em associação com outros métodos de proteção a doenças. Além disso, ainda podem causar dermatites. É preciso tomar cuidado”, pontua Julinha.
Segundo a especialista, todos repelentes comerciais precisam passar por testes de segurança, comprovando que têm baixo potencial de irritabilidade e alta eficiência de repelência, com no mínimo 40 minutos de proteção. O teste de repelência precisa ser feito com no mínimo três espécies diferentes de insetos. Os principais ativos que conseguem aprovação no teste de eficácia contra insetos são: icaridina, IR3536 e DEET.
“O último tem sido questionado, pois sua eficiência é baixa em relação aos outros e apresentou maior grau de irritabilidade na pele. Ele também não pode ser usado por asmáticos”, ressalta.
Atenção alérgicos!
Quando a pessoa apresenta alergia, ela deve usar outros métodos, como mosquiteiros, calças compridas e blusas de mangas longas e evitar locais com foco de doenças transmitidas por insetos. Além disso, existe a opção do uso de repelente hipoalergênico.
