Ícone do site Click Guarulhos

Projeto de advogado guarulhense atende quem precisa de remédios e tratamento de saúde

O guarulhense Wilson Paiva é o idealizador do Projeto UTI Guarulhos, criado com o objetivo de prestar atendimento jurídico gratuito na área da saúde a pessoas que não recebem do poder público um atendimento digno e adequado. Ele falou à Weekend sobre como começou o projeto, como funciona e de que forma as pessoas podem acompanhar esse trabalho.

Quem é Wilson Paiva e qual sua atividade profissional?

Sou um guarulhense de 37 anos, empresário, advogado, especialista em gestão pública e ciências políticas.

Quando começou sua atuação na área da Saúde e como funciona o Projeto UTI Guarulhos?

O UTI Guarulhos começou há 3 anos. O atendimento consiste em, através de ações judiciais, pleitear o acesso a medicamentos, exames, cirurgias e tratamentos médicos ao cidadão que não teria condições de arcar com os custos da contratação de um advogado.

Você cobra por isso?

Atuo nessas ações sem qualquer tipo de cobrança ou despesas às pessoas que me procuram. Minha atuação é restrita à área da saúde, a aquelas pessoas que são atendidas pelo SUS e não possuem recursos. Muitas vezes, essas pessoas não têm dinheiro nem para pegar uma condução para chegar até meu escritório.

Quais foram suas conquistas nesse período?

Foram muitos atendimentos e inúmeras vitórias, tais como: medicamentos de todos os tipos, de diabetes até doenças muito graves como câncer, por exemplo; exames das mais diferentes especialidades; consultas em diversas especialidades; transferências para hospitais de referência, conforme o caso; cirurgias, desde cataratas até cirurgias cardíacas. Há poucos dias, ingressamos na Justiça e conseguimos uma liminar para a transferência hospitalar de um senhor com mais de 60 (sessenta) anos de idade que está necessitando de uma cirurgia cardíaca em caráter de urgência, isto porque, a unidade hospitalar onde o mesmo encontra-se internado não dispõe de estrutura adequada para a realização da mesma, o que justifica a medida judicial. O estado clínico desse paciente é crítico e a espera pela cirurgia está colocando em risco a vida dele. Felizmente, em poucos dias após a família nos procurar, ingressamos em Juízo e conseguimos a liminar para a transferência, que deve ocorrer já nos próximos dias. O trabalho cresceu muito, e hoje, já somos mais de 135 mil pessoas, unidos em busca dos direitos devidos.

Alguma derrota marcante?

Infelizmente, sim: um rapaz chamado Marcos: consegui a liminar para que ele fizesse a cirurgia, mas já era tarde. Outro caso em que também não obtivemos sucesso foi o de um bebê chamado David, que precisava de uma cirurgia cardíaca; neste caso, em que pese conseguirmos a liminar, ele faleceu antes de ser transferido. Teve também uma bebezinha chamada Eloisa: conseguimos a liminar, ela chegou a ser transferida para o Incor, mas faleceu poucos dias depois.

Além da atuação na área da saúde, o UTI Guarulhos atua em alguma outra área?

Nossa principal atuação é na área da saúde, porque é onde acredito que posso fazer a diferença na vida da pessoas; mas, fazemos também alguma outras ações pontuais, como por exemplo, Natal Solidário para crianças, café da manhã para mulheres, etc…

Qual a sua opinião sobre a saúde pública no Brasil?

Infelizmente, está indo muito mal. Percebo isso claramente, pois a cada dia cresce o número de pessoas que nos procuram pedindo ajuda. Em quase todas as cidades a situação é idêntica: faltam remédios básicos, insumos; há demora nas marcações de exames, de consultas, e de cirurgias. Nesses mais de três anos de UTI, a certeza que tenho é que as pessoas querem apenas o mínimo de dignidade ao serem atendidas pelo poder público, e não me refiro aos funcionários da rede pública, pois estes sei que trabalham muitas vezes em condições críticas e muitos se dedicam com afinco a suas tarefas; eu me refiro ao direito do cidadão ter acesso a medicamentos e exames de forma mais rápida e eficaz.

Como acompanhar seu trabalho?

Tenho uma página no facebook, onde divulgo um pouco do meu trabalho: @wilsonpaivauti. Quem quiser me procurar também pode ser pelo WhatsApp 11-997470192.

Sair da versão mobile