Já não bastassem as dificuldades financeiras da Prefeitura, a cidade é penalizada pela guerra intramuros entre o prefeito Guti e seu vice, Alexandre Zeitune.
Se, havendo harmonia entre os ocupantes dos dois cargos, administrar uma cidade do porte de Guarulhos já é um trabalho gigantesco, imagine havendo racha no comando!
Quando Guti exonerou Zeitune do cargo de secretário de Educação, oferecendo como prêmio de consolação a inexpressiva Secretaria de Habitação, tratou a situação com a mesma velha e surrada prática a distribuição de nacos do poder. Se Zeitune aceitasse, passaria recibo de que o discurso de nova política era apenas discurso.
O vice saiu atirando, declarando que havia feito denúncias que não teriam sido apuradas. Não citou nomes, nem dados, frustrando a opinião pública, que merecia saber tudo o que, de fato, levou ao rompimento entre os dois.
Daí em diante, a cada pouco Zeitune envia um novo requerimento ao prefeito, apontando suspeitas de mau uso das verbas públicas ou de outros tipos de supostas irregularidades. Ao invés de responder publicamente aos questionamentos, Guti prefere adotar o silêncio.
Aí, o vice se licencia e viaja aos Estados Unidos e é vítima de espionagem e de exposição indevida de suas andanças particulares pela terra de Tio Sam. Reage e pede investigação. Mais uma vez, o silêncio.
Agora, na sessão da Câmara Municipal desta quinta-feira, um vereador da Oposição, Marcelo Seminaldo (PT), denuncia ter recebido um áudio no qual Zeitune estaria pedindo dinheiro a uma empresa para que se instalasse em Guarulhos. Pede a abertura de uma Comissão de Inquérito.
A Assessoria do vice-prefeito informa que ele registrou Boletim de Ocorrência na véspera, porque teria sido ameaçado pelo prefeito de “soltar uma bomba contra ele”, se não recuasse. A alegação é de que o prefeito teria proposto ao ex-secretário de Habitação, Waldemar Tenório, ligado a Zeitune, o silêncio em torno da tal bomba.
Não sei quem tem razão. Não tenho como garantir que a denúncia contra Zeitune tenha fundamento ou não. Nem quanto aos termos que Guti teria usado ao falar com Tenório.
O que sei, na condição de jornalista e de cidadão guarulhense, é que a cidade não merece isso. Causa estranheza que a tal denúncia não tenha sido formulada por alguém ligado ao governo, mas a um vereador da Oposição. Trata-se da mesma bomba ou há mais de uma?
Se é fato que Zeitune tentou obter algum dinheiro para a Rede, em troca de alguma facilidade à instalação de uma empresa na cidade, o que há de novo nesse comportamento político?
Se é fato que Guti quis chantagear o vice-prefeito, propondo calar-se diante de algo que teria de ser apurado e julgado, isso é mais grave do que qualquer erro administrativo que o prefeito tenha cometido nesses 14 meses de governo (ou desgoverno?). Seria mesmo caso de Polícia.
É, minha gente, estamos fritos. E mal pagos.
Valdir Carleto
