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Conselho Gestor e usuários da UBS Paraventi pedem melhor estrutura

Membros do Conselho Gestor da Unidade Básica de Saúde Paraventi reuniram-se na manhã desta terça-feira no Grêmio do Saae, com o objetivo de apresentar reivindicações à Secretaria da Saúde, no sentido de melhorar as condições de atendimento do local.

Esperavam contar ao menos com algum representante do secretário Sérgio Iglesias; porém, ninguém compareceu. O mote para a reunião foi a informação de que a atual gerente, Graziela, seria transferida para outra unidade.

A reportagem do Click participou da reunião e ouviu de membros do Conselho e usuários em geral que a superior da gerente teria dado a ela 30 dias para que fossem resolvidos os problemas da UBS. Porém, segundo afirmam, cinco gerentes passaram pela função e, a cada substituição, é a população quem sofre as consequências.

Conselheiros contam que falta de tudo na UBS Paraventi, a começar pelo próprio imóvel, que não reúne as condições necessárias para o funcionamento correto. Além de acanhado, é mal ventilado, tem escadaria para acesso a alguns setores. Há tempos se cogita mudança para outro local, mas nada de efetivo até agora. Segundo eles, a demanda cresceu muito, principalmente devido ao número de famílias que não conseguiram manter-se nos planos de saúde e migraram para o SUS. Entre outros insumos, faltam: álcool para higienização das mãos e utensílios, papel higiênico, lençol e toalhas de papel, luvas, gaze e outros materiais para curativos. A justificativa é sempre de que faltam verbas.

O número de funcionários é também inferior ao necessário. A sobrecarga de trabalho faz com que haja sequentes pedidos de afastamento, o que acarreta ainda maior deficiência no atendimento. Em consequência, é comum haver usuários ofendendo e até ameaçando agredir servidores, muitos dos quais desejam ser transferidos para um local onde haja melhores condições de trabalho.

Outra queixa dos conselheiros é que há servidores que moram nas imediações e gostariam de trabalhar na UBS Paraventi, mas são mantidos contra a vontade em locais distantes. O argumento dos superiores é de que, na condição de funcionários públicos, devem exercer as funções onde lhes for designado.

“Uma UBS é porta de entrada para muitas necessidades da população, não apenas em casos de saúde, como até de assistência social”, diz um membro do Conselho Gestor. A UBS Paraventi ficou 6 meses sem clínico geral com carga de 40 h semanais; há pouco tempo passou a ter um e ainda não foi possível atender a demanda reprimida de 32 pacientes por dia. Até atendente SUS faltou durante um período e é imprescindível, por ser quem faz o primeiro atendimento. A carência de servidores é tal, que membros do Conselho acabam trabalhando voluntariamente, distribuindo senhas e ajudando como possível. Alguns chegam a ser ameaçados, por serem confundidos com funcionários.

As opiniões sobre a gerente Graziela são unânimes em elogios. Afirmam que ela não se limita às funções e faz o que pode para ajudar para agilizar o atendimento, trabalha até a noite e não pode ser responsabilizada pelas deficiências da UBS. “Não adianta trocar de gerente. Disseram não ser verdade que ela seria transferida, mas soubemos que houve uma despedida da gerente que viria da UBS Morros para o lugar dela”, diz um conselheiro, que mostra vídeo de pessoas lamentando a remoção da “Tati”, forma carinhosa com que se referiram à gerente Tatiana.

Os membros do Conselho Gestor, alguns dos quais fazem parte do Conselho Municipal de Saúde, queixam-se de não ter acesso ao secretário Sérgio Iglesias, nem à adjunta Graciane Figueiredo. Pedem que eles visitem a Unidade para ver de perto as más condições: “Os servidores não têm culpa, mas são eles que suportam a revolta dos moradores da região. A UBS não atende só Paraventi, a área é abrangente e precisa haver mais atenção pelos dirigentes. A UBS Paraventi é subordinada à Diretoria Regional Centro e à Diretoria Geral de Atenção Básica. A diretora regional, Kelly, sugeriu que a reunião desta terça-feira fosse em seu local de trabalho, na rua Luiz Faccini, mas os membros preferiram manter o local anteriormente combinado, por entenderem que seria mais fácil as dirigentes se deslocarem do que a coletividade toda ir até o Centro.

 

RESPOSTA DA SECRETARIA DA SAÚDE

Questionada, por intermédio da Assessoria de Imprensa, a Secretaria da Saúde respondeu:

“Com relação ao questionamento sobre a UBS Paraventi, a Secretaria de Saúde faz os seguintes esclarecimentos:

A equipe técnica da Secretaria de Saúde tem feito várias reuniões com a equipe e representantes do Conselho Gestor, sendo que as últimas foram realizadas nos dias 12,13, 14 e 15 deste mês. Vale destacar que em nenhuma delas foi manifestado o interesse de trocar a gerente da unidade.

Outro ponto a ser destacado é que a UBS Paraventi está localizada em imóvel locado, sem adequação, desde 2007 e que a atual gestão já está tomando as providências necessárias para a mudança da unidade para novo prédio mais adequado ao atendimento da população da região. No momento, o processo encontra-se em avaliação de mercado e trâmites para locação.

Ressalta ainda que o Conselho Municipal de Saúde é um órgão autônomo, de caráter permanente, propositivo, fiscalizador e deliberativo, que deve atuar na formulação de estratégias e no controle de execução das políticas de saúde do município. Sendo assim, causa estranheza a postura do órgão atualmente, tendo em vista que a Secretaria de Saúde realizou a prestação de contas na semana passada, contendo dados sobre os indicadores de saúde.  Dos 35 indicadores apresentados, 32 apresentaram melhorias sob a ótica desta gestão. Entretanto, o Conselho Municipal de Saúde não aprovou a prestação de contas, alegando não estar contente com administração.

A Secretaria da Saúde salienta que trabalha com sistema de apoiadores institucionais, cujo objetivo é apoiar tecnicamente os gerentes, com enfoque nas melhorias dos sistemas, respeitando as legislações e documentos norteadores vigentes, para que possam atuar de modo mais técnico com o intuito de atingir as diretrizes municipais, estaduais e ministeriais, bem como os parâmetros assistenciais propostos pelo Ministério da Saúde.
Importante reforçar que a Secretaria da Saúde mantém agenda fixa com a população e Conselho Municipal de Saúde, às terças-feiras pela manhã, sendo que o agendamento é feito diretamente no gabinete do secretário. Portanto, em momento algum, a Secretaria da Saúde se opõe a conversar, desde que seja de maneira respeitosa.

Finalizando, cabe destacar que várias ações vem sendo adotadas para sanar o desabastecimento parcial de insumos e medicamentos, tanto que, neste momento, a situação já apresenta melhora significativa.”

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