Por Sérgio Scatolin. Colaborou Jônatas Ferreira
No dia 22 de março, a família Balcone, os amigos e a cidade lembraram com pesar o falecimento do advogado Leandro Balcone, cruel e covardemente assassinado em seu escritório, crime que chocou a população de Guarulhos e teve repercussão nacional. Foram 12 tiros de pistola 380, praticamente à queima-roupa, indício veemente de execução, mesmo porque nada foi levado ou retirado do local pelo assassino.
Decorridos dois anos, a quantas andam as investigações do caso? E o(s) assassino(s), foi ou foram identificado(s)? O que fizeram a Polícia, o Ministério Público, a Justiça? Como a OAB-SP em Guarulhos tem acompanhado o caso da morte de um de seus membros?
É estranho que, após toda a repercussão à época e até algum tempo depois, nada se saiba de concreto sobre o que foi apurado até aqui, inclusive sobre a identidade do assassino, filmado ao entrar e sair do local do crime.
Neste mês, quando se completaram os dois anos, várias manifestações de pesar e de saudades nas redes sociais, de familiares e amigos de Leandro, mas também breves (e vagos) comentários sobre o que foi investigado e a falta de maiores informações.
Leandro Balcone, advogado criminalista, foi brutalmente assassinado a tiros em 2016, no dia 22 de março, em seu escritório, na rua Marajó, Macedo, conforme noticiou o Click Guarulhos à época (https://goo.gl/MD3ADa). O crime ocorreu por volta das 11h30, quando um homem não identificado apresentou-se como cliente e efetuou os disparos. Testemunha viu um suspeito na cena do crime, o mesmo que posteriormente foi visto com nitidez em várias imagens de câmeras vizinhas. Nenhuma arma foi encontrada no local.
Atuante no movimento jovem católico, Balcone também era muito ativo politicamente. Filiado ao PSB, suplente de vereador, seria novamente candidato a vereador na cidade naquele ano. Antes, também suplente pelo PDT, chegou a assumir brevemente a cadeira de edil. Era também líder do movimento contra a corrupção Guarulhos Livre, que à época também fazia oposição ao governo do PT na cidade e era favorável à cassação da, então, presidente Dilma Roussef.
As cogitações de crime político foram, de início, inevitáveis, pois ele era uma das pessoas que mais se destacavam nas manifestações e atos políticos em Guarulhos. Mas, a possível motivação política foi rapidamente descartada pela polícia, como declarado pelo secretário da Segurança de então, Alexandre de Moraes, hoje ministro do STF. O jornalista Valdir Carleto, em sua coluna na edição 323 da Revista Weekend, comentou que a suposição inicial de conotação política, logo descartada, devia-se mais à condição de militante de oposição com que Balcone notabilizou-se, mas que não havia indícios de que fosse crime político (https://goo.gl/BNLtsu).
Uma das hipóteses que se passou a seguir foi a de motivação vinculada à atuação do advogado no âmbito criminalista, com a cogitação de possível desavença com clientes, retaliação de alguém eventualmente insatisfeito com sua atuação ou, ainda, vingança de pessoas potencialmente prejudicadas por resultados de seu trabalho. A Coluna do Carleto noticiava em 31/03/16 que, apesar da grande repercussão, nada fora concluído e que a principal vertente seria mesmo de crime relacionado a algum caso que ele cuidava (https://goo.gl/th4r1B).
Embora o autor do crime tenha sido filmado, com imagens bem nítidas em vídeo e amplamente divulgadas, inclusive em rede nacional na TV, ao que se saiba ninguém foi identificado até aqui. A polícia descartara, desde o princípio, a possibilidade de fazer-se um retrato falado, a partir do depoimento das testemunhas circunstanciais do crime.
Algumas perguntas que pairam sem respostas: a polícia realmente não conseguiu identificar aquela pessoa? O retrato falado não era mesmo necessário? Quais foram as diligências para tentar identificar aquele que, tudo aponta, tenha sido o assassino? Por que a demora? Por que o segredo de justiça imposto às investigações?
OAB – No dia 22 de março a reportagem do Click Guarulhos procurou o presidente da Subseção Guarulhos da OAB-SP, o advogado Alexandre de Sá Domingues, para saber a posição oficial da entidade sobre o andamento e os possíveis resultados das apurações pela Polícia até o momento. Sá Domingues, porém, não retornou nossas ligações ao seu celular e à sede da OAB Guarulhos, onde deixamos recados com sua secretária, Ana Claúdia. Tampouco respondeu às nossas mensagens de Whats App.
Mas, nas redes sociais, no mesmo dia, o presidente da OAB na cidade lembrou os dois anos da morte do “jovem e combativo advogado e querido colega de profissão” e comentou que “apesar do acompanhamento da família e da OAB, os esforços da polícia ainda não foram suficientes para identificar e punir os responsáveis”, para completar que espera para breve “que isso possa mudar, e que fatos como esse nunca se repitam”. Nada consistente, no entanto, quanto a prazos ou fatos concretos que, infelizmente, não foram possíveis de apurar com a entidade.
Polícia – Em nota ao portal do jornal Guarulhos Hoje, dia 22/03 (https://goo.gl/rLfcv9), a Secretaria de Segurança Pública (SSP) declarou que o caso ainda segue investigado pelo Setor de Homicídios e que continuam as diligências para descobrir a motivação do crime e prender os autores. A SSP também informa que “mais detalhes não podem ser divulgados para não prejudicar os trabalhos”.
Família – Entrevistado ontem, 27, pelo repórter Jônatas Ferreira, deste Click, o irmão do advogado Leandro, Ricardo Balcone, informou brevemente que “à família o delegado responsável pelo caso assegurou que as investigações têm avançado e não cessarão até que tudo seja esclarecido e o crime, solucionado”. Também informou que, ao não divulgar mais informações, a Polícia pretende evitar vazamentos que atrapalhem o bom andamento dos trabalhos.
O Click Guarulhos segue no acompanhamento do caso para não deixar que caia no esquecimento e reste sem solução. No entanto, reafirmamos que, passados dois anos, não é compreensível que não se tenha notícia de nada de concreto para o elucidação do abjeto crime, ao menos, que fosse, quanto à identificação do suposto assassino flagrado em abundantes e nítidas imagens de vídeo. Continuamos de olho vivo.
