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Cliente terá opção mais barata para o cheque especial a partir de julho

A modalidade cheque especial é das mais caras dentre todas as linhas de crédito oferecidas pelos bancos. Mas, em breve, quem não tiver outra opção e precisar recorrer ao cheque especial terá uma opção mais barata à disposição após 30 dias no uso do limite.

A partir de 1° de julho bancos oferecerão linha de crédito mais barata a quem usar 15% ou mais do limite de sua conta bancária por mais de um mês. Nessa circunstância, o banco oferecerá ao cliente alguma forma de parcelamento da dívida do cheque, porém com taxas mais favoráveis. Um alívio e tanto para quem estiver “enroscado” com o cheque especial por muito tempo.

Esta nova linha de crédito, porém, só será aplicada para débitos superiores a R$ 200,00 e não será compulsória. Quer dizer: o cliente não será obrigado a aceitar a proposta e tampouco será penalizado se preferir continuar com a conta no vermelho (e com os juros altíssimos).

A solução foi desenhada e adotada voluntariamente pelas instituições financeiras, sem interferência do Banco Central (Bacen), com o objetivo de reduzir a inadimplência (quando a pessoa deixa de pagar o que deve) e, assim, espera-se estimular a redução dos custos de crédito, pois, quanto melhores forem as condições para o devedor pagar, menor o risco de ‘calote’ da operação e, portanto, menores tenderão a ser os juros cobrados pelos bancos.

Segundo a Febraban, cada banco terá autonomia para oferecer a linha de crédito mais em conta aos clientes com dívidas no cheque especial. “Será uma decisão de cada instituição. A obrigatoriedade é que seja mais barato O quanto será mais barato, dependerá de cada banco”, disse Murilo Portugal, presidente da Febraban, ao anunciar a novidade ontem, 10.

Os juros são muito altos no Brasil

Quem tem dívidas no Brasil atualmente paga muito caro. Enquanto a taxa básica de juros do Banco Central (a taxa SELIC) está em 6,5% ano, o juro médio do cheque especial em março chegou a 295,5% ao ano (12,14% ao mês). Só não é mais caro que a taxa cobrada no rotativo do cartão, linha de crédito usada para financiamento dos cartões de crédito: 323% ao ano (12,77% ao mês). Das modalidades mais baratas, o crédito pessoal ficou, em março, em torno de 133% ao ano (ou 7,30% ao mês). Os números são de pesquisa divulgada ontem, 10, pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac).

Por exemplo: quem tiver uma dívida de R$ 1.000, com as taxas de hoje no cheque especial, em um ano pagaria R$ 3.995. No cartão de crédito, uma dívida no mesmo valor atingiria o montante de R$ 4.230. No crédito pessoal, porém, a pessoa pagaria aproximadamente R$ 2.330.  Um valor ainda alto, sem dúvida, mas bem menor (42% menor) do que no cheque especial, neste exemplo.

A melhor maneira de fugir dos juros absurdos é, naturalmente, não se endividar, o que é possível quando a pessoa tem controle sobre seus gastos, realiza um orçamento mensal e planeja-se financeiramente para não gastar mais do que recebe. Com o planejamento das finanças pessoais e domésticas, também é possível gastar menos do que se ganha para fazer uma reserva financeira mês a mês e, no prazo que for planejado, conseguir comprar à vista o que for preciso, sem pagar juros. Mas, para quem não tiver outra opção se não buscar alguma linha de crédito, a melhor recomendação é, obviamente, buscar a modalidade de financiamento com a menor taxa.

Para quem já estiver endividado, a melhor solução sempre será “trocar” uma dívida com juros altos por outra, com taxa menor. É o que os bancos oferecerão aos endividados no cheque especial, a partir de 1° de julho, de modo que as pessoas poderão gerenciar melhor seus saldos devedores e planejar melhor seus gastos.

Se nesta nova modalidade as taxas a serem oferecidas pelos bancos ficarem no patamar ou bem próximo do crédito pessoal, como é esperado, a pessoa poderá trocar uma dívida com juro em torno de 12% ao mês por outra com taxa de 7,0 a 7,5% ao mês. Nessas circunstâncias, sem dúvida será bem vantajoso.

Como funcionará o novo cheque especial.

Taxa do cartão de crédito caiu

A nova regra para financiamento de dívidas no cheque especial chega um ano depois da mudança das regras para os cartões de crédito. Ao contrário das medidas anunciadas ontem, que foram definidas e implantadas espontaneamente pelos bancos, as medidas para financiamento dos saldos devedores dos cartões de crédito foram impostas pelo Bacen às instituições financeiras.

Desde abril de 2017 as instituições financeiras são proibidas de deixar clientes no rotativo do cartão por mais de um mês. Assim, quem não consegue quitar integralmente a fatura depois de um mês no rotativo tem, obrigatoriamente, a dívida parcelada com juros menores.

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