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Mãos benditas que ainda podem ensinar

Quem tem ou já teve ao seu lado um ancião ou anciã, avós, bisavós ou mesmo pais ou mães de idades avançadas, e puderam tocar suas mãos ou, ainda, por elas serem acariciados sabem, muito bem, o que é a sensação da maciez e da temperatura que o tempo promove na pele de quem deixou-se forjar pela vida e já não se deixa mais iludir pelas coisas supérfluas que a ilusão do Mundo propõe.

Sabe identificar, pela sensação, pelo suave tocar, e mesmo pelo sútil perfume que parece delas sempre exalar, o que é um carinho real e um sentimento sempre presente daqueles que, um dia, também, foram nossos cuidadores, lutaram e trabalharam para que pudéssemos crescer e, então, seres humanos simplesmente nos fazer.

Essas sublimes mãos, forjadas pelas dores da vida e redesenhadas pelas ações dos tempos e pelas constantes mudanças das temperaturas – das águas que nos banharam, pelo calor dos fogos que cozinharam as refeições que nos alimentaram – possuem um magnetismo muito especial. Pois, há nelas um poder mágico que ainda é capaz de suavizar muitas de nossas dores particulares, de reger inúmeras de nossas ações e de nos indicar caminhos para as nossas próprias peregrinações.

São elas, essas antigas e poderosas mãos conselheiras, que – além de nos abençoar e nos incitar às boas realizações, mesmo para os dias em que a solidão certamente irá nos tocar – ainda sabem docemente nos acenar, como num poético movimento que descrevem no ar as letras que compõem o verbo amar ou as palavras que nos lembram a importância de agradecer e, também, sobretudo, a necessidade de saber perdoar.

Mãos benditas… mãos divinas, mãos soberanas, que um dia, também, nos ensinaram a rezar e, agora – em suaves e lentos movimentos – parecem nos falar que o momento da despedida, em breve, está por chegar.

Felizes daqueles que, ainda, podem mãos benditas tocar.

José Paulo Ferrari – São José dos Campos, 19 de fevereiro de 2019

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