Aluna do quinto semestre de Fisioterapia nas Faculdades Guarulhos, Durcilene Coelho Palácios é conhecida como “Duda” pelos amigos e pelos professores.
Ela chegou a cursar alguns meses de Direito em outra instituição, mas interrompeu quando seu pai, que tinha Alzheimer, caiu e na queda bateu a cabeça. Mesmo no hospital, era preciso que alguém da família cuidasse dele. Saiu do trabalho, saiu da faculdade. Ele ficou internado por três meses e Duda ficou acompanhando-o, quando teve oportunidade de aprender muito sobre Fisioterapia e se apaixonou pela área, inclusive por lidar com traqueostomia, atividade na qual vários profissionais prefeririam não ter de atuar.
Quando o pai teve alta, ela passou a tratar dele em casa, em Americana, interior de SP. Ele usava dois cilindros de oxigênio, sendo um para os deslocamentos. Na primeira vez que teve de levá-lo ao Hospital São Paulo, amarrou as mãos dele para que não retirasse o oxigênio. Mas ele se soltou e passou a puxar o freio de mão. Duda se atrapalhou e acabou errando o trajeto e precisou da ajuda do marido para chegar; ficou desesperada, porque o oxigênio do pai estava acabando. Com o tempo e mais experiência, conseguiu fazer com que o pai tirasse o oxigênio e a alimentação por sonda.
Se não bastasse, o sogro caiu e fraturou o fêmur, necessitando também dos cuidados de Duda. Pelas circunstâncias, ela praticou fisioterapia antes de iniciar o curso e aí teve certeza de que era essa a carreira que desejava. Durante um tempo, levava o sogro no carro até Americana, onde ia cuidar do pai, que veio a falecer. Problemas na cirurgia impediam o sogro de voltar a andar e ela fez de tudo para encorajá-lo até que conseguiu.
Outra forte experiência pela qual teve de passar foi a descoberta de um câncer no marido, felizmente superada com êxito; ele continua em tratamento no Instituto do Câncer.
Ao ingressar na FG, sentia medo. Procurou a Clínica Psicológica da instituição e obteve o apoio esperado. Destaca o quanto foi importante a ajuda da professora Vera Maria Mollo, recém-falecida. Ela ia à tarde à biblioteca para auxiliar Duda e colegas em pesquisas. “Na matéria dela, eu só tirava 10”, conta sorrindo.
“Esta faculdade tem professores maravilhosos, que nos apoiam, abraçam a gente”, comenta. Conclui dizendo que quando se formar quer atuar em fisioterapia hospitalar, para poder ser útil a muitas pessoas.
Foto: Índio Reis
