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Comparando dados de covid-19 do Brasil com países mais afetados do mundo

Por sugestão do engenheiro Eduardo Henrique Martins, em comentário a uma postagem do Click Guarulhos no Facebook, e também por observações de outros internautas, fomos pesquisar a relação entre o número de casos confirmados de pessoas contaminadas por covid-19, o número de mortes e a proporção desses números com a população de cada país.

Em números absolutos, os Estados Unidos tiveram 678 mil casos e 34 mil mortes, muito distante da Espanha com 185 mil casos ou a Itália, com 22 mil mortes. Mas, em relação à população, o país mais atingido em número de mortes é a Bélgica, com 445 para cada milhão de habitantes, enquanto nos Estados Unidos são 105. O número de casos da Espanha é o maior de todos proporcionalmente: 3.956 para cada milhão.

O Brasil, que apresenta 30.891 casos confirmados e 1.952 atribuídas à covid-19, teve apenas 145 casos e 9 mortes para cada milhão de habitantes. Isso demonstra, por um lado, o acerto das medidas tomadas até agora, que evitaram a propagação muito rápida do vírus. Por outro lado, mostra que é preciso valer-se da experiência de outros países para não incidir nos mesmos erros.

A China negligenciou no início, usou da força da ditadura para calar os que alertavam para o perigo, mas, assim que foi inevitável contar ao mundo o que estava acontecendo, tomou medidas enérgicas para impedir que a população saísse de casa. Relativamente ao número de habitantes, teve apenas 57 casos por um milhão; o número de falecimentos, mesmo com a correção de dados feita ontem, é de 3 por um milhão.

A Alemanha tem a menor taxa de letalidade, 2,9%, enquanto na Itália, Espanha e França passa de 10%, porque adotou as medidas corretas no início. O número de testes lá, na proporção da população, foi o maior em todo o mundo: 20.727 para cada milhão de habitantes. E o sistema de saúde foi eficiente no tratamento dos pacientes.
Um ponto positivo da gestão alemã é que as autoridades consultam constantemente especialistas de saúde de instituições públicas como a representada pelo presidente do Instituto Robert-Koch, Lothar Wieler. Em 27 de março, ele afirmou que o vírus continuaria a se espalhar e que a melhor estratégia era retardar o avanço. O comércio não essencial estava fechado, restaurantes só podiam fazer entregas, mas a frequência aos parques estava livre. Wieler recomendou que fossem reforçadas as medidas de isolamento.

O Brasil, que até agora tem relativamente poucos casos e mortes, proporcionalmente à população, precisa considerar que há dezenas de milhares de exames sem resultado. Um dado positivo é que, enquanto a média mundial é de 21% de mortes para 79% de pacientes recuperados, no Brasil as 1.952 mortes representam 12,21% dos casos encerrados, enquanto os recuperados são 87,79%. O dado preocupante é que, dos 14.913 casos confirmados pendentes de solução, há 6.634 com maior gravidade.

O que há de importante nessas informações é que é imprescindível manter os cuidados, evitar aglomerações e impedir que o número de contaminações cresça repentinamente. Regiões mais densamente povoadas, como a zona Leste de São Paulo, por exemplo, começam a esgotar a capacidade de atendimento do sistema de saúde. A Prefeitura da Capital terá de fazer uso dos CEU’s para atendimento primário de novos casos.

Em Guarulhos, o número de casos confirmados até a quinta-feira, 203, é relativamente baixo na proporção da população: 145, a mesma do Brasil. Mas é preciso considerar que há mais de 2 mil casos aguardando resultado de exames. O fato de a Central de Controle do Coronavírus, no Parque Cecap, estar com mínimo movimento de pessoas é demonstração de que o isolamento social na cidade está funcionando. Na quinta-feira, havia 13 pessoas internadas em enfermaria e seis em UTI, cinco das quais com gravidade. Dois óbitos foram ali registrados e dois pacientes haviam obtido alta médica.

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