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Agronegócio brasileiro tem diversas boas notícias

Brasnorte, MT, Brasil: Área de plantação de soja próxima ao município de Brasnorte, noroeste do Mato Grosso. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Boas notícias chegam da agricultura brasileira: a Conab (Cia. Nacional de Abastecimejto) confirmou que o país colherá a maior safra de sua história: 251,8 milhões de toneladas de grãos e as exportações agrícolas em março de 2020 cresceram 13,3%, comparadas com março de 2019.

Essas e outras informações que constam nesta postagem estão circulando em grupos de WhatsApp. Como há muita coisa distorcida nas redes sociais, nós do Click Guarulhos fomos checar se seria ufanismo ou se são verdadeiras as notícias. Apesar de algumas não serem recentes (que a Indonésia vai comprar 20 mil toneladas de carne bovina, por exemplo, é de agosto de 2019), felizmente são reais.

O Brasil ultrapassará os Estados Unidos na produção de soja, com estimados 122 milhões de toneladas. No milho, será superada a barreira das 100 milhões de toneladas. Quem mais cresceu foi a produção de amendoim: 25%. Os principais alimentos básicos também subiram: trigo (5,4%), feijão (3,3%) e arroz (1,2%) asseguram o abastecimento interno e essa também é uma ótima notícia, apesar de que os aproveitadores valem-se da crise para elevar os preços de forma absurda.

O mundo está comprando, cada vez mais, gêneros alimentícios do Brasil. Mesmo enfrentando a pandemia do coronavírus, ou talvez por isso mesmo, verifica-se aumento da demanda externa e interesse em novos acordos comerciais.

Vários países fecharam entendimentos para acesso aos produtos brasileiros. Destacam-se: Egito: certificou mais 27 frigoríficos de abate de frangos e outros 15 de bovinos; China liberou 11 plantas brasileiras de processamento de peixes (tilápia); Emirados Árabes querem importar ovos galados (fertilizados), para aprimorar a genética de suas aves (o Brasil já exporta para o Marrocos); Kwait retirou barreiras da carne bovina. Já em matéria de exportação de material genético de aves, o Brasil exporta agora para Marrocos e Emirados Árabes Unidos.

Chama a atenção que vários veículos de comunicação reproduziram na íntegra a mesma notícia, que havia sido postada no portal Poder 360 e que, por sua vez, atribuiu as informações ao ex-deputado Xico Graziano, engenheiro agrônomo que deixou o PSDB para apoiar a candidatura de Jair Bolsonaro à Presidência em 2018. Ninguém se preocupou em checar se tudo é exatamente como divulgado.

Além da que citei referente à Indonésia, que está desatualizada, uma das informações está incompleta. Diz que a Argentina irá importar embriões bovinos, sêmen suíno e carne de rã do Brasil. Omite, porém, que o Brasil também decidiu voltar a importar carne bovina da Argentina, depois que ficou comprovado que o país vizinho erradicou febre aftosa.

Detalhe importante: várias notícias que confirmei foram publicadas pelo Globo Rural e pelo portal G-1, ligado à rede Globo, que é tão criticada pelos apoiadores fanáticos do presidente Bolsonaro.

Em resumo, os números são expressivos e positivos para a agropecuária brasileira: em março de 2020, o agronegócio respondeu por 48,3% das exportações brasileiras. Na média do primeiro trimestre deste ano, a fatia do agro corresponde a 43,2% das vendas totais ao exterior.

Temos, por outro lado, notícias ruins relativas à produção de hortaliças, legumes e cogumelos pois com os restaurantes fechados, caiu o consumo e produtores rurais de Mogi das Cruzes, por exemplo, estão tendo de enterrar a produção, ou reduzi-la drasticamente, porque não têm para quem vender ou passaram a ter dificuldade para fazer os produtos chegarem aos consumidores. Iniciativas locais estão procurando manter uma corrente para viabilizar o comércio desses gêneros e a manutenção das famílias que deles dependem totalmente.

Valdir Carleto

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