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EUA autorizam uso de Remdesivir em pacientes graves; Anvisa acompanhará testes

Nesta sexta-feira, 01/5, a FDA, agência norte-americana que avalia e regula alimentos e medicamentos, autorizou emergencialmente a aplicação do medicamento Remdesivir, da farmacêutica Gilead, em pacientes graves que tenham contraído covid-19.

Utilizado para tratamento de ebola há vários anos, o antiviral tem propiciado bons resultados, não no sentido de curar o paciente, mas de reduzir o período de internação de 15 para 11 dias, segundo o diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA e conselheiro de Saúde da Casa Branca, Dr. Anthony Fauci.

Um dos membros da equipe de estudos é o brasileiro André Kalil (foto), infectologista e intensivista gaúcho, que atua há 20 anos na Universidade de Nebraska, nos EUA. Os primeiros testes foram feitos em passageiros norte-americanos que estavam no navio de cruzeiro Diamond Princess, que ficou em quarentena no Japão. Na ocasião, Kalil informou que, embora representasse uma esperança de tratamento, o Remdesivir, como qualquer outro medicamento, tem várias contraindicações e, dependendo do caso, pode ser melhor não administrá-lo, pois os riscos podem ser maiores do que os benefícios.

O medicamento não é vendido em farmácias e ainda não é produzido no Brasil, nem teve pedido de registro apresentado por enquanto. A Anvisa – Agência Nacional da Vigilância Sanitária informou que acompanhará os testes feitos nos Estados Unidos e, se for o caso, autorizar a importação. “Caso o benefício do medicamento se comprove, a Anvisa possui mecanismos, como anuência de uso em programa assistencial e priorização de registro, para garantir o acesso célere do medicamento à população.” 

Alternativas

Outros medicamentos têm sido cogitados como auxiliares em tratamentos contra a covid-19, geralmente em associação com outros. Um deles é a hidroxicloroquina, ministrado junto com azitromicina, embora haja controvérsias sobre o momento ideal em que deve ser aplicado. Diante das contraindicações, há recomendações para que seja usado apenas em pacientes graves. Porém, há médicos que relatam melhores resultados no início dos sintomas. Nos Estados Unidos, praticamente deixaram de aplicar ou reduziram o uso, porque não há estudos conclusivos quanto à eficácia e muitos efeitos colaterais, como arritmia; pessoas com problemas cardíacos podem piorar com uso dessa droga.

Recentemente, surgiu a revelação de que uma das consequências do vírus seria a tromboembolia venosa, o que dificultaria a passagem do oxigênio pelo sangue. Erroneamente, circularam informações de que pacientes poderiam ser tratados em casa com anticoagulantes ou antibióticos, o que foi desmentido pelas autoridades médicas do Brasil e do Exterior. Mas, quanto ao espessamento do sangue, é fato que muitos pacientes o tem apresentado, mas nem em todos os casos anticoagulantes têm sido eficazes.

Outra técnica que vem sendo estudada é a de aplicar plasma de pacientes recuperados.

Enfim, há diversos estudos em curso durante todo o mundo. Porém, nenhum totalmente conclusivo ou que tenha concluído por um medicamento que possa ser aplicado em larga escala.

Até agora, o melhor remédio ainda é a prevenção. Os melhores resultados obtidos em todo o mundo têm sido com isolamento mais amplo possível e a aplicação massiva de testes na população.

(foto do médico André Kalil: reprodução do Facebook)

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