Acolhendo recurso da Advocacia Geral da União, a desembargadora Mônica Rocha, do Tribunal Regional Federal da 3a. Região, desobrigou o presidente da República, Jair Bolsonaro, de entregar neste sábado o resultado de seu exame de contaminação ou não de covid-19.
Uma decisão anterior, da Justiça Federal de São Paulo, determinara a entrega dos resultados. Na sexta-feira, o governo federal entregou um relatório assinado por dois médicos da Presidência, afirmando que Bolsonaro testara negativo para o novo coronavírus e não apresentara sintomas.
Porém, a juíza Ana Lúcia, o documento entregue não correspondia integralmente à ordem e determinou que fossem entregues todos os exames no prazo de 48 horas.
Na nova decisão, a desembargadora estabeleceu o prazo de cinco dias, para haver tempo do relator do processo na segunda instância ter tempo de analisar a defesa apresentada pela União.
Em entrevista a uma emissora de rádio gaúcha, Bolsonaro disse que pode até ser que ele tenha tido a doença, mas que não sentiu nada.
Da comitiva que acompanhou o presidente em uma visita aos Estados Unidos, 23 pessoas testaram positivo para covid-19. Como pacientes assintomáticos podem transmitir o vírus a outras pessoas, o comportamento de Bolsonaro, ao percorrer locais de comércio e tirar fotos com admiradores, pode atentar contra a saúde pública.
No entanto, apoiadores do presidente discordam da decisão de que ele seja obrigado a apresentar exames, argumentando que isso só diz respeito a sua vida particular e questionam porque o médico David Uip, da equipe do governador João Dória, não divulgou qual medicamento foi utilizado para curar-se de covid-19. Líderes de diversos países mostraram os resultados à opinião pública pela Imprensa. Sobre uma receituário em que solicita hidroxicloroquina a uma farmácia de manipulação em seu nome, Uip argumentou que foi na condição de médico que fez a requisição, antes de ser contaminado, e que alguém invadiu indevidamente documento interno de sua clínica.
foto: reprodução de vídeo do YouTube de visita do presidente Bolsonaro a um outlet de Alexânia (GO), neste sábado, 02/5
