Víctor Quaranta, especial para o Click Guarulhos
Em artigo publicado no Click Guarulhos em 16 de junho, fora estimado que o Banco Central (BC) reduziria a taxa básica de juros (Selic) de 3,0% para 2,25% ao ano, o que se confirmou no dia 17, na reunião do Comitê de Políticas Monetárias (Copom) do BC. A expectativa do mercado financeiro fora de que não haveria novos cortes da Selic até o final deste ano.
No entanto; para surpresa dos analistas, o mercado reduziu a expectativa da taxa de juros de 2,25% para 2,00%, aponta a mais recente edição do Boletim Focus (26), publicação semanal do BC. Para o próximo ano, mercado mantêm a estimativa em 3,00%, ao passo que as expectativas para os anos de 2022 e de 2023 são de 5,00% e 6,00%, respectivamente. A redução da Selic deve fomentar uma oferta de crédito mais barato, o que estimula o consumo, o setor produtivo e diminui a inflação. Por outro lado, o futuro crescimento da Selic, para os anos 2022 e 2023, deve encarecer o crédito e estimular a poupança nacional.
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil deve terminar a ano em -6,54%, o que significa uma leve redução, em comparação à estimativa da semana anterior, que era de -6,50%. Os números para os próximos três anos seguintes são de +3,50% (2021) e +2,50% (2022 e 2023). O mercado segue confiante com a recuperação da economia brasileira nos próximos anos, terminada a pandemia da covid-19.
A tendência para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) é de alta, pela terceira semana consecutiva, mas o número continua inferior à meta definida pelo Conselho Monetário Nacional no início do ano, que era de 4%, com uma margem de erro de 1,5%. O IPCA de 2020 passou de 1,61% para 1,63% – no começo de junho, o número era de 1,55%.
A moeda americana deve terminar o ano cotada a R$ 5,20, mesma estimativa da semana anterior, mas vinte centavos menor do que a previsão no começo do mês (R$ 5,40). O mercado acredita que a taxa de câmbio para os próximos anos deva variar de R$ 4,80/US$ 1.00 a R$ 5,00/US$ 1.00.
Em panorama de incerteza e depressão econômica global, provocados pela pandemia do covid-19, a tendência é que os investidores aumentem a procura por ativos de maior segurança, como o ouro e o dólar americano, fazendo com que os seus preços aumentem no mercado internacional. Segundo o Banco Inter, num relatório publicado no começo de mês de junho, o Ibovespa até então acumulara queda anual de -24,42%, apesar da significativa recuperação dos meses de abril (+10,25%) e maio (+8,57%), números que ainda não indicam uma recuperação do mercado nacional. O dólar americano acumulara alta de +32,40% em relação ao real, enquanto que o preço do ouro subiu 14,04% e o petróleo WTI acumulara queda de -41,88%, embora sua cotação tenha subido 88,38% apenas no mês de maio. Segundo Diana Cheng, colunista do Money Times, as vendas de etanol e gasolina devem voltar ao nível pré-crise apenas em 2022, na melhor das estimativas.
Victor Quaranta é bacharel em Turismo, pela Universidade Anhembi Morumbi e pela Universidade Andres Bello (Santiago do Chile), e estudante de História na Universidade Federal de São Paulo
fontes: Click Guarulhos, Money Times e Banco Central
