O nível do Sistema Cantareira, que abastece a região metropolitana de São Paulo, está em 32,9%, de acordo com informação atualizada na manhã desta segunda-feira (14), pela Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). O volume atual do sistema é praticamente o mesmo de um mês atrás, variando apenas 0,4% no período.
Nas últimas 24 horas, foi registrado um aumento de 0,2%. Pelos critérios da Sabesp, o sistema opera em nível de alerta quando o volume é igual ou inferior a 40%. Desde outubro, o volume tem funcionado dentro desse limite. No dia 3 daquele mês, o nível era de 40,7%.
O Sistema Cantareira é composto por seis represas: Atibainha, Cachoeira, Jacareí, Jaguari e Paiva Castro. No total, a capacidade de armazenamento é de quase 1 trilhão de litros de água. O tratamento da água é feito na estação de tratamento do Guaraú, a maior instalação de tratamento da Grande São Paulo.
Mesmo após fortes chuvas no mês de dezembro, o que poucos lembram é que em comparação a 2013, a porcentagem é menor que a pré-crise hídrica, quando operava em 59% do volume.
Especialista confirma previsão da Sabesp
De acordo com o especialista em eficiência hídrica Wagner Cunha Carvalho, CEO da W-Energy e membro do Instituto para a valorização da Educação e da Pesquisa no Estado de São Paulo (IVEPESP), apesar do período ser úmido, o risco de um novo racionamento hídrico no primeiro semestre de 2021 não é descartado. “Apesar de percebermos que as represas e reservatórios estão com um volume de água considerável, é adequado levarmos em consideração as medições feitas nos últimos anos. Não estão descartados cortes no abastecimento de água no período de seca, uma vez que os níveis dos reservatórios da Guarapiranga e da Cantareira são bem parecidos com os de março de 2013, um ano antes da pior crise hídrica dos últimos cem anos”, explica.
Wagner ainda diz que outros agravantes batem à porta da população, sem ao menos que percebam. “A natureza não se regenerou e esse ano temos que fazer diferente. Não dá para economizar somente quando os níveis dos reservatórios estiverem ainda mais baixos. Temos que administrar essa quantidade do recurso hídrico agora e aproveitar enquanto ainda temos um ‘cheque especial’ de água. O sistema do planeta está interligado, desde o desmatamento na Amazônia até o crescimento populacional, o aquecimento global, a produção excessiva de lixo, etc. Tudo isso interfere nas más condições hídricas que enfrentaremos daqui para frente”, ressalta.
Apesar de dezembro a março serem meses chuvosos, é preciso adotar métodos de economia do recurso hídrico em residências, empresas, indústrias e condomínios para acabar com o desperdício. “O comportamento humano ainda é o maior economizador dos recursos naturais e financeiros que existem. Apesar disso, existem peças específicas, popularmente chamadas de adaptadores econômicos, que acoplados às saídas de torneiras e em sanitários, poupam cerca de 90% de água por minuto em relação às torneiras comuns. São tecnologias importadas da Suécia e Alemanha, com baixo custo e eficiência comprovada. Além disso, a comunicação visual, cultura sustentável, varredura em canos no subsolo com Geofones, para detectar possíveis defeitos invisíveis e todo um suporte virtual, garantem uma economia eficiente e altamente sustentável em qualquer casa, empresa, indústria ou condomínio”, diz.
O especialista ainda ressalta:
– Evite tomar banhos demorados. Para as crianças, use um “timer” de 5 minutos, como um desafio positivo. Priorize a água para enxaguar o corpo.
– Evite fazer a barba (homens) e lavar lingeries (mulheres) durante o banho.
– Não use a descarga para outros fins, como lixeira de papel.
– No ato de lavar a louça, limpe bem os restos de alimentos e enxague-a toda de uma vez.
– Lave as roupas na máquina quando estiver com o cesto cheio. No tanque, feche a torneira enquanto ensaboa as peças.
– Não utilize a mangueira para lavar o carro e a casa. Priorize um balde e pano.
