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Paraisópolis entrará na justiça por socorro emergencial

Correndo risco de ficar sem atendimento de resgate emergencial para mais de 100 mil pessoas, líderes de Paraisópolis, comunidade localizada na Zona Sul de São Paulo, entrarão na justiça contra a prefeitura de São Paulo exigindo que o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) atenda as pessoas que residem no local.

Os moradores relatam que sempre tiveram dificuldade em receber o atendimento das ambulâncias e socorristas do SAMU dentro da comunidade. Porém, durante a pandemia, a situação se agravou. Muitos chamados não foram respondidos pelo serviço da Prefeitura e, em alguns casos, foi necessário acionar ambulâncias particulares para que o atendimento fosse realizado.

Para evitar uma situação ainda pior, a solução encontrada pelo G10 Favelas foi contratar serviços terceirizados: “Decidimos, logo no início da pandemia, realizar a contratação de três ambulâncias, sendo uma delas UTI completa com respirador e as outras duas básicas. Contratamos também uma equipe de profissionais de saúde com dois médicos, quatro enfermeiros e dois socorristas que atendem a partir dos chamados dos presidentes de rua e ficam 24 horas, a disposição, na comunidade”, explica Gilson Rodrigues, líder comunitário e co-fundador do G10 Favelas.

Para arcar com as despesas do serviço particular, que já socorreu 10.500 moradores, o G10 Favelas, aliado à União dos Moradores e Comércio local, conta com doações de empresas e pessoas físicas. Em junho Paraisópolis ficou dois dias sem o atendimento móvel privado, pois não havia verba suficiente para arcar com os valores cobrados pela prestadora. Quando conseguiram sanar o problema, os serviços foram retomados com apenas duas ambulâncias em circulação e essas só continuarão atendendo até o dia 20 de dezembro, visto que, novamente por falta de recursos, o contrato será rompido.

Sem perspectiva de que as doações aumentem e vendo os números de casos de infectados pela COVID-19 subirem, os responsáveis decidiram entrar com uma ação na justiça, contra a prefeitura de São Paulo, requerendo que o Órgão Municipal garanta o atendimento de resgate e socorro emergencial, com rapidez e segurança, para todos os moradores de Paraisópolis, seja através da instalação de uma base do SAMU na Comunidade ou através de outras medidas cabíveis. 

“Infelizmente tivemos que acionar o departamento jurídico. Se os especialistas estiverem certos, janeiro será um mês de luto e nós não podemos esperar uma tragédia acontecer para tomar uma providência. Estamos há mais de 270 dias falando sobre isso e nada aconteceu” lamenta Gilson Rodrigues.

Segundo os advogados responsáveis pelo caso, André Lozano Andrade e Thiago Gomes Pereira, o objetivo da ação é fazer com que o SAMU comece a atender dentro de Paraisópolis. “O SAMU se recusa a atender as pessoas da comunidade, elas chamam a ambulância e eles simplesmente não chegam. As vezes dizem que não entram porque as ruas são muito estreitas, porém caminhões, ônibus e até viaturas da polícia circulam pelo local, apenas o Samu não entra, o que demonstra inclusive discriminação com as pessoas que vivem em Paraisópolis, fazendo com que elas não tenham direito à saúde no atendimento de emergência, por exemplo,” explica Andrade.

Nos últimos meses, Paraisópolis tem sido símbolo de combate à pandemia do COVID-19, ganhando reconhecimento nacional e internacional, graças às iniciativas criadas pelo G10 Favelas para diminuir o impacto do vírus na comunidade, tem ganhado reconhecimento nacional e internacional.

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