O advogado-geral da União, José Levi Mello do Amaral Júnior, pediu hoje (29) para deixar o cargo. Ele estava no posto desde abril do ano passado.
A decisão foi oficializada em carta enviada ao presidente Jair Bolsonaro. “Com o meu mais elevado agradecimento pela oportunidade de chefiar a Advocacia-Geral da União (AGU), submeto à elevada consideração de Vossa Excelência o meu pedido de exoneração”.
Antes de chegar à AGU, Levi ocupava o posto de procurador-geral da Fazenda Nacional. Levi é graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e tem doutorado em Direito do Estado pela Universidade de São Paulo, instituição onde também é professor, com título de livre-docência em direito constitucional. Tem pós-doutorado em Direitos Humanos pela Universidade de Coimbra, de Portugal. Já ocupou o cargo de secretário executivo do Ministério da Justiça e de consultor-geral da União na AGU.
Ministro das Relações Exteriores também está de saída
No mesmo dia em que o presidente Bolsonaro demitiu o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e que o advogado-geral da União pediu para sair, quem também está deixando o posto é o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo.
Sob forte pressão do Congresso, principalmente do Senado, Araújo colecionou atritos e desgastou a imagem do Brasil no Exterior. Na manhã desta segunda-feira, reuniu-se com assessores e comunicou sua saída do cargo. Seu sucessor ainda não está definido, mas é dado como quase certo que será também alguém da mesma parcela do governo da qual faz parte, a chamada “ala ideológica”, que tem como guru o professor Olavo de Carvalho.
Para o lugar de Fernando Azevedo, especula-se que Bolsonaro deva deslocar o general Walter Braga Neto, atualmente ministro-chefe da Casa Civil.
Outras substituições na equipe não estão descartadas. Entre observadores, o comentário dominante é que a costura para obtenção de apoio parlamentar entre componentes do chamado Centrão está custando caro ao presidente Bolsonaro, a tal ponto que o Brasil vive quase um parlamentarismo disfarçado ou um semipresidencialismo, algo bem diferente do que se propunha no início do governo.
