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Guarulhos perde o advogado e ex-vereador Mylton Mesquita

Faleceu nesta quinta-feira, 1 de abril, aos 94 anos, o advogado e ex-vereador Mylton Mesquita. Já estava debilitado há algum tempo, foi acometido de pneumonia e, embora levado rapidamente ao hospital, não resistiu.

Ele exerceu a vereança de 1952 a 1963 e foi presidente da Câmara Municipal no último mandato. Por muitos anos exerceu a Advocacia e atuou por décadas como presidente da então Cooperativa de Crédito de Guarulhos, conhecida popularmente como “Banquinho”, atualmente integrada ao Sicoob Metropolitano. Foi também um dos fundadores do Lions Club Guarulhos-Centro e secretário-adjunto de Assuntos Jurídicos da Prefeitura nos anos 1990.

Entre seus quatro filhos, Hugo e Lúcio seguiram seus passos: ambos atuam como advogados e Hugo participa ativamente no Cooperativismo de Crédito, uma das paixões do pai. Outros dois filhos, Mylton e Isaura fizeram carreira na Odontologia.



Após ficar viúvo, Mylton Mesquita casou-se em segundas núpcias
com a professora Ivone Pontes Moraes.


Dadas as circunstâncias do momento,
não haverá velório e o sepultamento será de forma singela
no túmulo da família, no cemitério São João Batista, no Centro.

Câmara Municipal registra pesar



O Poder Legislativo divulgou nota oficial:

O presidente da Câmara de Guarulhos, vereador Fausto Miguel Martello, lamenta com grande pesar a notícia do falecimento nesta data, do advogado Dr. Mylton Mesquita, aos 94 anos. Ex-vereador e presidente da Casa Legislativa em 1963, foi uma das personalidades mais atuantes e conhecidas da Cidade.

Como advogado, Mesquita foi um dos primeiros inscritos na OAB-SP. Ele também foi um dos fundadores e presidiu a Cooperativa de Crédito de Guarulhos, hoje Sicoob Metropolitano, e foi um dos fundadores da Associação Comercial e Empresarial de Guarulhos, da qual foi presidente do Conselho Deliberativo em algumas gestões. “Nossos sentimentos a toda família. Sentiremos muito a sua falta”, disse Martello.

Depoimento pessoal

Vindo morar em Guarulhos em 1975, fui transferido para a agência da rua Felício Marcondes do Banco do Brasil em 31 de março de 1976. Logo depois fiquei conhecendo a Cooperativa de Crédito de Guarulhos e, apresentado por colegas, associei-me. Encantei-me com a filosofia do Cooperativismo de Crédito, com o tratamento isonômico a todos os cooperados nas Assembleias Gerais, independentemente do capital de cada um.

Passei a movimentar a conta e, na primeira vez que fui pedir empréstimo, ouvi uma ladainha do diretor-gerente, Odair Ribeiro, enumerando cada item a ser observado, para que a Cooperativa sempre pudesse atender a todos.

Algum tempo depois, conheci o Dr. Mylton, como todos o chamavam. Achei-o sisudo, exigente, até um pouco bravo, ao repetir a ladainha que eu já ouvira em detalhes. Confesso que algumas vezes que fui para tratar de empréstimos, se o Odair não estivesse, eu voltava sem falar com Dr. Mylton. Até que, depois que ele conheceu o Jornal Olho Vivo e soube que “a culpa” era minha, houve uma aproximação e eu passei a descobrir naquela sisudez apenas o apego do experiente advogado e dirigente cooperativista às normas e o máximo respeito ao direito coletivo.

No fim dos anos 1990, quando eu já havia saído do BB, haveria uma Assembleia Geral para eleição de novo Conselho e eu me propus a ser candidato. Ele me disse que havia sido formada uma chapa e que, se eu quisesse fazer parte, deveria ter me apresentado antes. Aceitei a regra do jogo. Porém, ao participar da Assembleia, fui surpreendido com meu nome anunciado como membro da chapa única que estava sendo colocada em votação. Assim, por quatro anos, exerci a função de diretor de turno, que era em rodízio: éramos três e cada um assumia a cada três meses. Foi uma ótima oportunidade para conhecer mais de perto o Dr. Mylton e passar a admirá-lo cada vez mais.

A eleição de Luís Roberto Mesquita para presidir a Associação Comercial deu-me também a chance de conviver com outros membros da família. Com ele e com Hugo Mesquita, fundamos a Associação Guarulhense para Defesa da Cidadania, entidade que desempenhou importante papel na história política relativamente recente da cidade.

Cada membro da família Mesquita que conhecia aumentava meu conceito a respeito dela. Testemunhei o quanto são gente trabalhadora, legalista e honesta. Apenas a título de exemplo, devo citar: a então Comercial Mesquita vendia muitos itens que a ACIG (atual ACE) precisava consumir. Uma das atitudes iniciais de Luís Roberto foi determinar que nada fosse comprado na loja de sua família, para que nenhuma dúvida surgisse a respeito da lisura de sua gestão. Nos deslocamentos que fazia a serviço da entidade, ele pagava do próprio bolso as despesas.

No início dos anos 2000, vendi para Dr. Mylton o imóvel que era sede do Olho Vivo, na Vila Moreira e passei a ser locatário. Cada detalhe do que foi combinado foi cumprido e encontrei nele um senhorio sempre disposto ao diálogo e agindo com bom senso.

Decano dos advogados de Guarulhos, Mylton Mesquita, no lançamento do meu livro “Era apenas uma brincadeira”, em 2017

Estive presente em muitos momentos festivos da família Mesquita, sendo muito grato pela acolhida sempre carinhosa e respeitosa de todos eles, incluindo a comemoração dos 90 anos do Dr. Mylton (link aqui), quando pude conhecer o compositor Arquimedes Messina (agora também saudoso), autor de alguns dos mais célebres jingles de grandes anunciantes, como a Varig, o Café Seleto e as Casas Pernambucanas.

Enfim, neste triste momento em que lamentamos muito o passamento de Mylton Mesquita, senti-me movido a fazer este registro em sua homenagem e a toda sua família, eis que ele era o último remanescente dos seis irmãos, cada qual com sua história e seu legado. Que todos os descendentes honrem os bons exemplos deixados.

A todos os seus familiares: sintam-se fraternalmente abraçados.

Valdir Carleto

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