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Maternidade JJM comemora 100 mil partos realizados

A Associação Beneficente Jesus, José e Maria foi fundada em 13 de maio de 1980, por uma inspiração do plano espiritual, segundo seus fundadores. Foi idealizada por Maria José Furquim Curci, conhecida como Dona Pina. Durante muito tempo, foram feitos eventos e campanhas de arrecadação de recursos; a obra foi lenta e só em 16 de dezembro de 2002 a Maternidade JJM foi inaugurada.

Em 7 de abril deste ano, realizou 100.000 nascidos vivos, trazendo ao mundo, às 23h45, a nova guarulhense, que recebeu o nome de Helena. Filha de Gisele e Caio, ela nasceu com 3,785 quilos e 52 centímetros. Gisele tem 18 anos, mesma idade da Maternidade e de Rebeca, a primeira criança nascida na JJM.

A expressiva marca cresce de significância por terem sido todos os mais de 100 mil partos feitos por meio do SUS (Sistema Único de Saúde): ninguém paga pelos partos ou outros procedimentos. Segundo o empresário Luis Roberto Mesquita, que atua como voluntário no Conselho da entidade, isso faz parte dos princípios que nortearam a fundação da Associação, totalmente sem fins lucrativos, onde todos possam ser atendidos da mesma forma, com bom atendimento e sem discriminação. Ele cita que todos os cargos são voluntários. “Não há remuneração alguma, de nenhum tipo”, afirma.

O administrador Nelson Fernandes Júnior informa que mensalmente são feitos, em média, 540 partos. “Atendemos além da nossa capacidade. Senão, onde essas pessoas seriam atendidas? É uma luta constante. A JJM foi considerada a maior maternidade SUS em número de partos no Estado de São Paulo. No Brasil, não sabemos se é”, diz ele.

O SUS cobre cerca de 40% dos custos. O complemento que o Município de Guarulhos subsidia é ainda insuficiente. Porém, tanto do SUS quanto da Prefeitura são recursos que não podem ser aplicados em investimentos. Então, a Maternidade depende de emendas parlamentares, estaduais ou federais, que sejam específicas para determinado investimento.

O hospital tem 31 unidades de terapia intensiva, sendo 16 de UTI neonatal e 15 leitos de cuidados intermediários, que é quando os bebês já não precisam de respirador, de cuidado tão intensivo, mas ficam para ganhar peso e estarem em condições de terem alta. “Em ambos, os pais podem acompanhar. Aliás, a presença das mães é fundamental, acariciando a criança. Elas recebem alimentação aqui”, cita Mesquita.

Além do parto, outros procedimentos são realizados. “Se o bebê precisa de alguma medicação especial, por um problema cardiológico ou pulmonar, o SUS não cobre; os pais nem têm ideia de quanto custa. Às vezes, cateteres especiais, mais caros, o SUS não cobre e nós fornecemos, de boa qualidade.  E há casos em que a mãe precisa ficar internada, cujos procedimentos nem sempre o SUS paga, inclusive medicamentos especiais. Para ter ideia de nossas necessidades, basta dizer que consumimos 10 mil fraldas descartáveis por mês e fornecemos 20 mil refeições, para pacientes e funcionários. São necessários mais de 2 mil itens de materiais de enfermagem e medicamentos, e lavar 30 toneladas de roupas hospitalares por mês”, enumera o conselheiro.

Em 2020, o Conselho Deliberativo escolheu Nelson Fernandes Júnior para a Diretoria Executiva, por ter 20 anos de experiência, para que ajude a melhorar a gestão, torná-la mais eficiente, reduzindo custos e aperfeiçoar a qualidade. Um fator importante é que ele é experiente em gestão de recursos públicos, porque a Associação JJM tem de prestar contas de cada centavo que entra ali. “A expressão que define é a sustentabilidade de longo prazo, que é um desafio de todas as entidades filantrópicas”, frisa Nelson Fernandes Júnior.

Em 2020, foi feita uma campanha para comprar uma nova autoclave.

É uma câmara para esterilizar todos os equipamentos médico-hospitalares, instrumentais, como pinças, bisturis, trajes utilizados durante cirurgias. Após esterilizados, os materiais passam direto para o centro cirúrgico. Havia duas autoclaves, sendo uma com 18 anos de uso, que não tinha mais conserto. E outra, que veio por uma emenda parlamentar, há cerca de dois anos.

Em parceria com a JJM, o Projeto Abraço desenvolveu uma campanha de arrecadação de lacres das latinhas de alumínio, visando angariar recursos, utilizando sua experiência na área e sua rede de coleta dos lacres. Além disso, várias pessoas organizaram-se para recolher em seus condomínios em Guarulhos e uma integrante do Rotary Club coletou vários quilos de lacres. A campanha teve um efeito colateral muito positivo, de motivar pessoas e empresas a se mobilizar por doações. Por exemplo, a entidade ganhou uma motocicleta para ser sorteada. E surgiram doações de diversos valores: uma empresa doou R$ 10 mil, outra R$ 5 mil. Um grupo de moradores do Jardim Maia se quotizou para angariar doações; foram inúmeras iniciativas. “Tivemos até doações de 5 reais, o que demonstra que a pessoa quis ajudar e só não deu mais porque não podia. Isso chega a nos comover”, afirma Mesquita.

Segundo Fernandes Jr., a campanha dos lacres arrecadou o valor de R$ 287.178,19, no período de outubro de 2020 a janeiro de 2021. Somando-se a doações de empresas e de pessoas físicas, foi possível adquirir a nova autoclave e colocá-la rapidamente em funcionamento.

Quanto ao custeio das despesas, ele menciona que a instituição está lidando com um aumento dos custos ocasionados pelos cuidados extras e pela majoração de preços provocados pela pandemia da covid-19. “Adotamos medidas de racionalização de custos e estamos trabalhando as possibilidades de aumento das receitas”, acrescenta. Sobre os novos planos, ele responde que a curto prazo o objetivo é o reequilíbrio econômico e financeiro da prestação de serviço ao SUS e a médio prazo pretendem proceder à renovação dos equipamentos hospitalares.

Como demonstrado, para poder continuar prestando serviços de qualidade à população, fazendo milhares de mães felizes e bem atendidas, a Associação Beneficente Jesus, José e Maria precisa que a população contribua para ampliar a arrecadação. Doações em dinheiro podem ser feitas pelo PIX da entidade, que é o CNPJ 43.987.668/0001-87. Ou diretamente para a conta-corrente no Banco Itaú: agência 7648, c/c nº 19684-3.

Continua também a campanha de arrecadação dos lacres, agora direcionada à finalização do futuro Instituto da Mulher, cujo prédio foi construído, mas falta muito para poder funcionar. Quem preferir pode ajudar de outras formas. Uma delas é colocando a Associação JJM como beneficiária de suas notas fiscais. Outra, doando, por exemplo, fraldas descartáveis para recém-nascidos. Roupinhas de bebê também são sempre bem-vindas, porque muitas mães não têm condições de comprar. Leite não pode ser aceito, porque um dos princípios da instituição é o incentivo à amamentação.

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