Ato corriqueiro para a população feminina em período menstrual, a compra de absorvente descartável não é acessivel para mulheres que vivem situação de extrema pobreza ou em situação de rua.
Segundo a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE, no Brasil 7,2 milhões de mulheres vivem em situação de extrema pobreza. Levando em conta que a maioria delas está em idade reprodutiva e menstrua, é possível afirma que muitas vivenciam também a chamada pobreza menstrual. O relatório “Pobreza Menstrual no Brasil: desigualdade e violações de direitos”, lançado no dia 28 de maio, Dia Internacional da Higiene Menstrual, pelo Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) revela que, no Brasil, cerca de 713 mil meninas vivem sem acesso a banheiro ou chuveiro em seu domicílio, e mais de 4 milhões não têm acesso a itens mínimos de cuidados menstruais nas escolas.
A pobreza menstrual, segundo a publicação, não significa apenas a falta de acesso a absorventes – descartáveis ou não -, mas também a ausência de saneamento básico, água e infraestrutura de higiene na casa e na escola, além da desinformação sobre o próprio corpo.
Com mais da metade de população composta de mulheres e parte delas, vivendo em situação de rua ou integrante das classes sociais mais baixas, muitas vezes tem que recorrer a qualquer outro material para fazer as vezes de absorvente. Na chamada pobreza menstrual há relatos do uso de sacolas plásticas, pedaços de papelão, retalhos, algodão, miolo de pão e toalhas para conter o sangramento. Com a falta de higiene dá para imaginar quais as consequências do uso desses parcos recursos para a saúde da mullher e o porquê essa triste realidade tem mobilizado centenas de pessoas em todo o Brasil. No Senado, a senadora Zenaide Maia (PROS-RN) é relatora de uma sugestão legislativa que determina a distribuição de absorventes para mulheres de baixa renda e em situação de rua.
Elas Somos Nós
E pensando na rotina mensal de higiene da mulher em situação de rua que as amigas advogadas Paula Moutinho, Valéria Noberto, Patrícia Lima e Gabriella Silvestre iniciaram a campanha Elas Somos Nós que hoje conta com adesão de dezenas de advogadas e profissionais de todos os segmentos para a arrecadação e distribuição de absorventes higiênicos descartáveis em Guarulhos.
Ao falar da campanha Paula reforça a união de todos em torno da temática ainda reconhecida como um tabu. “Acreditamos na mobilização da sociedade civil como instrumento hábil, forte e transformador, sendo que a soma de esforços pode modificar as mazelas sociais, principalmente no caso das minorias”.
A campanha está no Instagram @elassomosnos e aguarda um grande engajamento em torno dos direitos menstruais. “Estamos nos mobilizando para atenuar essa carência e contamos com a valorosa ajuda de todas as pessoas de nossa cidade”, diz Paula.
“Direitos Menstruais são Direitos Humanos Fundamentais a todas as mulheres, mas que as vulneráveis têm dificuldade de exercer com dignidade”, reitera Paula.
Serviço
Para a ajudar na Campanha Elas Somos Nós, as advogadas disponibilizaram três postos de arrecadação que funcionam de segunda a sexta-feira, em horário comercial:
Rua Octávio Forghiere, 204, Centro de Guarulhos.
Rua Darcy Vargas, 64, Centro de Guarulhos
Rua Flor da Serra, 205, Vila Carmela
