A pandemia que vem varrendo o mundo e escancarou ainda mais o abismo social que isola pessoas vulneráveis no Brasil, também mostrou a força das entidades do terceiro setor no combate à fome e à miséria no país.
Em São Paulo, uma coalização formada por 50 ONGs em março de 2020, uniu lideranças e voluntários para lutar pelo acolhimento da população em situação de rua em um momento em que ficar em casa significa preservar a vida. A pergunta “ficar em casa, mas em que casa?” ecoou nas redes sociais chamando atenção para a necessidade do apoio a essa parcela da população. O Movimento Na Rua Somos Um vem trabalhando desde então para amenizar os efeitos da pandemia nos mais vulneráveis.
Coordenado por Christian Braga, fundador e presidente do Instituto GAS – Grupo de Atitude Social e Monica Cerantola, co-fundadora da Ecos, o movimento na Rua Somos Um já distribuiu por meio das entidades participantes mais de 500 toneladas de alimentos, 38.461 cestas básicas, que juntas somam R$ 2.365.351,50.
Desde 2016, o Instituto GAS trabalha nas madrugadas de São Paulo e cidades adjacentes no atendimento mensal a 7 mil pessoas em situação de rua e 1.500 famílias em comunidades de extremo risco social.
Para Christian, a pandemia reforçou ainda mais a importância das ONGs na busca pela justiça social na cidade. “No caso do GAS, por exemplo, nós vimos o número de pessoas nas ruas aumentar diante dos nossos olhos. Isso nos forçou a atuar em outra frente de socorro humanitário, ajudando pessoas em comunidades para que elas também não fossem parar nas ruas. Sem a atuação das organizações civis a situação estaria ainda mais caótica”, reflete.
O Brasil tem 125,6 milhões de pessoas* em situação de insegurança alimentar na pandemia, ou seja, mais de 120 milhões de pessoas sem acesso à alimentação adequada, sem frequência ou qualidade. Se a fome já era companheira de longa data dos brasileiros, na pandemia ela foi alçada a um patamar tão letal quanto do próprio vírus.
Mas, ao mesmo tempo em que as entidades do terceiro setor protagonizam ações de socorro, o apoio a elas e ao trabalho que realizam não acompanha esse crescimento. Muitas delas viram a arrecadação cair. “Nós não funcionamos através de apoio político ou religioso, ou seja, a nosso recurso vem inteiramente da doação de pessoas-físicas. Se pensarmos que muitas dessas pessoas perderam seus empregos, tiveram seus rendimentos reduzidos ao mesmo tempo que o custo de vida foi puxado para cima com a alta surreal dos alimentos, gás de cozinha e luz, dá para ter uma ideia do cenário dificultoso que se apresenta para as ONGs no Brasil”, completa Braga. “O momento só nos mostra que nunca foi tão importante a materialização do bem em prol do socorro ao próximo. E todo mundo pode fazer a sua parte, todo apoio conta e faz diferença”, finaliza.
Para saber mais acesse nas redes sociais os perfis das ONGs citadas e saiba como ajudar: Instagram: @institutogas e @naruasomosum
Para ajudar: apoia.se/institutogas
*Dados do estudo Efeitos da pandemia na alimentação e na situação da segurança alimentar.
