Sofrendo de depressão há 14 anos, Luiz Carlos Reis, 56 anos completados em 11 de setembro, era funcionário da Proguaru.
Segundo familiares, sua situação agravou-se com a decisão da gestão municipal, corroborada por vereadores, de fechar a empresa. Chegou à atitude extrema de dar cabo à própria vida.
No sábado, 18/9, faleceu. Seu corpo está sendo velado no Cemitério do Campo Santo, na Vila Rio de Janeiro, na manhã deste domingo.
Greve
Decidida em assembleia realizada no Bom Clima na quarta-feira, a greve dos servidores da Proguaru está marcada para ter início nesta segunda-feira, 20/9. Como primeira consequência, causou a autorização do secretário municipal de Educação, Alex Viterale, para a suspensão das aulas presenciais nas escolas que não tenham estrutura própria para manter todos os protocolos de higiene e saúde. Há unidades de ensino que manterão as aulas presenciais e outras nas quais passarão a ser remotas.
Efeito político
Independentemente das razões de ordem técnica que tenham levado o prefeito Guti (PSD) à atitude de fechar a empresa, mesmo embasado em auditoria feita pela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o fato é que o fim da Proguaru está provocando uma enxurrada de críticas à sua administração. Mesmo que se possa atribuir o efeito negativo à ação de oposicionistas, é nítido na opinião pública a rejeição à medida, até porque a Prefeitura terá de contratar terceirizados para desempenhar os serviços até agora executados pela Proguaru. Está previsto que 4.700 funcionários fiquem desempregados. Não há qualquer garantia de que as empresas que venham a ser contratadas os empregue e boa parte deles está em faixa etária que pode dificultar uma nova colocação.
A Comissão de Estudos do Legislativo, que analisou o caso, resultou em dois relatórios: um, do relator André Alves (Cidadania), recomendando o fechamento da Proguaru; outro, de vereadores contrários, tendo à frente Edmilson Souza (PSol), sugerindo a manutenção, com reestruturação da empresa.
Assinaturas foram colhidas entre a população, propondo a realização de um referendo, que haveria de ser feito junto com as eleições nacionais de 2022. Encaminhado o pedido ao TRE – SP- Tribunal Regional Eleitoral pelo presidente Fausto Miguel Martello (PDT), foi rejeitado, sob argumento de que teria de ter sido votado em plenário e não enviado à análise de forma automática. No entanto, Souza e Martello – contrários ao fechamento – entendem que o TRE-SP interpretou equivocadamente o Regimento Interno da Câmara. Por isso, a Presidência está recorrendo, insistindo que ocorra o referendo popular. Por decreto, baseado em lei aprovada pelo Legislativo em dezembro de 2022, o prefeito Guti determinou o fechamento da Proguaru no final de 2021.
Acontecimentos como a morte de Luiz Carlos Reis e os desdobramentos da greve dos funcionários da empresa podem incrementar os protestos contra a decisão de Guti, que se mostra irredutível. Ao que parece, apenas uma sentença do TRE-SP autorizando o referendo pode fazer com que a Proguaru sobreviva por mais tempo.
Valdir Carleto
Funcionário da Proguaru com depressão comete suicídio
