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Com mais dois corpos resgatados sobe para dez o número de mortos em Capitólio

Os corpos de duas vítimas desaparecidas no desmoronamento de um bloco de pedras no lago de Furnas, em Capitólio (MG), foram encontrados na tarde deste domingo, segundo informou o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. A tragédia deixou um saldo de dez mortos e pelo menos 32 feridos. Não é totalmente descartado que haja mais alguém desaparecido, conforme prefeitos da região em entrevista coletiva transmitida há pouco. A hipótese é de que alguém que não estivesse em grupo possa ter sido vítima e sua ausência ainda não reclamada por familiares. As buscas pelos bombeiros continuarão, enquanto tem início da fase de investigações sobre as causas do acidente.

Postagem feita pelo médico Flávio Freitas em março de 2012

Em 2012, o médico Flávio Freitas, de 52 anos, passeando pelo local, observou que havia uma fenda no rochedo que lhe pareceu perigosa. Ele arriscou postar no Facebook a fotografia com a expressão: “Essa pedra vai cair”. Ao ver as imagens do acidente, comparou com a foto tirada há dez anos e não teve dúvidas de que se trata do mesmo local.

No entanto, há controvérsias quanto ao local da fotografia. O prefeito de Capitólio, Cristiano Silva, disse a foto de 2012, que mostra um paredão com fissura larga, não se refere à rocha que desabou, mas a uma que continua intacta no trecho central do cânion. De acordo com ele, a fissura no bloco que desmoronou era menor que a da pedra mostrada na foto postada pelo médico há quase dez anos.

Indagados por repórteres sobre possíveis responsáveis pela falta de monitoramento dos rochedos, membros das polícias e prefeitos da região responderam que é cedo para tirar conclusões e que no momento os esforços são para dar amparo às famílias enlutadas, pois nunca aconteceu algo parecido. Rachaduras nas pedras são relativamente comuns, segundo disseram os prefeitos. Será necessário aguardar que a Marinha, a Polícia Federal e outros órgãos avancem nas apurações das causas.


Dificuldade de identificação

O delegado regional de Passos (MG), Marcos Pimenta, relatou à Imprensa as dificuldades que estão sendo encontradas para identificação das vítimas, várias de uma mesma família. Há identificação informal, com base em sinais particulares, tatuagens e vestimentas, mas ainda não a necessária para os procedimentos burocráticos e liberação dos corpos. Apenas dois foram completamente identificados.

O oitavo corpo havia sido resgatado de manhã. Os corpos foram levados para o Instituto Médico Legal de Passos (MG), onde estão sendo identificados com a ajuda de papiloscopistas enviados pela Superintendência da Polícia Federal de Belo Horizonte.


Medidas de segurança

Os prefeitos de São José da Barra, Paulo Sergio de Oliveira, e de Capitólio, Cristiano Silva, anunciaram que medidas para reforçar a segurança do turismo no lago de Furnas serão discutidas amanhã (10). O encontro reunirá prefeitos da região e representantes da Defesa Civil de Minas Gerais, da Polícia Militar e da Marinha.

Segundo o prefeito de Capitólio, uma lei municipal de 2019 disciplina o turismo no cânion, proibindo banhos na área de circulação das lanchas e limitando a 40 o número de embarcações que podem permanecer por até 30 minutos na área do cânion. Além disso, normas da Marinha estabelecem o ordenamento da orla do lago.

Ele admitiu, no entanto, que, até agora, não existia uma norma sobre a distância mínima entre as lanchas e os paredões rochosos. Segundo ele, um perímetro mínimo de segurança só poderá ser definido após estudo técnico. O prefeito ressaltou que o desprendimento de um bloco tão grande é inédito na região.

“Meu pai vive aqui há 76 anos e nunca viu um desligamento de rocha desses. Acredito que, daqui para a frente, a gente precisa fazer uma análise [geológica]. Aquelas falésias estão ali há milhares de anos. Essa formação rochosa de quartzito tem essas fendas e fissuras. Já foram feitos vários estudos geológicos. Se tinha algum risco, tinha de ser emitido por um órgão superior”, explicou.


*inclui dados da Agência Brasil
*foto do Corpo de Bombeiros de MG

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