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Pessach, a Páscoa Judaica, começou nesta sexta, 15

Começou nesta sexta-feira (15) o Pessach, termo hebraico do qual deriva a palavra Páscoa. É um memorial instituído pelo próprio Deus, segundo as escrituras, para que seja sempre lembrado de sua escravidão no Egito e como Deus libertou seu povo com mão forte.

A história descrita no livro de Êxodo relata a última das dez pragas de Deus para os egípcios: a passagem do anjo da morte, que ceifaria a vida de todos os primogênitos do Egito. Segundo o que está escrito, somente seria salvo quem tivesse nos umbrais das portas o sangue de um cordeiro morto.

Como ordenado, os hebreus também ficaram dentro de suas casas e comeram um cordeiro assado com ervas amargas e pães ázimos, sem fermento – não tinham tempo para deixar a massa levedar, pois a qualquer momento poderiam partir daquela terra. Esse tipo de pão é feito até hoje no período e chama-se “matzá”.

Durante os oito dias em que se é comemorado o “Pessach”, é proibido ingerir alimentos e bebidas feitos com fermento, que representa o orgulho – sentimento negativo e do qual as pessoas precisam se livrar nos dias que antecedem a festa.

Segundo a Confederação Israelita do Brasil, a celebração é marcada por dois jantares em dias seguidos, nos quais é lida na “Hagadá” (narração) a história da Páscoa Judaica, estimulando a participação das crianças da família. Os judeus têm por mandamento narrar às futuras gerações a libertação do Egito. Alimentos simbólicos são colocados em um prato especial (“keará”) em frente ao lugar do chefe da família. Ao lado deste, coloca-se uma vasilha com água salgada para lembrar as lágrimas derramadas durante o período de escravidão. Nessa água, devem ser molhadas todas as verduras antes de serem levadas à boca. É importante também que as casas estejam limpas e arrumadas e que, se possível, todos os talheres usados sejam exclusivos para essa celebração.

O médico guarulhense Cláudio Galvão Bueno segue fielmente os preceitos judaicos. Para ele, o Pessach enaltece a importância da liberdade para todos os povos e é algo que permanece atual.

“A festa é um simbolismo que remete a quando Moisés liderou a rebelião do povo hebreu com a fuga do Egito pelo deserto do Sinai em direção a Canaã, a terra prometida (hoje Israel). Festeja-se a disposição de sermos livres, sem ocultar nem negar nossos medos, inseguranças e carências, afirmando a vontade de amar e aprender e os valores da liberdade e da justiça”, comenta.

Diz que além do pão ázimo (matzá) fazem parte da refeição ovos na água salgada e raízes amargas, para relembrar o que os antepassados sofreram para conquistar a libertação.

Ele lembra que o Pessach evidencia também a diferença entre os que aceitam passivamente o que é pré-estabelecido e os que fazem suas escolhas em momentos decisivos.

“O Pessach nos faz sentir o gosto das nossas escolhas: de um lado, o pão da aflição; de outro, quatro copos de vinho, cada qual marcando um estágio a longo dos caminhos para a liberdade”, explica.

Cláudio Galvão Bueno conclui com uma mensagem aos amigos:

“Mais do que sempre, num presente que se apresenta tão difícil, aqui e em todo canto do mundo, um testemunho que é um compromisso ético. Dar testemunho para distinguir entre a luz e as trevas, entre o justo e o injusto. É relembrar os tempos que passaram para que deles se extraia o presente, que é a sua lição: Que não façamos ao outro – seja um indivíduo, povo ou Nação – o que não desejamos para nós mesmos”.

Texto original de Jônatas Ferreira (2018), atualizado por Adriana Valeriano.

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